Caos gerado por Viñales abre inesperada segunda chance para Dovizioso na MotoGP

Andrea Dovizioso parecia sem vaga definida no grid da MotoGP em 2021. Depois, surgiu um teste na Aprilia que não vingou. Mas foi a confusão armada por Maverick Viñales na Yamaha que proporcionou o retorno do italiano de 35 anos para o grid da classe rainha do Mundial

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Durante a temporada 2020, Andrea Dovizioso já sabia que seu futuro seria longe da Ducati, equipe onde foi vice-campeão da MotoGP em três oportunidades. O destino foi incerto por muito tempo, diante de diversas especulações. Agora, enfim, o italiano tem novamente uma vaga no grid e já volta a acelerar em 2021.

Para chegar na SRT, substituindo Franco Morbidelli e correndo ao lado de Valentino Rossi nas próximas corridas, Dovizioso passou por muitas coisas nos bastidores e contou com uma grande bagunça de outro piloto do grid. O relacionamento com a Ducati acabou em 2019, após uma reunião técnica interna entre as etapas da Alemanha e da Áustria, mas que virou uma discussão entre o piloto e Gigi Dall’Igna, chefe da divisão esportiva da marca de Bolonha.

“Nós tínhamos ideias diferentes, houve um atrito e nós queríamos falar com todos os engenheiros. Começou como uma reunião técnica, mas terminou como um confronto entre nós dois. Gigi se sentiu atacado, derrotado. Naquele momento, acho que ele fechou as portas, mas fez isso em silêncio”, contou Andrea após a demissão.

Andrea Dovizioso testou com a Aprilia em 2021, mas acabou na SRT (Foto: Aprilia)

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Livre no mercado, não demorou muito para o italiano ser cobiçado por várias equipes. Primeiro, fechou as portas para a Aprilia, que procurava um companheiro para Aleix Espargaró. Depois, recebeu sondagens da Honda, que desejava alguém para ocupar a vaga do lesionado Marc Márquez por mais um tempo. No fim, sobrou a chance de testar com a Aprilia mesmo.

Ainda que os testes tenham sido importantes para desenferrujar e receber novas propostas, Dovizioso acabou sendo preterido pela montadora italiana. Inicialmente, recebeu apoio de Aleix Espargaró, que questionou a decisão de Andrea ficar longe das corridas. Depois, até mesmo o espanhol passou a alfinetar e dizer que “não foi muito competitivo até agora e não parece interessado em correr”.

Chegou, então, o caótico Maverick Viñales em cena. A notícia chegou de maneira avassaladora e mexeu com o mundo da MotoGP: insatisfeito, anunciou que sairia da Yamaha. A valiosa vaga no time de fábrica da montadora japonesa se abria nas mãos de diversos concorrentes. No fim, sobrou para Franco Morbidelli.

E aí a SRT, sem Morbidelli e Valentino Rossi para 2022, decidiu apostar em um nome experiente. Apostando no fato de ser uma equipe satélite da atual líder do Mundial de Construtores. E a estreia acontece já neste ano, na etapa de Misano, após Viñales romper de maneira imediata com fábrica de Iwata.

Andrea Dovizioso testou com pista molhada em Mugello (Foto: Aprilia)

A decisão marca o retorno oficial de Dovizioso ao grid da MotoGP após alguns meses ausente. O italiano de 35 anos deixou a categoria no fim do ano passado, após encerrar um vínculo de oito temporadas com a Ducati, que inclusive renderam três vice-campeonatos para Marc Márquez — em 2017, 2018 e 2019.

Com 229 provas na MotoGP, Andrea possui 15 vitórias, 7 poles e 62 pódios na carreira até o momento. No início do ano, chegou a fazer dois testes com a Aprilia e foi cotado para correr com a montadora italiana em 2022, mas acabou preterido por Maverick Viñales.

“Andrea Dovizioso assumirá o lugar dele ao lado de Valentino Rossi na equipe Petronas e continuará com Yamaha, com uma M1 oficial, na mesma equipe ― cujo objetivo e patrocinador serão anunciados em Misano ― também em 2022”, anunciou Lin Jarvis, chefe da Yamaha, de maneira tímida pouco antes do GP da Grã-Bretanha.

Agora resta a Dovizioso, veterano e vitorioso piloto na MotoGP, aproveitar bem essa segunda oportunidade no grid da categoria. Depois de meses parado, o ritmo vai demorar para voltar, mas o italiano tem a chance de provar que poderia estar em outra equipe, talvez alguma que o esnobou no fim de 2020.

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