Longe das vitórias e em crise, Honda pode ter concessões na MotoGP em 2022?

A Honda vive uma fase incomum e já começa a ouvir questionamentos diante da possibilidade de contar com concessões na temporada 2022 da MotoGP

Vitória dominante de Oliveira e líder punido: assista aos melhores momentos do GP da Catalunha (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

A Honda mergulhou em uma crise na MotoGP. Atravessando o maior jejum de vitórias desde que voltou à classe rainha do Mundial de Motovelocidade, em 1982, a montadora de Hamamatsu também não tem conseguido se aproximar do top-3 e já começa a ser questionada sobre a possibilidade de ser agraciada com concessões a partir do próximo ano.

A crise da Honda, em certos aspectos, tem nome e sobrenome: Marc Márquez. Hexacampeão da classe rainha, o espanhol liderou a equipe nos últimos anos e, sozinho, compensou todas as deficiências da RC213V. Com um dos melhores pilotos da história garantido até 2024, os japoneses não trabalharam em planos de contingência.

A Honda segue buscando maneiras de melhorar a performance da RC213V (Foto: Honda)

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Só que o ‘e se’ aconteceu. Tentando compensar as fraquezas da moto, Marc caiu em Jerez de la Frontera no ano passado e acabou com o braço direito fraturado. Só que esse ‘e se’ foi elevado à terceira potência com a estabanada tentativa de apressar o retorno, o que resultou em nove meses de afastamento.

É válido ressaltar que o retorno de Márquez não tem sido exatamente como o esperado, já que ele tem sentido déficits físicos consideráveis, especialmente no ombro direito, que já tinha sido operado anteriormente.

Ainda assim, todo mundo ― ou, pelo menos, boa parte das pessoas ― acredita que, cedo ou tarde, o mais velho dos Márquez voltará a estar 100%. Ou pelo menos próximo disso. E aí a crise da Honda tem uma boa chance de ser aplacada.

Contudo, a situação atual colocou um holofote dos mais potentes em cima da RC213V. A deficiência não é nenhuma novidade. As dificuldades de Dani Pedrosa anos atrás já eram um indício ― e, muito que provavelmente, estão relacionadas a um direcionamento de desenvolvimento mais distante das opiniões do espanhol (afinal, a capacidade dele como desenvolvedor foi mais do que comprovada com a KTM). O completo desacerto de Jorge Lorenzo com a moto foi outro sinal que deveria ter sido considerado. A própria dificuldade de Cal Crutchlow com a moto deveria ter servido de alerta para acertar o rumo.

É verdade, também, que a Honda tentou buscar alternativas: Pol Espargaró. A montadora japonesa contratou o catalão para ter uma dupla mais forte com Marc na equipe principal, rebaixando Álex Márquez para a LCR junto com Takaaki Nakagami. Mas isso também não funcionou.

O último pódio da Honda na MotoGP foi o segundo lugar de Álex no GP de Aragão no ano passado. Ou seja, um jejum que já dura 11 corridas.

Assim, surgiram questionamentos sobre a possibilidade de a Honda ser listada em 2022 como uma fábrica que conta com concessões, condição que hoje só retrata a realidade da Aprilia. Mas essa é mesmo uma possibilidade?

Sim, é! O regulamento da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) estabelece que “quando uma fábrica não acumula pontos de concessão durante uma temporada, todos os pilotos usando as máquinas dessa fábrica vão se beneficiar de todas as concessões na temporada seguinte”. E como esses pontos são distribuídos por pódios, então a marca da asa dourada é sim uma candidata.

No entanto, restam ainda ao menos 12 corridas ― o destino dos GPs da Argentina e dos Estados Unidos seguem incerto. Ou seja, tempo o bastante para que a Honda consiga algum pódio e, assim, não receba as benesses previstas em regulamento.

Contudo, até que seria positivo para a Honda ter essas vantagens. Por exemplo, as concessões lhe permitiram desenvolver o motor ao longo do ano, algo que não é possível para quem não conta com essa vantagem.

O regulamento que estabeleceu as concessões foi o que permitiu à MotoGP ter o nível de competitividade atual. Sem isso, fábricas como Ducati, KTM e Suzuki poderiam ter tardado mais em alcançar a ponta do pelotão. Contar com esses benefícios ajudaria a RC213V a entrar nos trilhos. Mas ainda falta bastante tempo para essa ser realmente uma opção.

A MotoGP volta às pistas no próximo dia 20 de junho, para a disputa do GP da Alemanha, em Sachsenring, oitava etapa da temporada 2021. Acompanhe a cobertura do GRANDE PRÊMIO sobre o Mundial de Motovelocidade.

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