Máscaras, marmitas, distância e confinamento: MotoGP tem nova rotina na pandemia

A MotoGP aproveitou um momento de baixa nos números da pandemia do novo coronavírus para iniciar a temporada 2020 na Europa. Mas a volta veio cercada de medidas sanitárias que acabaram por mudar a rotina do paddock

A pandemia do novo coronavírus mudou a cara da MotoGP. Além de provocar um adiamento de 133 dias, o surto de Covid-19 também alterou a forma de as pessoas se relacionarem, barrou a presença de público e também tornou obrigatório o uso de equipamentos de proteção pessoal.

Para poder iniciar o campeonato ― ou reiniciar no caso de Moto3 e Moto2, que correram no Catar no início do ano, pois já estavam lá para a pré-temporada ―, a Dorna elaborou um protocolo sanitário que exige não só testes para detectar possíveis contaminados, mas também impõe distanciamento social.

Antes de abrir a temporada da MotoGP em Jerez com o GP da Espanha, Dorna, FIM (Federação Internacional de Motociclismo) e IRTA (Associação Internacional das Equipes de Corrida) enviaram uma carta com um clara mensagem: “Cada participante é responsável pelo futuro do nosso esporte”.

No fim de semana do GP da Espanha, a Yamaha deu uma mostra das medidas que adotou para cumprir o protocolo sanitário: além de distanciamento e EPIs, a fábrica de Iwata também passou a produzir a alimentação da SRT, não só da equipe satélite, mas também dos times de Moto3 e Moto2, que não contam com uma relação esportiva com a marca.

MotoGP 2020 Espanha Jerez Yamaha
Layout dos boxes foi modificado para aumentar a proteção (Foto: Yamaha)

A Honda, por sua vez, também divulgou um vídeo com as mudanças feitas nos boxes: divisórias de acrílico, máscaras e escudos faciais para os mecânicos que não podem trabalhar tão distantes quanto deveriam, álcool em gel e etc.

Mas não é só isso. O paddock hoje é um universo diferente, muito mais vazio do que costumava ser.

12 homens e nenhum segredo: o novo normal na VR46

Embora o comportamento de muitos pareça indicar o contrário, a pandemia segue ativa e, por isso, reiniciar a temporada de Moto2 e Moto3 exigiu uma série de cuidados. Os mesmos protocolos que têm de ser seguidos na classe rainha, mas com uma dificuldade extra: o número ainda mais reduzido de pessoas.

Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Pablo Nieto, chefe da VR46, reforçou que seguir as regras é vital para a continuidade do campeonato, mas reconheceu que foi um desafio extra lidar com as máscaras e o forte calor que marcou as duas etapas em Jerez de la Frontera.

“Estamos vindo de um período realmente difícil e essa nova realidade é um pouco diferente em comparação com o passado, mas é a única possibilidade para voltarmos a correr”, disse Nieto. “Como equipe de Moto2 e Moto3, o principal problema para nós foi que tivemos um limite de 12 pessoas ― para as primeiras duas corridas em Jerez ― que podíamos levar conosco para os circuitos, incluindo os pilotos. Isso fez com que tivéssemos de chegar com um mecânico a menos, sem coordenador de equipe, sem assessor de imprensa e sem equipe de hospitality. Para Brno e Áustria, a Dorna e a IRTA subiram esse limite para 15”, contou.

VR46 contou com equipe reduzida nas etapas de Jerez (Foto: VR46)

Questionado sobre como foi voltar ao trabalho depois de uma longa pausa, o filho do lendário Ángel Nieto respondeu: “Ficamos realmente felizes e empolgados. Foi um momento difícil, muito duro para Espanha e Itália, e ficamos felizes em voltar a correr. E também não foi um novo começo ruim para nós em termos de resultados: uma vitória, uma pole e três pódios”.

“Considerando o calor em Jerez, não foi fácil usar as máscaras FFP2 durante todo o dia e também os protetores oculares. Mas precisamos respeitar todas as regras e protocolos que a Dorna e a IRTA nos deram”, alegou Pablo. “É uma nova rotina, a única forma de voltarmos a correr. Não temos escolha ― precisamos nos familiarizar com essas novas regras e respeitá-las. Foi realmente difícil para nós na Europa e temos sorte de estarmos de volta ao trabalho. O que é outra razão para respeitarmos essas regras de usar máscaras, manter o distanciamento social e etc.”, insistiu.

“A pandemia ainda está acontecendo. Esta é uma verdade dura de aceitar”, comentou.

O dirigente também lamentou a ausência dos torcedores. “É estranho. Uma verdadeira pena estar lá sem os fãs. Ir para o grid no domingo com as arquibancadas vazias é a coisa mais estranha, mas é o único jeito. Mas tenho de dizer que nossos fãs são incríveis. O apoio deles nas mídias sociais foi fantástico!”, completou.

Um novo mundo cruel para os não-Europeus do paddock da MotoGP

Quem vê de fora sempre pensa que trabalhar com esporte a motor é puro glamour e diversão. A realidade, porém, está ― e sempre esteve ― muito distante disso. No contexto da pandemia, a volta ao trabalho é muito mais puxada para aqueles que não são nativos da Europa: japoneses e australianos, por exemplo, não vão poder voltar para casa até o fim do campeonato, previsto para novembro.

“Para mim e para outros caras fora da área Schengen [convenção sobre abertura de fronteiras entre a União Europeia ― exceto Bulgária, Romênia, Chipre, Croácia e Irlanda ―, Islândia, Noruega, Lienchestien e Suíça], nossos vistos duram só três meses e neste ano nós estaremos na Europa por quatro meses, então entre as corridas, nós teremos de ir a lugares que não fazem parte desta área”, disse Alex Briggs, mecânico de Valentino Rossi, ao jornalista Mat Oxley, do site Motorsport Magazine. “Esta temporada será um pouco difícil para alguns, especialmente para aqueles que não podem ir para casa por quatro ou cinco meses. Mas essa é a minha vida, então provavelmente não será um problema. Existe, com certeza, um tipo diferente de ansiedade sobre ficar preso aqui ou ficar doente do outro lado do mundo da minha casa. Isso está sempre na sua mente”, completou o australiano.

Ao GRANDE PRÊMIO, a Suzuki confirmou que seus funcionários terão de permanecer na Europa enquanto durar o campeonato.

Álcool em gel é abundante no paddock (Foto: Suzuki)

“Não sei em relação aos outros times, mas, no geral, todos os nossos integrantes de outro continente vão ficar por aqui por mais do que meses para evitar problemas caso eles voltem para casa e não possam retornar depois. As constantes restrições e a situação desafiadora não permite o ritmo de voar o tempo todo”, disse o porta-voz da equipe. “Além disso, o calendário também pode mudar no futuro dependendo da situação com a Covid nos diferentes países envolvidos”, frisou.

Ainda, o porta-voz do time explicou ao GP a nova realidade no paddock. Por conta das medidas sanitárias, até mesmo o almoço ganhou uma nova configuração.

“Todos têm de usar máscaras o dia todo no circuito e, na garagem, obviamente não dá para ver distanciamento social, mas todos os membros do paddock vivem em uma espécie de bolha. Só podemos nos mover como uma família, juntos depois de passar por alguns exames (PCR e sorologia)”, contou. “Uma vez dentro, temos de manter o distanciamento de outras equipes, mas o paddock está reduzido à metade das pessoas que normalmente estão aqui. Nós temos displays de álcool por todo canto da garagem, caminhões e hospitality, que é menor do que o comum. E nós recebemos almoço e jantar em marmitas personalizadas, já que o bufê está proibido, e temos de sentar mantendo distancia social. Nos boxes, todos usam máscaras e, em contato com os pilotos, também devem usar escudos faciais”, detalhou.

Novo normal: nem tão novo e nem tão normal

Na realidade da pandemia, novo normal é a expressão mais utilizada para falar sobre o atual modo de vida da população. Mas, no que se refere à MotoGP, as coisas não são assim nem tão inéditas e nem tão naturais.

“Não acho que isso possa ser classificado como normal, porque não é um jeito comum e será ― tomara ― por um curto período de tempo apenas, até que o normal volte. Dito isto, o paddock é bastante similar ao que era, com profissionais fazendo seu trabalho. Só tem menos gente e uma maneira diferente de agir um com o outro” contou ao GP Tim Walpole, que atua como assessor de imprensa da Michelin no paddock do Mundial.

Para poder entrar no circuito de Jerez, todos os integrantes do Mundial foram submetidos a dois exames: RT-PCR, que é obtido com a raspagem da nasofaringe, e o sorológico, que é coletado por meio de um exame de sangue.

“Os resultados foram colocados em um app médico que a Dorna forneceu e, em troca, isso nos deu permissões individuais para entrarmos no paddock”, explicou Walpole. “Esse app tem um QR Code pessoal que era escaneado diariamente quando entrávamos no paddock e toda noite quando saíamos. Ele também tem um recurso para atualizarmos qualquer sintoma que possamos ter, assim a equipe médica pode rastrear qualquer possível caso. Máscaras e escudos faciais são sempre usados, dependendo da situação, e estações de higienização são abundantes”, frisou.

Distanciamento social atrapalha até um abraço entre os irmãos Luca Marini e Valentino Rossi (Foto: VR46)

A principal mudança na rotina fica por conta do uso dos EPIs e também do veto a “interação entre equipes adversárias, fornecedores e etc”.

“Todos ficaram muito na bolha de suas próprias equipes, a menos que tivesse uma razão específica para circular pelo paddock, aí regras estritas de distanciamento social e de higiene têm de ser seguidas”, comentou.

Para quem vê de fora, uma das principais mudanças era clara no vazio das arquibancadas.

“A atmosfera em Jerez foi estranha, mas não incomum, pois quando testamos, as arquibancadas estão vazias, então foi mais ou menos assim. Quando a corrida começou, o pensamento de que não tinha torcida pareceu desaparecer e a única vez em que realmente notei foi quando os pilotos alinharam no grid e aí na volta de celebração, com as comemorações, e no pódio”, contou o britânico. “Uma coisa um pouco positiva foi que o paddock ― na minha opinião e também de outros ― tinha um clima mais relaxado. Tinham menos pessoas e todos pareciam poder fazer seu trabalho com mais facilidade. A rotina estranha de ser escaneado e usar máscaras acabou se tornando natural muito rapidamente. O único aspecto incomum, e um pouco negativo, foi estar confinado no hotel. Isso foi muito estranho entre as duas corridas, já que ninguém podia deixar o confinamento de seus próprios hotéis até voltarem para a pista”, explicou.

Apesar de o campeonato ter podido começar, a pandemia segue por aí. A Espanha, por exemplo, vive um aumento no número de casos, uma preocupação a mais para quem trabalha no Mundial.

“Paira sempre uma dúvida sobre a continuidade das corridas. Como vimos no penúltimo dia do GP da Andaluzia, o pessoal do Reino Unido passou a ser exigido a fazer uma quarentena quando voltasse da Espanha. Esse tipo de mudança é esperada e todos devem estar preparados para ela e fazer planos de contingência para lidar com qualquer eventualidade”, defendeu Walpole. “A Dorna, a IRTA, a FIM e todos os países relevantes estão trabalhando para garantir que esses eventos sigam em frente da maneira mais segura possível. E, depois de vivenciar as duas primeiras corridas em Jerez, acho que todos eles fizeram um grande trabalho. Fiquei orgulhoso por fazer parte disso e, se as corridas podem levar algum alivio e diversão para as pessoas ao redor do mundo depois do que aconteceu e continua acontecendo, um momento muito triste, então isso é uma coisa a mais em tudo que diz respeito à MotoGP”, encerrou.

Carta-convite e testes e mais testes

Único brasileiro no grid do Mundial, o desafio da pandemia se apresentou para Eric Granado já na viagem do Brasil para a Espanha. Afinal, os dois países vivem momentos distintos na disseminação da Covid-19. De acordo com dados coletados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) até segunda-feira (3), o país europeu não registrou nenhum novo caso de coronavírus nas últimas 24h e tampouco fatalidade. O Brasil, por outro lado, teve 45.392 positivos no último dia, com 1.088 novas mortes.

No total, a Espanha soma 288.522 casos, com 28.445 mortes, enquanto o Brasil acumula 2.707.877 positivos, com 93.563 mortes.

“Eu estava bem tenso, não vou negar. Estava bem nervoso antes de chegar lá, porque eu não sabia como ia ser a entrada lá no país, ainda mais pelo Brasil estar numa situação ruim”, disse Granado ao GRANDE PRÊMIO. “Então eu me preveni antes de chegar e consegui toda a documentação, tanto com a FIM e a Dorna, que são os organizadores do campeonato, como com a equipe. A gente levou uma série de documentos, uma ‘carta-convite’ que a organização manda para a gente poder aproveitar para a Polícia Federal e tal. Mas foi mais fácil do que eu esperava. Com as cartas, eu ainda eu tendo passaporte espanhol, isso me ajudou muito para entrar e aí foi tranquilo. Eu estava me cuidando bem aqui no Brasil, fiz vários testes do corona, em nenhum momento tive o vírus, então foi tranquilo”, seguiu o piloto da Avintia.

Questionado pelo GP se fez testes antes de deixar o Brasil e também ao chegar à Europa, Eric detalhou: “Nossa, eu já fiz um monte de testes. Não aguento mais! Eu fiz uns três no Brasil e fiz mais dois lá”.

Eric Granado começou o ano com pole e vitória no GP da Espanha (Foto: Reprodução)

“É protocolo. Antes de todas as etapas vai ter de fazer. Eu fiz aqui antes de ir, achando que isso me ajudava a entrar lá mais fácil, ter um documento que prova que é negativo. Dois dias antes de viajar, eu fiz o teste e levei, mas eles não aceitam, porque você já entrou no avião. Você fez o teste antes de entrar no avião, então você é obrigado a ficar em quarentena lá quando você chega. Não adiantou nada fazer o teste”, relatou. “Depois eu fiquei 15 dias em Barcelona e, antes de ir para Jerez, tive de fazer outro teste, ficar em isolamento, entrar na pista. Nas duas semanas em que eu entrei na pista, era do hotel para a pista e da pista para o hotel. Nada mais”, frisou.

Assim como todos os demais integrantes do paddock, Eric também contava com um aplicativo médico desenvolvido pela organizar para validar o acesso. “A credencial estava com a gente, mas não servia, o que importava era o celular com o aplicativo te dando sim ou não para você entrar”, falou.

Ainda, o piloto de São Paulo contou que estudou detalhadamente o protocolo sanitário elaborado pelo Mundial antes de viajar para a Europa e relatou as dificuldades da nova rotina.

“Tem um baita plano de contingência que eles mandaram. É um documento gigante que eu tive de ler antes de ir ― eu e todos os pilotos que estavam lá. Para entrar, obviamente a distância de dois metros sempre, o piloto só podia ficar sem máscara quando ele chegada da pista, porque em alguns momentos era até sufocante, ainda mais com o calor, mas ainda assim a gente colocava. A equipe tinha de colocar máscara, aquela viseira de plástico e tinha algumas limitações. A gente não podia ficar indo nos outros boxes, era muito restrito. Eu tinha de ficar com a minha equipe só. A gente almoçava somente com a minha equipe. Cada grupo ficava com eles mesmos, não podia se misturar”, explica. “Para pedalar e para treinar, era bem limitado, não podia juntar muitos pilotos, mas, basicamente, isso. Acho que o mais importante era respeitar o fato de não sair do hotel e ir para outros lugares, pois, afinal de contas, dentro da pista, todo mundo que estava lá tinha feito teste e estava negativo, então era menos pior. O problema era fora mesmo. Eles estavam pegando pesado com isso”, apontou o brasileiro, que acrescentou que existe, ainda, a possibilidade de testes aleatórios. “Eu não tive de fazer, pois não me chamaram”.

Assim como as demais equipes, a Avintia também teve uma redução em seu quadro de funcionários nesse novo cenário. Eric, por exemplo, não pôde contar com a companhia do pai, Marco, mas não teve desfalques em sua equipe técnica.

“Meu pai vai a todas as corridas, mas ele não pôde ir. O Raúl [Jara, treinador do piloto], que me acompanha, a gente conseguiu que ele entrasse de último momento, porque teve uma outra pessoa da equipe da MotoGP, da Avintia, que não pôde ir e a gente conseguiu colocar ele, pois eles têm um número máximo de pessoas. Aí ele foi, mas o meu pai não pôde ir e outras pessoas não puderam estar lá. É bem limitado mesmo, mas, fazer o quê? O mais importante é as pessoas essenciais estarem lá: os meus engenheiros, telemétrico, mecânico. Esse é o pessoal que eu preciso para que as coisas funcionem. Sendo assim, está bom”, comentou. “Do meu lado, não teve diferença, porque a parte técnica, a equipe técnica, era a mesma. O que faltou era mais o pessoal da assessoria de imprensa da equipe, a parte de mídia, os diretores, pessoas que fazem mais a parte de staff e a parte fora da pista. Mas quem trabalha diretamente comigo, estava lá”, afirmou.

Passada a rodada de Jerez, Eric já está de volta a São Paulo e, como tem feito nas últimas temporadas, vai conciliar os compromissos na Europa com o Superbike Brasil, que abre a temporada 2020 em 30 de agosto, em Interlagos.

“Como eu participo do Superbike Brasil, eu tenho que voltar. Eu já tinha programado de voltar para cá agora em agosto, porque eu fiquei lá um mês, e, como não ia ter corrida tão cedo ― só tem em setembro ― e o calendário do Superbike já saiu, eu decidi voltar porque aí eu consigo treinar aqui. De repente, a Honda consegue organizar um teste para a gente fazer com a moto e tal, então achei que era mais viável estar por aqui agora”, ponderou. “Vou ter de manter a mesma pegada de sempre: vai e volta. Vai ser pauleira, porque em setembro eu vou correr todos os finais de semana do mês: corro o primeiro fim de semana em Goiânia, depois dois na Itália e o último do mês em Interlagos. Mas tá bom. Para quem ficou seis meses parado, eu estou feliz”, comentou.

No cenário da pandemia, porém, o fechamento de fronteiras é uma possibilidade sempre presente, especialmente por conta do descontrole da pandemia em território brasileiro. Questionado pelo GP se essa é uma preocupação, Eric falou: “Eu vou trabalhar na medida em que as coisas forem mudando”.

“Por sorte, eu tenho o passaporte espanhol, isso vai me ajudar muito. Se não fosse assim, seria mais difícil ficar indo e vindo. Então eu, como cidadão espanhol ― eu tenho residência lá também ―, posso entrar e, a partir do momento em eu estou na Espanha, aí fica mais fácil para me locomover”, considerou. “Pensando em datas, eu só vou ter de ir mais duas vezes para lá, porque eu tenho que ir para a Itália, vou ficar lá duas semanas seguidas, e depois França, então, pensando nesse sentido, para mim, que corro a MotoE, está mais fácil. Se você o calendário da MotoGP, completo, com as corridas como eu fazia na Moto2 e a Superbike, aí complicava. Mas eu vou olhando, vendo como está a situação e aí eu vou ter de me adaptar. Não tem jeito”, encerrou.

Menos gente e mais restrições: a nova rotina da TV

As equipes de TV são as únicas entre os profissionais de jornalismo que estão liberadas para entrar no paddock da MotoGP. Ainda assim, também sujeitos a uma série de restrições, inclusive no tamanho das estruturas.

Repórter do serviço de streaming espanhol DAZN, Izaskun Ruiz acompanhou os GPs da Espanha e da Andaluzia direto de Jerez e contou ao GRANDE PRÊMIO sobre a rotina “mais intensa” de trabalho.

“Podemos dizer que nossa rotina de trabalho no circuito é mais ou menos a mesma, mas seguindo estritamente os protocolos de segurança (máscaras e distância) e somos uma equipe muito menor. Nós usamos máscaras em todas as partes, mesmo que esteja sozinha no meio do paddock. E também usamos escudos faciais para entrevistas no grid”, contou.

Questionada pelo GP sobre quão reduzida é a equipe em relação ao normal, Izaskun explicou: “Somos só dois jornalistas e sete pessoas do lado técnico. Menos de um terço do que costumava ser”.

Assim como acontece com as equipes, os profissionais de TV também têm restrições na hora de se alimentar. “Marmitas e nada de lugares em comum ou bufê”, relatou.

Além disso, também ficaram confinados no intervalo entre as duas corridas que abriram a temporada. “Ficamos em Jerez por duas semanas. E só podíamos ir do circuito para o hotel e vice-versa”, afirmou.

As restrições, porém, parecem funcionar. Ao menos para dar sensação de segurança às profissionais envolvidos no Mundial.

“Todos estão muito cientes e seguindo os protocolos, então você se sente protegido”, completou Ruiz.

Apresentadora de TV, Vanessa Guerra não teve acesso ao paddock, mas segue produzindo material em vídeo com as limitações que se apresentam.

Alimentação é feita com marmitas na nova MotoGP (Foto: Suzuki)

“Ainda não sei quando poderei ter acesso ao paddock outra vez para o Vlog. Vai depender de como a pandemia vai evoluir e de quando a Dorna vai considerar seguro o bastante para voltarmos”, falou Vanessa ao GP. “Nós continuamos seguindo o Mundial de MotoGP e produzimos um Vlog da melhor maneira que podemos para cada etapa, com limitações, claro. Já que não temos acesso ao paddock e às equipes e pilotos como normalmente teríamos, dependemos de entrevistas pelo FaceTime por enquanto”, completou.

Zoom: um novo formato para permitir contato com pilotos

Para limitar o número de pessoas no paddock, a MotoGP barrou o acesso de jornalistas de imprensa escrita. Assim, as entrevistas que habitualmente acontecem nas etapas passaram a ser realizadas de maneira virtual. Um formato que começou com a Suzuki ainda no período de lockdown em Itália e Espanha.

“Os jornalistas com credenciais permanentes, que são válidas para toda a temporada, estão em uma lista, que foi compartilhada pela Dorna com todas as equipes”, contou a jornalista húngara Niki Kovacs ao GRANDE PRÊMIO. “Também podemos participar das coletivas oficiais da Dorna: na quinta-feira, depois da classificação e depois da corrida”, relatou.

“Os pilotos podem nos ver em uma grande tela, ouvir as nossas perguntas e responder. Na verdade, está funcionando muito bem. Mas realmente não é a mesma coisa que estar na pista. Como jornalista, nós perdemos cerca de 20% por não estar lá, não poder fazer perguntas ou investigar coisas”, explicou.

Valentino Rossi tem sido protagonista nas entrevistas via Zoom (Foto: Reprodução/Chechu Lázaro)

No caso dos fotógrafos, a Dorna também restringiu acesso, liberando a participação apenas de um número restrito de profissionais.

“O que mais me atrapalha é que eu também trabalho como fotógrafa freelancer, mas não fui nem considerada para estar no grupo de dez a 12 fotógrafos selecionados que podem estar lá. Sim, não trabalho para grandes agências, mas, claramente, é uma grande oportunidade perdida”, comentou Kovacs. “Não consigo me lembrar de um período tão incomum e tomara que não aconteça outra vez”, torceu.

Descumprimento de protocolo resulta em castigo severo no Mundial de Supersport 300

O cumprimento do protocolo sanitário é uma medida vital para a sequência do campeonato, já que ele é também um acordo com os governos locais.

No último fim de semana, veio do Mundial de Supersport 300 uma mostra da seriedade com que a Dorna está tratando a questão. Também promotora do campeonato das motos derivadas de produção, a empresa espanhola expulsou a equipe italiana 2R da temporada 2020 por conta de uma infração cometida na quinta-feira, em Jerez, em um jantar no paddock que contou com a presença de integrantes de outras equipes, o que é proibido pelo protocolo de 33 páginas.

“A equipe com que iria participar do campeonato mundial preparou um bufê e alimentou outras equipes, o que é proibido pela Dorna. Somente as fábricas podem fazer isso. Por isso, ela foi expulsa”, explicou o piloto espanhol Victor Rodríguez nas redes sociais.

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