Bastianini assume responsabilidades, mas sabe: é tudo ou nada na MotoGP 2024

Depois de lesões e ano apagado na equipe de fábrica da Ducati, Enea Bastianini entra em 2024 com a dura missão de equilibrar o jogo com o companheiro Francesco Bagnaia e manter a vaga no grid

A temporada 2023 da MotoGP foi dura para Enea Bastianini. Das 20 etapas disputadas, ficou de fora de sete — ou 35% do calendário, se assim preferir — por conta de acidentes e lesões. Para piorar a situação, viu o companheiro Francesco Bagnaia conquistar o bicampeonato consecutivo do campeonato e se consolidar como o grande nome a ser batido no grid.

Depois de fazer um ótimo 2022 com a Gresini, e até sonhar com título, Bastianini foi promovido ao time de fábrica da Ducati. Cercado de expectativas, especialmente por já conhecer a moto e por finalmente ter um equipamento de igual para igual com Bagnaia, o italiano não rendeu o esperado e terminou 2023 apenas no 15º lugar, com quase 400 pontos de desvantagem para o colega de garagem.

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É bem verdade que as lesões o atrapalharam. A primeira surgiu logo na estreia do campeonato, na sprint do GP de Portugal. Ao ser tocado pelo compatriota Luca Marini, caiu com força e fraturou a escápula — osso que se localiza na parte traseira do tórax e está ligado à clavícula, ou seja, primordial para um piloto de moto.

Por conta disso, só foi correr novamente na sexta etapa, na Itália, onde até conseguiu um top-10, assim como na Alemanha. Os resultados, porém, se mantiveram discretos até novo acidente, logo na largada do GP da Catalunha. Uma freada estanabada fez com que o piloto da Ducati causasse uma hecatombe, derrubando quatro colegas de grid e fraturasse mão e tornozelo esquerdos.

Bastianini até levou a melhor na Malásia, mas foi o único brilho do ano (Foto: Ducati)

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Quando voltou, na Indonésia, até fez resultados decentes, mas claramente parecia desconectado com a moto. A vitória na Malásia foi um respiro para um ano tão difícil, ainda mais pelo surpreendente domínio apresentado na exigente pista de Sepang. Mesmo assim, foi pouco para um piloto tão talentoso e com o melhor equipamento do grid — vale lembrar, por exemplo, que foi o único top-5 em 2023.

Os resultados ruins colocaram Bastianini contra as cordas. Por conta dos problemas, Enea chegou a conviver com rumores de que seria trocado pela Ducati e levado para a Pramac, em uma negociação envolvendo Jorge Martín. Mesmo assim, o italiano acredita que teria brigado pelo título sem os problemas físicos.

“Devo admitir que, de todas as coisas, [o rumor de troca] me fez sofrer menos. Nunca duvidei das minhas habilidades se estiver em boa forma e me curtindo. O Jorge [Martín] teve um grande campeoanto, mas acredito que sem as lesões eu também teria brigado pelo título. E vou tentar no próximo ano”, disse em entrevista para a emissora Sky Italia.

Neste período de férias, o foco de Bastianini é preparar a forma física, já que não quer experimentar o cansaço que sentiu em algumas corridas de 2023. Enea sabe que a temporada 2024 é crucial para provar seu valor não apenas para a Ducati, mas o mundo do motociclismo como um todo. Com a pressão de poder perder o cargo a qualquer momento, ameaçado por diversos pilotos, especialmente Martín, ele sabe que se entender com a GP24 será importante para novamente se colocar como postulante ao título.

“Estou trabalhando com o meu treinador para me sentir melhor fisicamente. Por exemplo, fiquei muito cansado depois da corrida na Malásia, pois eu não estava 100%. Mas estava claro o motivo: se você não treina por três meses e aí volta à MotoGP, é muito difícil por causa do nível atual. Você tem de forçar em todas as voltas e sessões”, pontuou.

“Provavelmente, agora estou sim em uma boa posição. Para a próxima temporada, teremos soluções diferentes e coisas novas na moto. Meus comentários são muito similares aos de Pecco e a Ducati fez um bom trabalho nos testes”, disse após os testes de Valência, no final do ano passado.

Resta saber se Bastianini vai mesmo assumir as responsabilidades depois de um ano tão difícil. No tudo ou nada da MotoGP, o italiano é uma das grandes incógnitas e, ao mesmo tempo, um dos maiores alvos desenhados no meio da pintura.

MotoGP volta a acelerar entre 6 e 8 de fevereiro de 2024, com os testes de pré-temporada na Malásia, no circuito de Sepang. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.

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