Cria da casa, Binder coroa evolução rápida da KTM com vitória em Brno

No GP da Tchéquia, o sul-africano colocou a marca austríaca no rol dos vencedores apenas quatro temporadas após a estreia da casa de Mattighofen na classe rainha do Mundial de Motovelocidade

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A MotoGP teve um domingo (9) para entrar na história em Brno. Com uma atuação impecável do novato Brad Binder, a KTM entrou no rol dos vencedores da classe rainha exatos 1.232 dias após a estreia oficial, no GP do Catar de 2017. Antes, a RC16 tinha disputado o GP da Comunidade Valenciana do ano anterior, quando Mika Kallio teve a honra de correr com o protótipo austríaco pela primeira vez.

Embora seja mais do que reconhecida mundialmente, a fábrica de Mattighofen construiu sua reputação no off-road. No Rali Dakar, por exemplo, foram 18 vitórias seguidas, uma sequência que chegou ao fim apenas neste ano, com a conquista de Ricky Brabec, da Honda, na Arábia Saudita.

No mundo do asfalto, a KTM está presente na Moto3 e teve um breve projeto na Moto2 ― encerrado no ano passado, não por falta de competitividade, mas por que não faz muito sentido construir um chassi para carregar o propulsor da concorrente Triumph. Assim, a MotoGP é um mundo completamente diferente para a divisão esportiva comandada por Pit Beirer ― que, aliás, é um ex-piloto de motocross.

Mas os austríacos souberam se preparar muito bem para o desafio. Ex-Honda, Mike Leitner foi contratado para chefiar a equipe, que, com Pol Espargaró, vinha fazendo um ótimo trabalho. Mas o acerto principal veio com Dani Pedrosa. Dono de um currículo vitorioso, o espanhol migrou da fábrica da asa dourada à Áustria para trabalhar no desenvolvimento da RC16.

Brad Binder comemora vitória com a equipe (Foto: Red Bull Content Pool)

Desde a chegada do piloto de Sabadell, que se aposentou da MotoGP no final de 2018, a KTM evoluiu mais rapidamente, passando a brigar entre os ponteiros. E não foram poucas as vezes em que Pol Espargaró creditou ao #26 a melhora na moto.

O catalão, aliás, vinha empunhando a bandeira dos austríacos até agora. Foi Pol quem conseguiu o primeiro pódio na categoria principal e, costumeiramente, dava à marca os melhores resultados. Num mundo justo, talvez o irmão de Aleix devesse ser o cara a conquistar a vitória inaugural mas, de certa forma, é ainda mais notório que tenha vindo pelas mãos de Binder.

Desde que entrou na MotoGP, a KTM deixou claro que tinha uma meta: vencer com uma cria da casa. O sonho é para o título, claro, mas o primeiro triunfo veio justamente com alguém que guiou motos da marca desde a base. Brad passou por Red Bull Rookies Cup, foi campeão da Moto3 e vice da Moto2 com motos austríacas. O irmão de Darryn é a síntese de tudo que Mattighofen sonha.

Tem quem ache que a KTM demorou para chegar à vitória, mas é preciso lembrar que a MotoGP não é uma categoria de amadores. O grid é altamente competitivo e não é tão simples evoluir do fundo do pelotão para o topo do pódio. A Ducati, por sinal, é um exemplo claro disso: quanto tempo levou para Borgo Panigale voltar a brigar pela ponta? Fosse outra categoria qualquer, possivelmente levaria muito mais tempo para ganhar esse nível de competitividade.

Além disso, vale lembrar, a MotoGP permite uma evolução mais acelerada. Por meio das concessões, a organização consentiu que a KTM encurtasse o tempo necessário para evoluir. Quanto tempo seria necessário se estivesse sujeita às mesmas regras de congelamento de motores de Yamaha, Honda, Ducati e Suzuki, por exemplo? Quanto tempo iria demorar para atingir esse tipo de competitividade se a KTM não tivesse mais liberdade para testar com Pedrosa do que as rivais já consolidadas?

Binder recebeu felicitações de Morbidelli (Foto: SRT)

A KTM é uma das melhores construtoras do mundo. Isso é um fato. O histórico no off-road é uma prova cabal disso. Mais do que isso, a fábrica laranja acertou a mão lindamente na gestão: o time comandado por Pit Beirer soube jogar com as regras, trabalhar de forma eficiente e usar o dinheiro que jorra também da Red Bull para construir um projeto sólido.

Com a vitória de hoje, a KTM encerrou um longo jejum na MotoGP. Afinal, a última fábrica não-japonesa ou italiana a vencer na classe rainha tinha sido a Konig, com Kim Newcombe na Iugoslávia em 1973.

Embora a Yamaha tenha entrado como favorita à vitória, especialmente com Franco Morbidelli, a vitória de Binder não é uma surpresa. O sul-africano já tinha mostrado um ritmo excelente. No GP da Espanha, por exemplo, Brad já tinha mostrado ritmo para vencer.

“Hoje foi o dia mais incrível da minha vida até aqui. Foi com esse dia que eu sonhei desde criança”, disse Binder. “Deus, isso se tornar realidade no meu terceiro GP é assustador. Honestamente, não posso acreditar”, seguiu.

“Desde o dia em que estreei na Red Bull Rookies Cup, foi uma luta constante para chegar até aqui. E eu passei por toda as classes com a Red Bull KTM. Estamos no topo e finalmente vencemos na MotoGP”, comentou.

Binder trouxe também a primeira vitória da África do Sul na MotoGP (Foto: Red Bull Content Pool)

Binder, porém, não esperava o nível de competitividade que mostrou no traçado tcheco. “Na sexta-feira, nós estávamos num barco completamente diferente. Eu mal podia tocar o acelerador, pois sentia que seria arremessado pelos ares”, contou. “A partir do TL3, a minha moto estava muito mais estável e só me senti muito, muito bem. Muito disso é na conta dos caras que prepararam um pacote incrível”, elogiou.

“Essa nova moto é insana. Digo isso desde a primeira vez que guiei. Eu disse: ‘Caras, essa coisa não é tão ruim’. Definitivamente, eu vejo uma grande vantagem quando rodo com os outros caras. Com certeza, terão lugares onde teremos um pouco mais de dificuldade do que os outros, mas onde somos fortes, temos uma grande vantagem. Ver a recompensa disso na corrida de hoje é insano”, frisou. “Não posso agradecer o time o bastante. Não posso agradecer a todos que me ajudaram a chegar lá hoje e estou ansioso por muitas, muitas mais”, completou.

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