Pai de Simoncelli presta condolência à família de Dupasquier: “Conheço esse tipo de dor”

Paolo Simoncelli lembrou da tristeza do fim de semana em Mugello e contou que o fim de semana na Itália o fez repensar a maneira com que encara a morte de Marco

MotoGP preparou vídeo com imagens da carreira em tributo a Jason Dupasquier (Vídeo: MotoGP)

A tristeza do fim de semana em Mugello fez Paolo Simoncelli recordar do próprio luto. Pai de Marco, o italiano manifestou pesar pela morte de Jason Dupasquier, vítima de um acidente no treino classificatório da Moto3.

Em 2011, Paolo perdeu o filho mais velho em decorrência de um acidente ainda no início do GP da Malásia. Assim com aconteceu com Dupasquier, Marco caiu no meio do pelotão e acabou atingido pelos pilotos que vinham logo atrás.

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Paolo Simoncelli e Elvio Deganello se reencontraram em Mugello (Foto: Sic58)

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Apesar do trauma, Paolo encontrou forças para voltar ao esporte e hoje comanda a Sic58 na Moto3. O fim de semana do GP da Itália, contudo, o fez revivar o lado mais triste do esporte.

“Esta etapa de Mugello foi incrivelmente triste, do primeiro passo que dei para dentro do circuito, na manhã de quarta-feira, até o último, na tarde de domingo”, disse Paolo. “Primeiro por causa das arquibancadas vazias que deram lugar ao som dos motores, das motoserras e dos motores de fumaça de alguns anos, quando o slogan era: ‘Ninguém dorme em Mugello’. Depois, pela notícia de partir o coração de Jason Dupasquier”, seguiu.

Paolo afirmou que o motociclismo sempre cobra um preço e lembrou o momento difícil que vive a família de Dupasquier, também por ter outro filho correndo.

“É difícil dizer e difícil de ouvir, mas o motociclismo às vezes cobra algo de volta, como uma taxa a ser paga. É um esporte de risco, custoso. Os pilotos sabem, todos nós sabemos, mas quando chega a hora de pagar, nós nunca estamos prontos”, comentou. “Meus pensamentos estão com a família de Jason. Conheço esse tipo de dor e sei que não há consolo. Sei que eles têm outro filho correndo. Agora, terão de encarar outra decisão difícil”, previu.

O pai de Marco lembrou que, ao longo dos últimos quase dez anos, sempre considerou que teve sorte pelo fato de o filho não ter sofrido ou ficado com lesões permanentes, mas admitiu que mudou de ideia ao reencontrar Elvio Deganello, um ex-mecânico que hoje vive em cadeira de rodas por causa de um acidente de motocross.

“Em todas as entrevistas que fiz ao longo destes anos, sempre disse que tive sorte pela forma como perdi Marco, sem sofrimento. Ele partiu fazendo o que mais amava, sem viver com dor ou sofrendo com alguma limitação depois de uma vida cheia de experiências como a que teve. Pois uma coisa é nascer em determinada condição, outra é se adaptar depois de um acidente a uma vida sem usar seus braços e pernas. Acho que seria difícil de aceitar”, ponderou Marco. “Mas aí, no sábado, eu vi Elvio, um ano depois do acidente dele, acompanhado pelo pai, Aligi Deganello, acariciando-o, os dois sorrindo”, contou.

“Apesar de tudo, Elvio ainda era o mesmo Elvio. Eles ainda têm a chance de se abraçar, de rir juntos, conversar. Estou muito feliz por eles. Vê-los mais unidos do que antes me fez pensar que… bom, talvez eu não tenha tido tanta sorte”, concluiu.

A MotoGP volta às pistas no próximo dia 6 de junho para o GP da Catalunha. Acompanhe a cobertura do GRANDE PRÊMIO sobre o Mundial de Motovelocidade.

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