Pódio coroa trajetória de Aleix Espargaró e mostra que Aprilia enfim está no rumo certo

GP da Grã-Bretanha fez justiça a um piloto que poucas vezes recebeu o reconhecimento que merece na MotoGP. Além disso, foi uma clara evidência de como a chegada de Massimo Rivola, mesmo que com tropicões aqui e ali, mudou a sorte da casa de Noale no Mundial

O GP da Grã-Bretanha de 2021 ficará marcado para sempre na história da MotoGP. Além de ver seis fábricas diferentes no top-6 pela primeira vez desde 1972, a corrida do último dia 29 em Silverstone marcou também o primeiro pódio da Aprilia na categoria criada em 2002 e serviu para coroar a trajetória de Aleix Espargaró no Mundial de Motovelocidade.

O piloto de 32 anos chegou à corrida inglesa em meio a uma desnecessária polêmica. No início do fim de semana, o irmão de Pol declarou que estava convencido de que é “um dos melhores três pilotos da MotoGP”. Em um grid que tem nomes como Marc Márquez e Valentino Rossi, com Joan Mir como campeão vigente e Fabio Quartararo em grandessíssima fase, nem todo mundo entendeu ― e/ou concordou ― com a posição de Aleix.

Aleix Espargaró deu à Aprilia o primeiro pódio na MotoGP (Foto: Aprilia)

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Antes de mais nada, estranho seria se ele se visse como um dos três piores do grid. Pilotos costumam mesmo ter uma autoestima elevada, ao menos no que diz respeito à capacidade profissional deles. E, no fim das contas, Silverstone provou que ele não está assim tão errado. Naquela corrida, ele foi o terceiro melhor entre os pilotos da MotoGP.

Mas a história de Aleix vai além. O mais velho dos irmãos de Granollers não teve lá as melhores chances na classe rainha. A estreia na MotoGP aconteceu em 2009, com a Pramac, mas em uma época em que as equipes satélites não tinham a mesma força de hoje em dia.

Depois das quatro corridas de 2009, Aleix fez a temporada completa de 2010, mas acabou voltando à MotoGP no ano seguinte. Em 2012, a nova oportunidade na classe rainha veio com a Aspar, com o regulamento CRT, criticado na época, mas que foi o ponto de partida para a competitividade atual da categoria.

A bordo de uma Aprilia ART baseada no modelo RSV4, Aleix foi o melhor entre os pilotos da categoria por dois anos seguidos, até a chegada do regulamento Aberto em 2014, que introduziu o atual sistema de concessões e o software padrão produzido pela Magneti Marelli.

Foi com esse regulamento que Aleix conseguiu um pódio. O primeiro dele. O único de um piloto correndo com o regulamento Aberto na MotoGP. A diferença é que aquele GP de Aragão foi marcado por chuva, uma corrida flag-to-flag, o que acaba por tornar as coisas mais imprevisíveis.

Só que a performance com a Forward Yamaha serviu para que Espargaró fosse escolhido pela Suzuki, que voltou à MotoGP em 2015. Por dois anos, o já experiente piloto foi peça fundamental no acelerado desenvolvimento da GSX-RR. Só que o esforço não só não foi recompensado com um pódio, como também não veio a renovação de contrato.

Com a saída de Maverick Viñales, a casa nipônica optou por uma renovação total, o que levou Aleix à Aprilia. Só que apesar de ser uma fábrica famosa, amparada por uma equipe capaz como é a Gresini, é justo dizer que Aleix passou anos arrastando corrente. A evolução de Noale deixou a desejar por anos a fio.

Maverick Viñales já começa a trajetória com a Aprilia em Aragão (Foto: Aprilia)

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Com um orçamento mínimo, a Aprilia ficou para trás na corrida de evolução, mesmo contando com as benesses previstas em regulamento para acelerar o desenvolvimento das motos. Até a KTM, que chegou depois, conseguiu tomar a dianteira, inclusive com vitória.

Além do esforço de Aleix, que praticamente jogou sozinho nesse tempo todo, já que nenhum piloto parou na Aprilia tempo o bastante para as mudanças, um ponto chave foi a chegada de Massimo Rivola. Vindo da Fórmula 1, o diretor-executivo demorou a pegar a mão, mas, uma vez que entendeu a MotoGP, reorganizou a equipe.

É bem verdade que a lambança do ano passado vai na conta do ex-Ferrari. Afinal, não tinha lá grandes motivos para esperar por Andrea Iannone, já que era para lá de improvável que o Tribunal Arbitral do Esporte o deixasse passar ileso de um caso de doping. Ainda mais com a Agência Mundial Antidoping em cena.

A espera por Iannone tirou da Aprilia a chance de ter um piloto mais forte ou mais bem preparado. Lorenzo Savadori acabou sendo um tampão. E, como não tinha experiência, o desenvolvimento da moto, mais uma vez, ficou nas mãos só de Aleix.

Mas já ouviu aquela história de que há males que vem para o bem? Tivesse a Aprilia fechado com um dos novatos no ano passado ― leia-se Marco Bezzecchi, Joe Roberts ou Fabio di Giannantonio ―, ela não teria como acolher Maverick Viñales agora.

Alguém pode até argumentar que o espanhol não está no melhor momento da carreira, mas é igualmente verdade que ele será o mais vitorioso entre os pilotos que sentaram na RS-GP desde o retorno da Aprilia à MotoGP. Além disso, a parceria com Aleix já funcionou bem antes.

Juntos, os dois conduziram os primeiros passos da Suzuki na MotoGP. E é fato notório que a GSX-RR evoluiu muito rapidamente. Assim, enfim, a casa de Noale toma um rumo certeiro em direção à competitividade na classe rainha.

Ninguém sabe o que o futuro reserva a Aprilia, mas é mais do que justo que Aleix tenha sido o primeiro a romper a barreira do pódio. Ao lado de Viñales, o pai dos pequenos Max e Mia terá não só um aliado para evoluir o protótipo italiano, mas também alguém para desafiá-lo também dentro da equipe. E a fábrica italiana tem só a ganhar com isso.

MotoGP volta a acelerar no próximo dia 12 de setembro, com o GP de Aragão, no MotorLand. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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