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GUIA 2019: Proteção ao cockpit e acerto de ovais são maiores mudanças da Indy em ano de regras mantidas

O ano no livro de regras da Indy é de continuidade. Depois de uma sequência de temporadas buscando o ajuste com os kits aerodinâmicos, a versão padronizada vai para o segundo ano, bem como os pneus introduzidos em 2018. A Indy tentou mexer o menos possível. Aumentou a proteção no cockpit dos carros e buscou uma alteração aerodinâmica com aletas alternativas no carro para os superovais - Indianápolis, Pocono e Texas - após as reclamações de corridas ruins nas pistas no último campeonato

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
GUIA 2019
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Após seguidos anos em que a Indy mudava o conjunto de regras à procura do formato ideal dos kits aerodinâmicos, o modelo encontrado no ano passado agradou. Os kits são padrões para Honda e Chevrolet pela segunda temporada seguida, o que acaba com as mudanças grosseiras e faz com que a continuidade seja premiada. Os carros não precisam de nenhuma reconstrução para 2019, apenas de ajustes. A Indy, enfim, vai conseguir pensar em evoluir em vez de desenhar.
 
O que não quer dizer que não há mudanças. Duas se destacam: um novo acerto para as etapas em ovais e a nova proteção de cockpit. São as duas grandes diferenças em relação ao que foi visto nos traçados durante o ano. 
A largada em Pocono (Foto: IndyCar)
Mudança para superovais
 
A substituição foi feita após amplas discussões com pilotos e engenheiros das equipes sobre qual seria a melhor forma de aumentar o dinamismo em especial nas provas de superovais - após as edições estranhamente monótonas das 500 Milhas de Indianápolis e de Pocono em 2018. 
 
No lugar das regras para redução do downforce e das opções aerodinâmicas, a Indy vai ceder aos times uma gama maior de formas para gerar downforce nas etapas de superovais: Indianápolis, Pocono e Texas. 
 
Mais especificamente, a Indy dá mais liberdade para selecionar ajustes aerodinâmicos neste tipo de pista com adição de novos flaps chamados 'Gurney' colocados na área da asa traseira dos carros. Além disso, estão permitidos também o uso de três flaps diferentes, todos opcionais, que podem ser utilizados na produção de downforce. 
 
O primeiro deles, de 33 cm, adiciona até 22 kg de downforce; o segundo, de 62 cm, pode render até 45 kg; enquanto o terceiro, que percorre todo o comprimento da asa, oferece até 90 kg de downforce. Os três valem para Pocono, mas apenas os dois primeiros vão estar disponíveis em Indianápolis. Nenhum vai valer em Fort Worth. Um flap 'Gurney' também foi instituído posteriormente para a asa dianteira nas corridas de oval.
 
Em entrevista concedida à revista norte-americana 'Racer' após o anúncio das medidas, o engenheiro de Simon Pagenaud, Ben Bretzman, falou sobre as alterações. "Aumentaram tanto o downforce porque as asas traseiras são bem pequenas. É uma resposta sobre como vamos melhoras as corridas. Sei que a Indy está tentando chegar a um nível de downforce que nos dá mais opções para controlar melhor os carros, especialmente no tráfego."
 
Mais um fator complicador na Indy 500 do ano passado foi o calor, que fez com que o downforce diminuísse ainda mais e facilitando a perda de controle do carro. Segundo Bretzman, a adição de downforce na traseira tem tudo para melhorar a situação. "Foi tão calor na corrida, e nós estávamos no máximo do downforce. Ficou mais difícil controlar as coisas, andar atrás de outras pessoas... É uma solução que vem de todo mundo trabalhando junto para melhorar o show."
 
Sobre a questão na asa dianteira, Chris Simmons, engenheiro de Scott Dixon, falou à 'Racer'. "Colocar mais potência na asa dianteira deve nos dar a maior habilidade para aumentar o downforce se a gente achar que deve. O objetivo também é aumentar a habilidade de ultrapassagem dos pilotos nos maiores ovais ao aumentar a aderência dianteira", encerrou.
A Indy vai adotar a proteção de cockpit a partir da Indy 500 (Foto: Indy/Chris Beatty Design)
Novidade na proteção de cockpit
 
A categoria anunciou uma nova medida para aumentar a segurança nos cockpits dos carros. A novidade foi batizada de Proteção Frontal Avançada: uma peça feita de titânio e produzida pela Dallara. A estreia da nova peça está marcada para 24 de abril, durante testes abertos em Indianápolis. 
 
A PFA, que tem pouco mais de 7 cm de altura e aproximadamente 2 cm de largura, foi projetado para impedir que detritos acertem o piloto. Vai ficar localizado na frente do cockpit, na linha central do chassi. A peça passou por todos os testes de força da Dallara.
 
O dispositivo não é exatamente uma novidade na Indy: diferentes versões da proteção foram testadas na pista e em simuladores desde 2012. Agora, enfim, a tecnologia atual permitiu com que a peça se tornasse uma opção prática.
 
Todos os carros inscritos para a 103ª edição das 500 Milhas de Indianápolis vão receber a peça. Daí em diante a proteção vai ser usada até o final da temporada.
 
“A busca pela segurança é algo que nunca termina, e esse é o mais recente passo dado pela Indy na evolução. Há mais detalhes sobre as fases a seguir”, afirmou Jay Frye, presidente da categoria.
 
A categoria também considerou adotar o windscreen, chegando a testá-lo em duas oportunidades na pista em 2018, uma em Phoenix e a outra em Indianápolis. Os testes aconteceram sem problemas, mas análises mais recentes mostraram que era necessário mais trabalho para ser implementado.
Josef Newgarden e Will Power (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
A classificação para a Indy 500
 
O penúltimo fim de semana de maio é sempre dono dos procedimentos que definem o grid de largada das 500 Milhas de Indianápolis com seus 33 classificados. Mas o formato sofreu uma mudança para a temporada 2019: o Bump Day, ao menos na prática, passa a ser o domingo, não mais o sábado. 
 
Em 2018, o sábado definiu quem eram os nove mais rápidos que garantiam vaga para o Fast Nine - a disputa da pole - e quem seriam os eliminados da disputa. Agora, não mais.
 
O sábado, de fato, terá menos poder. Vai seguir definindo o Fast Nine e também a posição de grid de largada entre o décimo e 30º colocados. Todos que ficarem abaixo do 30º lugar voltam à pista no domingo, antes do Fast Nine. Os três mais rápidos dessa sessão preliminar, sim, garantem vaga e relegam os mais lentos à não-classificação.
Josef Newgarden (Foto: Indycar)
Luzes de led
 
Após cancelar as luzes no meio de 2018 pela quantidade de falhas no sistema, a Indy mudou a fornecedora das luzes e as trouxe de volta para 2019. As luzes vão ser mais leves e seguem colocadas no alto do chassi. Desta forma, o painel de led vai indicar aos fãs:
 
- A posição de cada um dos carros em luz vermelha em todas as sessões do fim de semana - a atualização será em pontos específicos de cada volta; 
 
- Quando algum piloto acionar o push-to-pass o painel vai piscar com um 'PP' em verde; 
 
- O tempo de pit-stop vai ser indicado, também em luz vermelha;
 
- Se o motor de um carro parado ou acidentado ainda está ligado, o que vai permitir que a equipe de segurança responda mais rápido para religar e liberar o carro para competição ou resgate. Caso o motor esteja ligado, uma cobra verde se movendo de baixo para o alto da tela será acompanhada por uma figura do motor ligado do lado oposto. Caso esteja desligado, barras vermelhas horizontais vão correr de baixo para cima da tela no lado esquerdo, enquanto o lado direito vai mostrar em que marcha parou o motor.

São poucas as mudanças no ano em que a categoria mirou a continuidade. As equipes que mais conseguiram absorver dos novos carros em 2018 saem na frente por uma conquista em 2019.