Carma ataca outra vez, e Dovizioso esfrega erro na cara da Ducati na Áustria

Um dia após apresentar pedido de divórcio à Ducati, o italiano de Forli deu à fábrica de Borgo Panigale sua 50ª vitória na classe rainha do Mundial de Motovelocidade. É quase uma reexibição de um filme já visto com Jorge Lorenzo

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Nem toda terapia de casal do mundo vai salvar a relação de Andrea Dovizioso e Ducati. Um dia após ‘pedir o divórcio’, o piloto de 34 anos venceu o GP da Áustria deste domingo (16) e deu à casa de Borgo Panigale o 50º triunfo na MotoGP. Apesar do resultado, se engana quem pensa que discutir a relação pode mudar o desfecho dessa história: o italiano de Forli disse um sonoro “não” ao ser indagado se o resultado no Red Bull Ring altera o futuro vermelho.

Casado com a Ducati desde 2013, Andrea viveu o mar de rosas com os italianos em 2017, quando levou a briga pelo título para a última corrida do ano, em Valência. Depois, Andrea foi o perfeito cavalheiro com a moto de Bolonha: foi parceiro, apoiou cada passo do desenvolvimento, deu flores, troféus e até champanhe. Mas não conseguiu reproduzir o clima de lua de mel, ainda que tenha repetido mais duas vezes o vice-campeonato.

De olho na grama verde da vizinha Honda, que tem um casamento sólido e feliz com Marc Márquez, a Ducati permitiu o surgimento de rachaduras na relação com aquele que melhor cuidou da Desmosedici desde Casey Stoner. A marca italiana não soube dar o merecido valor do cônjuge. Nem em termos de dinheiro mesmo.

Dovizioso comemora a vitória 50 da Ducati (Foto: Ducati)

Anos atrás, quando contratou Jorge Lorenzo, a Ducati deu ao espanhol um salário bastante superior ao de Andrea. Mas os resultados continuaram vindo das mãos do #4. Natural, então, que ele tenha pedido uma compensação financeira na última renovação. Desta vez, em meio ao temor do impacto econômico da pandemia do novo coronavírus, a marca do grupo Audi pleiteou uma redução salarial, mas mais do que isso, foi a forma como tratou o piloto que pesou.

“Não discutimos dinheiro com a Ducati. Nunca foi uma questão de dinheiro. O destino de um piloto é sempre provar a si mesmo”, disse Simone Battistella, agente de Dovizioso, à emissora inglesa BT Sport na manhã deste domingo. “Andrea estava aberto a renegociar, aceitando um corte salarial”, contou.

No fim, a história é sempre a mesma: a Ducati não sabe retribuir o amor e carinho que recebe de seus pilotos. Quer uma prova? Ofereço duas:

1) No sábado, logo após a notícia de que Dovizioso não renovaria o contrato, Stoner foi ao Twitter criticar a antiga empregadora: “É só a minha opinião, mas não acredito que a Ducati possa se dar ao luxo de perder alguém como Andrea Dovizioso. Acho que eles precisam perceber em algum momento que é o piloto e não o túnel de vento que conquista resultados. Então os ouça”. Anos atrás, quando optou por não renovar o contrato como piloto de testes, Casey já tinha dito que não se sentia ouvido;

2) A passagem de Lorenzo pela Ducati é uma evidência por si só. É bem verdade que a adaptação demorou mais tempo do que o esperado, mas a estrutura comandada por Claudio Domenicali colocou em dúvida a capacidade de um piloto estabelecido e campeão. Quando enfim dominou a Desmosecidi e venceu o GP da Itália, a relação já estava quebrada. “É tarde demais para mim. Nos próximos dois anos, estarei com outra moto”, disse o #99 logo após triunfar em Mugello, a casa da Ducati, em 2018.

Veja as fotos do assustador acidente do GP da Áustria de MotoGP: clique na imagem abaixo.

A moto de Morbidelli passou bem na frente de Rossi, que contornava o grampo do Red Bull Ring (Foto: Reprodução)

É claro que ninguém espera que uma equipe profissional trate os pilotos com flores, bombons e ursinhos de pelúcia, mas é natural que o competidor queira ter seu trabalho reconhecido e valorizado. E, se a Ducati conseguiu três vices desde 2017, foi muito por causa do trabalho, do estilo de pilotagem e da racionalidade de Andrea.

Afinal, já nem está mais tão na moda aquele eterno debate: é o piloto ou a moto que faz a diferença? Já faz alguns anos que os homens provaram dominar as máquinas.

Assim como fez lá atrás com Stoner e mais recentemente com Lorenzo, a Ducati vai perder um grande piloto, pois não sabe se relacionar, não sabe que reciprocidade importa, não sabe sequer entender que, num mundo habitado por Marc Márquez, parar a Honda é um tanto mais difícil. Quantos pilotos mais serão precisos para os italianos aprenderem a ouvir, entenderem o tamanho de suas limitações e darem aos competidores os instrumentos ― e o tempo ― necessários para que sonho do título volte a ser realidade?

“Minha emoção foi estranha, primeiro porque normalmente os fãs e e amigos estão com você, então é diferente, mas também porque estou de saída. É uma situação estranha, um misto de emoções, mas é sempre bom vencer”, disse Dovizioso.

Questionado se a vitória deste domingo foi uma resposta à Ducati, Andrea deixou claro que acha que já provou suas capacidades para a equipe antes.

“Felizmente, fizemos isso no passado, então não muda nada. Esse não é o ponto. Isso é esporte a motor, às vezes você trabalha de um jeito, às vezes de outro. Nós estamos focados no campeonato e hoje confirma isso. Realmente queremos usar essa temporada ao máximo e quero ficar longe de confusão, pois isso não funciona para nós com a meta que temos. Talvez tenha um momento certo para falar sobre isso”, completou.

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