MotoGP visita obra enquanto ONU denuncia violações na construção de Mandalika

Franco Uncini, Loris Capirossi e Carlos Ezpeleta foram inspecionar a construção do circuito da Indonésia. No fim de março, a ONU (Organização das Nações Unidas) pediu que o governo local respeite os direitos humanos na construção do complexo turístico

A MotoGP divulgou as primeiras imagens do palco do novo GP da Indonésia (Vídeo: MotoGP)

Enquanto a ONU (Organização das Nações Unidas) denuncia violações, a MotoGP inspeciona a construção do circuito de Mandalika, futuro palco do GP da Indonésia. Circuito urbano já integra o calendário deste ano do Mundial de Superbike e deve entrar na programação do Mundial de Superbike no início de 2022.

Dias antes da visita de Franco Uncini, comissário de segurança da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), Loris Capirossi, representante da Dorna, e Carlos Ezpeleta, diretor da promotora espanhola, a ONU denunciou violações aos direitos humanos durante a construção do complexo turístico em Lombok que abriga a pista.

No último dia 31, especialistas em direitos humanos pediram que o governo indonésio “respeite os direitos humanos e o estado de direito em meio a relatos de que um projeto turístico de US$ 3 bilhões [cerca de R$ 16,8 bilhões] na ilha de Lombok envolveu agressivas apropriações de terra, despejos forçados do povo indígena Sasak e intimidação e ameaças contra defensores de direitos humanos”.

MotoGP inspecionou a construção do traçado de Mandalika (Foto: Divulgação/MotoGP)

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“Agricultores e pescadores foram expulsos de suas terras e suportaram a destruição de suas casas, campos, fontes de água, locais culturais e religiosos, enquanto o governo da Indonésia e a ITDC (Corporação para o Desenvolvimento do Turismo na Indonésia) preparam Mandalika para se tornar uma ‘nova Bali’”, disse Olivier De Schutter, relator especial da ONU sobre pobreza extrema e direitos humanos. “Fontes confiáveis descobriram que os residentes locais foram submetidos a ameaças e intimidações e expulsos à força de suas terras sem compensação. Apesar dessas descobertas, a ITDC não buscou pagar indenizações ou resolver as disputas por terra”, seguiu.

A denúncia da ONU destaca que completo turístico é financiado pelo Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura (AIIB) e atraiu mais de US$ 1 bilhão [aproximadamente R$ 5,6 bilhões] em investimentos de empresas privadas para construir, além do circuito, parques, hotéis e resorts de luxo.

“À luz da história sombria de violações dos direitos humanos e grilagem de terras na região, o AIIB e as empresas não podem olhar para o outro lado e continuar seus negócios normalmente. Seu fracasso em prevenir e tratar riscos de abusos aos direitos humanos equivale a ser cúmplice de tais abusos”, denunciou De Schutter. “O projeto Mandalika coloca à prova os louváveis compromissos da Indonésia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e suas obrigações de direitos humanos subjacentes. O desenvolvimento do turismo em grande escala que atropela os direitos humanos é fundamentalmente incompatível com o conceito de desenvolvimento sustentável”, frisou.

“Já acabou o tempo de que circuitos de corrida e grandes projetos de infraestrutura turística transnacional que beneficiem um punhado de atores econômicos e não a população como um todo. As economias pós-Covid devem se concentrar no empoderamento de comunidades locais, melhorando seus meios de subsistência e participação na tomada de decisões. Instamos o governo indonésio a garantir que o ITDC respeite os direitos humanos e o estado de direito, bem como o AIIB e as empresas privadas a não financiarem ou se envolverem em projetos que contribuam para violações e abusos dos direitos humanos”, insistiu.

O pedido da ONU foi enviado ao governo indonésio, mas também ao ITDC, ao AIIB e a empresas privadas como a Dorna Sports, além de seus países de origem.

A promotora espanhola, porém, não se manifestou publicamente sobre o assunto e ainda enviou representantes junto a uma comitiva da FIM para inspecionar o circuito na última quarta-feira (7).

O traçado de Mandalika já consta no calendário do Mundial de Superbike deste ano, com uma etapa prevista para 14 de novembro. No entanto, a corrida da MotoGP foi adiada para 2022 por conta dos efeitos da pandemia do novo coronavírus.

“A visita a Lombok foi muito bem sucedida e podemos confirmar que o Circuito Urbano Internacional de Mandalika será uma das praças mais importantes do calendário no futuro”, disse Carlos Ezpeleta. “Também sabemos que os fãs indonésios vão comparecer em peso e o GP será um dos mais icônicos da temporada. A Indonésia é um mercado chave, não só para a Dorna, mas para acionistas–chave do campeonato”, sublinhou.

Ministro de Empresas Estatais da Indonésia, Erick Thohir assegurou que a chegada da MotoGP já está alinhada ao programa nacional de vacinação contra a Covid-19. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a Indonésia soma 1.552.880 casos de Covid-19, com 42.227 mortes. Até 7 de abril, 13.751.130 doses de vacina tinham sido aplicadas em um país de 270,6 milhões de pessoas.

“Apoio completamente a realização do evento da MotoGP em março de 2022. Isso está alinhado ao acelerado programa nacional de vacinação do governo da Indonésia. Queremos garantir a segurança de visitantes nacionais e internacionais”, declarou Thohir.

Diretor do ITDC, Abdulbar M. Mansoer agradeceu FIM e Dorna pela inspeção e garantiu que o governo local está empenhado em completar a construção do circuito.

“Agradecemos a FIM e a Dorna por virem fazer uma inspeção técnica que correu bem e correspondeu às expectativas deles. Sabendo firmemente o mês do evento da MotoGP, garantimos que estamos focados em completar o projeto de desenvolvimento do Circuito Urbano Internacional de Mandalika, enquanto também maximizamos o valor que este esporte mundial tem a oferecer”, completou.

Antes da denúncia da ONU, moradores locais já tinham denunciado violações pelas redes sociais, inclusive pedindo a ajuda dos pilotos.

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