Retrospectiva 2023: Castroneves tem ano turbulento e inicia transição para saída da Indy

Helio Castroneves teve um ano dos mais complicados e sofreu com o ritmo e a confiabilidade do carro da Meyer Shank. Embora tenha virado acionista da equipe, em 2024 disputa apenas as 500 Milhas de Indianápolis

A temporada 2023 pode ter marcado o início do fim da carreira de Helio Castroneves na Indy. Depois de ter retomado o tão almejado posto de titular na Meyer Shank em 2022, e até conseguir alguns bons resultados, o brasileiro viveu situações complicadas ao longo de 2023 e viu o jogo virar para 2024. Embora tenha se tornado acionista minoritário da equipe, deixou a titularidade. Assim, no ano que vem, o veterano vai alinhar o carro apenas no grid da Indy 500, em um primeiro momento.

A história de Helio com a Meyer Shank começou em 2021, quando assinou um contrato para disputar apenas seis corridas. Logo na estreia, no entanto, o brasileiro fez história e conquistou o maior feito do modesto time ao vencer as 500 Milhas de Indianápolis pela quarta vez na carreira . Porém, o conto que começou tão belo não está tendo o melhor dos desfechos no que diz respeito a desempenho.

Isso porque a temporada 2023 do brasileiro na Indy foi para se esquecer, e os problemas começaram logo na primeira volta da primeira corrida, em St. Pete. Na ocasião, Castroneves acabou se envolvendo em um big-one com outros seis carros e abandonou a prova. O mais frustrante de tudo, na visão do próprio piloto, é que o carro parecia bem acertado durante o warm-up e a expectativa era brigar pelo top-10. O incidente, no entanto, atrapalhou todos os planos.

“Em uma das curvas aqui os pilotos diminuem a velocidade, também reagi dessa maneira, mas o pessoal atrás não conseguiu parar no momento correto e acabei atingido na traseira, o carro rodou e aí foi aquela pancadaria por todo lado”, contou o titular da Meyer Shank.

Big-one na largada em St. Pete (Vídeo: Indycar)

Castroneves até pregou otimismo para seguir no restante da temporada, e tentou minimizar a batida na primeira prova do ano. Mal sabia ele, no entanto, que as coisas também ficariam difíceis na etapa seguinte. E as dores de cabeça do brasileiro começaram logo no sábado com um problema na caixa de câmbio, que o impediu de participar da última sessão de treino livre do GP do Texas. Com isso, Helio acabou tendo de largar de 21º na corrida.

Na corrida, no entanto, um lampejo de esperança para seguir em frente. Partindo do fundo do grid, o #6 conseguiu uma ótima recuperação, escalou o pelotão até a décima posição e obteve o melhor resultado desde o oitavo lugar conquistado em Mid-Ohio, em 2022. A performance foi graças à boa estratégia da equipe e à calma do piloto que, embora não tivesse o melhor dos equipamentos em mãos, soube escapar das confusões e capitalizar em cima do erro dos adversários.

Mas tudo que é bom dura pouco e as dificuldades voltaram a aparecer já no GP de Long Beach. Durante a classificação, Helio sofreu com o ritmo, caiu ainda na primeira fase e teve de partir apenas de 16º. Dessa vez, no entanto, nada de corrida de recuperação. Castroneves foi otimista na largada, não conseguiu contornar a curva 2, perdeu o controle do carro com pneus frios, bateu contra o muro e danificou o bico dianteiro. Apesar de ter feito os devidos reparos nos boxes, a corrida ficou totalmente comprometida, uma vez que voltou para a pista com duas voltas de desvantagem para o líder e foi punido por fazer uma parada quando o pit-stop estava fechado.

Piloto brasileiro precisou ir para o boxes para trocar a o bico dianteiro do #06 (Foto: Reprodução / Indy)

Novos problemas voltaram a aparecer durante o GP do Alabama, quando, apesar de partir de 21º, fez questão de reforçar que o carro da Meyer Shank não estava ruim, mas ainda assim não encontrou ritmo competitivo. No decorrer da etapa até conseguiu subir algumas posições, mas rodou após um toque com Benjamin Pedersen e voltou para o fundo do bolo. Assim, terminou o dia apenas em 21º.

Com a chegada do mês de maio e a Indy 500 se aproximando, Castroneves tinha esperança de conseguir melhores desempenhos. Mas nada disso aconteceu. Na etapa realizada no misto de Indianápolis, o #6 sofreu com uma quebra de motor durante os treinos. Por isso, a equipe levou muito tempo para fazer os reparos necessários e Helio teve pouco tempo de adaptação. Largou apenas de 26º e não foi além do 22º lugar na corrida.

Para a Indy 500, etapa mais importante do ano, nada de novo e mais problemas com ritmo. Na classificação, sequer sonhou com o top-12 e teve de se contentar com a 20ª colocação no grid de largada. Assim, a quinta vitória nas 500 Milhas de Indianápolis ficou mais distante. O início da corrida até foi bom e nas primeiras voltas o veterano já ocupava a 12ª posição. Mas, com um equipamento sem muito potencial, o resultado final foi apenas o 15º lugar. Helio, no entanto, voltou a reclamar de problemas com o carro,

“Não tinha como hoje. O carro perdeu o balanço no terceiro pit-stop, para te falar a verdade. A gente estava economizando bastante combustível e indo super bem. Quando o ritmo começou a apertar, o carro começou a ficar traseiro demais, eu tive de fazer uma parada inesperada, porque senão eu ia bater e isso nos colocou em uma posição ruim. A gente fez alguns ajustes no carro e este ajuste fez com que o carro não ficasse mais do mesmo jeito que começou a corrida”, lamentou o brasileiro.

Os problemas de Castroneves com a Meyer Shank, como era de se esperar, persistiram nas corridas seguintes. Em Detroit, perdeu parte do segundo treino livre, não soube como lidar com os pneus macios e acabou rodando em uma das voltas rápidas. Partindo de 23º, a corrida foi das mais complicadas, precisou fazer cinco pit-stops e terminou em 19º. Naquela altura do campeonato, Helio era o 21º na tabela de classificação, com 69 pontos somados.

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Helio Castroneves teve ano difícil e largou apenas de 20º na Indy 500 (Foto: Indy)

Em Road America, Castroneves se recuperou de mais uma classificação difícil e terminou a corrida em 15º. Em Mid-Ohio e em Toronto, foi apenas 21º, mas viu um sinal de melhora nos GPs 1 e 2 de Iowa, em que ficou com o 14º e 16º posto. Na segunda corrida no misto de Indianápolis, Castroneves foi punido com seis posições no grid, mas ainda assim teve um dos resultados mais sólidos do ano e salvou uma 15ª posição. O último resultado mais consistente do ano foi em Laguna Seca, última prova do ano, em que ficou em 13º.

Com a temporada das mais complicadas, ainda no mês de agosto a Meyer Shank anunciou que Castroneves seria substituído por Tom Blomqvist no próximo campeonato. O brasileiro, ao menos, segue no time como acionista minoritário e vai guiar um terceiro carro na edição 2024 das 500 Milhas de Indianápolis.

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