Vitória de Marc Márquez anima, mas pouco muda situação ruim da Honda na MotoGP

A vitória de Marc Márquez no GP da Alemanha deu uma injeção de ânimo na Honda, mas não apaga a fase delicada vivida pela montadora japonesa nos últimos anos, mascarada por grandes atuações do piloto espanhol da moto #93

Há 11 meses, Marc Márquez brigava pela vitória no GP da Espanha, prova que abria a caótica temporada 2020 da MotoGP. Em uma disputa pela liderança com Fabio Quartararo, perdeu o controle em uma das mais rápidas curvas do circuito de Jerez, caiu e fraturou o braço. Perdeu o resto do certame em meio a uma confusão recuperação. Voltou em 2021 e algumas provas depois conseguiu subir novamente no lugar mais alto do pódio. Falando assim, parece que foi algo simples para o piloto, mas a situação está longe do ideal, especialmente com a fase da Honda.

Entre a ausência confirmada de Márquez e a vitória do hexacampeão da MotoGP, a classe rainha do Mundial disputou 20 GPs. Nesse período, a Honda conquistou dois míseros pódios, ambos com Álex Márquez no ano passado — na França e em Aragão. Muito pouco para a montadora que tinha dominado os últimos anos da categoria.

Depois de atravessar o maior jejum de vitórias desde que voltou à classe rainha do Mundial de Motovelocidade, em 1982, a montadora de Hamamatsu raramente tem conseguido se aproximar do top-3 nos treinos e corridas. Nos últimos anos, Márquez conseguiu sozinho compensar as deficiências da RC213V, mas os japoneses não pensaram em um plano B. Sem o espanhol, ou com ele fora da forma ideal, o sofrimento só aumenta. A última vitória tinha sido justamente com ele, 581 dias antes, no GP da Comunidade Valenciana de 2019.

Marc Márquez comemorou muito a primeira vitória em 581 dias (Foto: Honda)

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A situação se agrava quando pensamos em quantos pilotos passaram pela Honda nos anos seguintes e não conseguiram repetir os bons desempenhos de Marc, como Dani Pedrosa, Cal Crutchlow e Jorge Lorenzo, para citar os principais. Em outas motos, porém, o trio conseguiu resultados melhores. A chegada de Pol Espargaró para 2021 não ajudou muito e o espanhol sabe disso.

“Estamos em processo de entender nossos problemas e aí tentar compreender exatamente qual a questão. Depois, a partir daí, construir um novo chassi, um novo braço oscilante, coisas novas que chegarão em breve. Nós não precisamos construir uma moto completamente nova para melhorar os problemas que temos atualmente. O lado bom é que a Honda está há muitos anos na MotoGP, eles têm dados incríveis de todos os problemas que tiveram ao longo da história e eles têm soluções para esses problemas”, pontuou Espargaró em Sachsenring, no último fim de semana.

Como deu para notar, os problemas da Honda não são novos e nem devem terminar tão cedo. Ainda que bons resultados tenham sido vistos no teste em Barcelona e no GP da Alemanha, ainda há muito a ser feito. “No momento, não temos as circunstâncias perfeitas para dar um grande passo entre as etapas. De qualquer forma, claro, vamos tentar”, disse um resignado Alberto Puig, chefe do time, após a etapa da Catalunha.

Marc Márquez sofreu muito nas primeiras corridas da temporada 2021 (Foto: Divulgação/MotoGP)

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O mesmo Puig comentou a situação da Honda após a etapa alemã. Apesar da vitória, o dirigente fez questão de pontuar que a RC213V ainda possui muitos problemas e precisa melhorar ainda durante a temporada 2021. “Para uma companhia como a Honda, que está acostumada a vencer muitas corridas durante a vida nas corridas, esse período foi muito doloroso. Mas nós entendemos que a vida pode ser difícil às vezes e, neste momento, temos alguns problemas”, afirmou.

“Estamos trabalhando para superá-los da melhor forma que podemos, tentando resolver os problemas da RC213V. Entendemos que temos alguns pontos fracos, nós os reconhecemos. Sabermos também que Marc não está 100% em forma, mas domingo foi um dia importante, pois conseguimos a vitória. Porém, na acreditamos que nossos problemas estejam resolvidos. Vamos trabalhar para dar aos nossos pilotos, não apenas a Marc, a melhor moto possível”, completou.

A vitória em Sachsenring tirou da Honda as benesses de uma concessão para 2022. De acordo com o regulamento da Federação Internacional de Motociclismo [FIM], “quando uma fábrica não acumula pontos de concessão durante uma temporada, todos os pilotos usando as máquinas dessa fábrica vão se beneficiar de todas as concessões na temporada seguinte”. Essas vantagens incluem desenvolvimento do motor e de componentes da moto ao longo do ano.

Pol Espargaró é mais um que sofre na Honda (Foto: Repsol)

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Agora, não há mais essa ajuda para 2022. Mas a Honda precisa entender que toda montadora vai passar por altos e baixos no Mundial. A Ducati sofreu muito no início da década passada, até reencontrar-se com bons resultados, especialmente com Andrea Dovizioso, nos últimos anos. A própria Honda teve momentos de menos conquistas entre o título de Nicky Hayden, em 2006, e a chegada de Casey Stoner, em 2011.

É preciso, porém, entender o que acontece internamente. Livio Suppo, chefe da equipe até 2017, não poupou críticas à gestão atual. Reclamou que Márquez foi colocado na pista antes da hora, de maneira irresponsável, chamou a perda de Dani Pedrosa “um erro” e ainda questionou as escolhas dos pilotos.

“Desde que o Dani se aposentou, a filosofia para escolha dos pilotos não foi a melhor. Eles assinaram com o Jorge [Lorenzo] e foi um desastre, contrataram o Álex [Márquez] e antes do início da temporada ele já tinha sido jogado para a equipe satélite. E perderam o [Johann] Zarco depois de fazer duas ou três corridas boas pela LCR. Agora, com o Espargaró, com todo o respeito, ele não venceu uma prova da MotoGP na carreira. Goste ou não, a KTM venceu três vezes no ano passado e o Pol não”, opinou.

Por mais que os resultados tenham passado uma impressão, a verdade que a Honda viveu um conto de fadas por conta da genialidade de Marc Márquez. Agora é aceitar a dura realidade para resgatar os momentos de glória do passado. Mesmo que isso signifique contentar-se com migalhas conquistadas pouco a pouco no Mundial.

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