Marc Márquez entretém com bela reação nos EUA e mostra que ainda é presente na MotoGP

Mesmo depois de dois anos marcados por idas e vindas de lesões, o espanhol mostrou que ainda é o mesmo de antes: talentoso, empolgante e contagiante. O GP das Américas mostrou que ele ainda tem um lugar só dele no Mundial de Motovelocidade

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Os últimos dois anos não foram nada fáceis para Marc Márquez. Mas, se você acompanha a MotoGP, duvido que você precisasse chegar até aqui para saber disso. Das últimas 36 corridas da classe rainha, o espanhol faltou em 19 ― mais de 52% delas ―, às vezes por causa da fratura no braço direito, outras vezes por causa de problemas de visão.

Esse sofrida sequência de lesões resultou em uma série de debates, muitos deles, inclusive sobre o próprio futuro profissional do hexacampeão. Afinal, depois de tantas lesões, não seria a hora de pendurar o capacete e, aos 29 anos, caçar outra coisa para fazer?

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Semana passada, ao voltar para MotoGP e falar sobre o grave acidente que sofreu em Mandalika pela primeira vez, Marc deixou claro que ainda ama a MotoGP. Que a paixão pelo esporte segue sendo maior do que as lesões. Mas o irmão de Álex admitiu, também, que tem medo da diplopia, o sintoma que faz com que veja em dobro.

O episódio decorrente da concussão da Indonésia foi a terceira manifestação deste sintoma. A primeira aconteceu ainda em 2011, nos tempos da Moto2, e exigiu uma cirurgia. A segunda foi no ano passado, depois de um acidente durante um treino de enduro.

Marc já falou sobre esses momentos como os mais difíceis. Afinal, o problema de visão é um incomodo 24 horas por dia e independe de movimento ou atividade. Basta abrir o olho e ele está lá. Não há muito que fazer ou como ‘desviar’. É uma situação que afeta a vida cotidiana dele em tempo integral. Ultrapassa os limites profissionais.

Em meio a tantos tropeços, natural que brotassem dúvidas. E muito mais do que nos outros, nele próprio. Será que eu ainda sou o mesmo de antes? Será que ainda tenho a mesma chama de antes?

Se Marc se fez uma dessas perguntas em algum momento entre o tombo na corrida que abriu a temporada 2020 e o GP do domingo passado, imagino que a corrida de Austin tenha lhe fornecido a resposta. Aquele Márquez do GP das Américas ainda é o mesmo que encantou no GP de Portugal de 125cc de 2010, no GP da Austrália de Moto2 de 2011 ou nos GPs do Japão e da Comunidade Valenciana da classe do meio de 2012, provas em que, por uma razão ou outra, ele se viu no fundo do pelotão, mas lançou mão de recuperações alucinadas para vencer ou terminar entre os ponteiros.

O #93 de Austin foi o mesmo que tantas outras vezes foi capaz de deixar o espectador com os olhos grudados na pista só para ver até onde ele poderia chegar depois de um revés. Desta vez, um problema ainda sem explicação na RC213V o derrubou para último na largada do GP das Américas ― uma prova que ele costuma dominar. Mas o Márquez que nós nos acostumamos a ver não deixaria as coisas por isso mesmo, não é? E ele não deixou!

O piloto da Honda tratou de imprimir um ritmo fortíssimo e foi escalando o pelotão. Ao fim da primeira volta, ele já tinha subido para 16º. Na sétima, já estava no top-10. Marc fechou a corrida em sexto, apenas pouco mais de 6s atrás de Enea Bastianini, o vencedor.

O GP das Américas mostrou que o sofrimento dos últimos anos pode ter assustado e deixado até algumas marcas em Marc Márquez, mas não tirou dele a ousadia que sempre encantou na pista. Não tirou dele a capacidade de encarar cada corrida como se fosse uma decisão de campeonato. As lesões não mataram o talento e nem a capacidade.

Talvez Marc devesse mudar o estilo de pilotar para se preservar um pouco mais fisicamente. Mas, se o fizer, será por escolha. Não por que uma lesão o obrigou a tal. O hexacampeão ainda está presente na MotoGP. E ainda é um presente vê-lo ali.

MotoGP volta às pistas no próximo dia 23 de abril, para o GP de Portugal, em Portimão. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da quinta etapa do Mundial de Motovelocidade 2022.

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