Aprilia critica demora no caso Iannone e ataca WADA: “Apareceu para falar sobre nada”

Massimo Rivola afirmou que a ciência está ao lado de Andrea Iannone no caso da suspensão por doping e contou ter ficado perplexo com o julgamento no Tribunal Arbitral do Esporte

A Aprilia não vai mesmo desistir de Andrea Iannone. Chefe do time, Massimo Rivola se queixou da demora do julgamento do caso da suspensão por doping no Tribunal Arbitral do Esporte e mais uma vez voltou a atacar a atuação da Agência Mundial Antidoping.

No último dia 15, a corte de Lausanne, na Suíça, julgou simultaneamente o protesto de Iannone contra a suspensão de 18 meses imposta pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) e a ação da WADA contra a entidade máxima do esporte, já que quer um gancho de quatro anos. A decisão, porém, foi adiada para meados de novembro.

Em dezembro passado, a FIM suspendeu Iannone provisoriamente após o italiano testar positivo para uso de esteroides androgênicos anabólicos exógenos (AAS) em um exame feito durante o fim de semana do GP da Malásia. Em abril último, a entidade presidida por Jorge Viegas anunciou um afastamento de 18 meses, o que levou Andrea ao TAS. A WADA, porém, também reagiu, pedindo uma pena maior.

Massimo Rivola segue confiante em um desfecho positivo para o caso Iannone (Foto: Reprodução)

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Depois de uma longa espera, o julgamento aconteceu na quinta-feira passada, mas a decisão dos árbitros pode levar mais um mês. Um atraso inesperado pela Aprilia, que ainda não definiu quem será o companheiro de Aleix Espargaró na MotoGP em 2021.

Falando à emissora italiana Sky, Massimo Rivola, diretor-executivo da Aprilia, torceu por uma pena menor, mas também revelou incômodo com a atuação da WADA. O dirigente contou que a defesa de Iannone apresentou precedente, mas teve a argumentação atacada pela agência.

“Vamos conseguir uma suspensão de 11 meses para Andrea. Vamos torcer para que seja assim”, disse Rivola. “Foram 12h exaustivas em Lausanne. Não posso dar detalhes, mas estou perplexo com a forma como a audiência correu. Apresentamos dois precedentes sensacionais, um de um atleta canadense e outro de um americano, absolutamente similares ao caso de Andrea e ambos absolvidos. O advogado da WADA disse que duas sentenças erradas não fazem uma certa. Na minha opinião, essa é uma coisa absurda de se dizer em um tribunal”, seguiu.

“Espero que a justiça seja feita. Esperar 11 meses já é um absurdo. Estamos desconcertados, e espero que isso não se prolongue ainda mais”, afirmou. “Quero ver o copo meio cheio. Passamos 12 horas falando depois que os juízes tiveram todo o tempo necessário para ler a papelada e agora temos de esperar mais um mês”, reclamou.

“Vi atitudes no tribunal que me deixaram perplexo, mas estamos do lado do piloto. Não existe conclusão cientifica que não seja a favor de Andrea. A WADA apareceu para falar sobre nada. Estou feliz por ter apoiado o nosso piloto”, frisou.

Ainda que o apoio deixe a Aprilia em uma situação difícil, Rivola mantém a fé na inocência de Iannone, que alega ter sido contaminado com drostanolona por meio de uma carne que consumiu durante a estadia do Mundial na Ásia.

“Este novo atraso é ruim para nós. Não há muito a dizer. O caso de Iannone prejudica a Aprilia, mas estou cada vez mais convencido de que isso não foi causado por ele”, afirmou. “Todos os cientistas que concordaram em defendê-lo o fizeram após lerem os documentos. Entre eles está Pascal Kintz, que está lutando contra doping há 35 anos, e está do lado de Andrea”, ressaltou, se referindo ao cientista que atuou no caso da suspeita de envenenamento do político ucraniano Viktor Yuschenko em 2004 e que, em 2009, fez uma análise de fio de cabelo que levou a absolvição do tenista Richard Gasquet de uma acusação de consumo de cocaína.

Questionado se a Aprilia vai poder esperar pela sentença antes de definir os próximos passos, Massimo ressaltou que isso também depende das alternativas. Cal Crutchlow já mostrou interesse em guiar a RS-GP, mas a casa de Noale também considera Andrea Dovizioso uma opção atrativa. Fora de LCR Honda e Ducati, respectivamente, os dois não têm vaga no grid do próximo ano.

“Vai depender de quanto tempo nossas escolhas alternativas podem esperar. A menos que a gente decida por um piloto jovem, mas ainda temos uma moto imatura para podermos fazer isso. Espero que Crutchlow possa esperar um pouco. No que diz respeito a Dovizioso, vai depender se ele quer se juntar à nós e arregaçar as mangas. Ainda estamos na fase inicial de desenvolvimento. Essas são as nossas alternativas”, completou.

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