Mercedes aproveita calor e caos de Miami para se dar bem. Ferrari segue e Red Bull sofre

A Mercedes levou para Miami experimentos na tentativa de minimizar os quiques do W13, mas acabou encontrando também um cenário perfeito para anular outros problemas do carro prata. Só que há ainda um longo caminho a percorrer, especialmente diante de uma Ferrari que segue sólida

Poucos dias antes da viagem a Miami, a Mercedes anunciou que havia encontrado “várias direções” na tentativa de melhorar a performance do W13 e anular os quiques. E que, para a etapa nos EUA, faria apenas experimentos para entender que caminho seguir com o extremo projeto que colocou na pista em 2022. Eis que o circuito rápido e ardiloso do sul da Flórida fez bem mais pela esquadra alemã. O carro prata parece gostar do traçado e o calor caiu como uma luva. Portanto, tudo isso explica um pouco a surpreendente liderança de George Russell nesta sexta-feira (6). Mas não é só isso.

Antes de mais nada, é preciso dizer que a Mercedes sabia que o circuito poderia realmente trazer as respostas que precisa. Os trechos rápidos, a grande reta e um clima mais quente certamente ajudaram. O W13 surgiu como um acerto em que busca velocidade, inclusive um pouco mais baixo em relação ao solo. Para reduzir o arrasto, os engenheiros pensaram em um novo desenho da asa dianteira – a ideia é melhorar o fluxo de ar até o fundo do carro. A asa traseira também acompanha esse objetivo. Toda essa atualização acabou por diminuir os efeitos do porpoising – não anulou, é verdade, mas foi possível notar uma melhora, embora a própria Mercedes ainda não consiga entender. Então, tem o calor: com um asfalto bem acima dos 50º C, não foi um problema atingir a temperatura ideal de pneus. Quer dizer, em uma cartada só, as falhas para aquecer a borracha sumiram, bem como o crônico problema dos saltos.

Só que a Mercedes se mostrou acertadamente cautelosa quanto aos primeiros dados após os treinos. Isso porque o circuito de Miami é como o canto das sereias, é sempre bom ter cuidado. O dia foi marcado pela falta extrema de aderência, rodadas e muitos erros, porque essa é uma pista que pune os grandes e os pequenos equívocos – e ninguém ainda se sente totalmente à vontade nela. Ou seja, há de colocar na balança também o caos.

“Não vou dizer isso, mas foi um começo de fim de semana animador. Temos muitas coisas novas no carro, asa traseiras e dianteiras, por exemplo. Sempre tentamos reduzir o peso do carro – e seguimos com o sobrepeso, mas parece funcionar razoavelmente bem”, disse o engenheiro Andrew Shovlin à emissora inglesa de TV Sky Sports.  

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Pista de rua veloz e extravagância: o que a F1 encontra na estreia em Miami

O acidente de Carlos Sainz no TL2 em Miami (Vídeo: F1 TV)

“Em Ímola, sofremos para aquecer o carro e aqui, por outro lado, há superaquecimento. Não sei se foi isso que nos colocou na direção certa, mas não vamos nos emocionar por estarmos onde estamos. Sabemos que deveríamos ter melhorado o carro, mas ainda temos muito trabalho a fazer”, seguiu o homem da Mercedes.

O fato é que o carro se mostrou muito veloz em ritmo de classificação, em cima dos pneus macios. Já com os médios a situação foi um pouco diferente, porque o desempenho em corrida parece ser outro. Nesse quesito, os prateados ainda estão atrás da Ferrari – a melhor nesta sexta-feira. Russell ficou em média a 0s3 das marcas de Charles Leclerc.

Apenas dos dados, a simulação de prova em Miami foi bem incomum: por causa das bandeiras vermelhas e das singularidades do circuito, os pilotos conseguiram impor ritmo de corrida por cinco ou seis voltas. O caos, lembra?

Neste cenário, o líder do campeonato dominou as ações. Cauteloso, Leclerc fez o que precisava fazer, mas não se deixou enganar. A F1-75 se colocou muito bem, tanto com compostos macios como com médios – que devem ser os eleitos para domingo. A equipe italiana tem uma asa dianteira nova para testar, mas vai esperar o asfalto americano emborrachar mais. De qualquer forma, segue sendo a equipe a ser batida.

“As coisas saíram bem do nosso lado e testamos tudo o que planejamos. Focamos em aumentar nosso ritmo pouco a pouco e aprendemos um pouco sobre essa nova pista. É desafiadora e muito boa de pilotar, com minha parte favorita sendo a da curva 11 a 16 no segundo setor”, afirmou o monegasco, que chamou a atenção também para o piso de Miami.

“O asfalto vai apimentar as coisas. Há uma aderência muito grande na linha de corrida e uma aderência muito baixa fora dela, o que vai dificultar as ultrapassagens”, admitiu. “Também é bastante agressivo com os pneus, por isso será importante gerenciá-los bem ao longo da corrida. Parece que todos estão juntos, o que deve proporcionar um fim de semana emocionante”, completou.

Enquanto isso, a rival Red Bull viveu um dia doloroso em Miami. A confiabilidade voltou a assombrar as garagens austríacas e levantou algumas sobrancelhas. A apreensão de Adrian Newey nos boxes não foi à toa. Ainda que Sergio Pérez tenha conseguido mostrar que o RB18 tem potencial para a etapa americana, Max Verstappen sequer pode andar no segundo treino livre, perdendo um tempo precioso na preparação do fim de semana.

F1 TV Pro mostra toda a ação da estreia do GP de Miami na temporada 2022

Red Bull de Verstappen chegou a pegar fogo em Miami (Foto: Reprodução)

Na primeira sessão, o campeão do mundo sofreu um problema na transmissão. A esquadra dos energéticos teve de promover uma troca do câmbio que deixou o holandês parado. Quando finalmente pode ir à pista, uma falha hidráulica o tirou de combate novamente. E ainda viu fogo no freio traseiro. Quer dizer, tudo errado. Mas o time vê ainda o copo meio cheio – é sempre uma opção. “Verstappen teve um dia horrível”, admitiu Christian Horner.

“Tivemos um problema pela manhã, então, como precaução, mudamos a caixa de câmbio e um dos coolers. Depois, saindo do pit-lane, teve um problema hidráulico que, infelizmente, causou danos nos freios traseiros”, falou.

“Mas Max deu somente cinco voltas cronometradas, todas elas competitivas. Por conta das bandeiras vermelhas, nem perdeu tanto tempo de pista, mas é frustrante. Amanhã tem o TL3 e tempo para mais algumas voltas, provavelmente, para pegar o circuito. Numa pista de rua, você precisa encontrar seu caminho”, acrescentou o chefão dos taurinos.

Por enquanto, a ordem de forças obedece ao que se vê no campeonato – Ferrari, Red Bull e Mercedes -, mas Miami tende ao tumulto e ainda tem lá seus encantos e armadilhas. Portanto, todo o cuidado é pouco.

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de Miami AO VIVO E EM TEMPO REAL. No sábado, o dia começa com o TL3, marcado para as 14h (de Brasília, GMT-3). A classificação começa às 17h.

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