Em mercado de pilotos imprevisível e complexo, grid da F1 ainda tem 11 vagas em aberto para 2019

A McLaren encaixou, nesta segunda-feira (3), mais uma peça do quebra-cabeças do grid da F1 para 2019, ao anunciar Lando Norris no lugar de Stoffel Vandoorne. Agora, restam 11 vagas ainda em aberto em uma temporada altamente imprevisível do ponto de vista do mercado de pilotos

Ainda que a luta pelo título entre os dois tetracampeões, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, siga acirrada e polêmica, são os bastidores da F1 que vêm temperando o campeonato, sobretudo no que diz respeito ao mercado de pilotos, que se mostra particularmente complexo em 2018. A dança das cadeiras continua, e o grid ainda tem 11 vagas em aberto. Isso porque a McLaren encaixou uma peça importante ao anunciar o jovem pupilo Lando Norris para o lugar de Stoffel Vandoorne. O inglês vai fazer par com Carlos Sainz no ano que vem. Assim, a equipe britânica se une à Mercedes, à Red Bull e à Renault como times que já estão com suas duplas acertadas. 
 
A própria McLaren era alvo de, pelo menos, três pilotos: Vandoorne, que procurava a renovação, Esteban Ocon, que chegou a visitar a fábrica do time inglês, e Sergio Pérez, que ainda não se decidiu sobre a nova Force India. No fim, a esquadra chefiada por Zak Brown decidiu mesmo pela prata casa ao promover Norris. Então, o mercado agora se inflama, já que Stoffel também se junta àqueles que procuram uma chance e não são poucos.
 
Eis as equipes que ainda não completaram seu line-up: Ferrari, Haas, Toro Rosso, Force India (Racing Point), Sauber e Williams. Destas, a equipe italiana é a única que tem apenas um lugar sobrando. Afinal, ainda não decidiu se vai ou não renovar o contrato de Kimi Räikkönen, mas segue com Vettel, naturalmente.
Kimi Räikkönen, fica ou vai embora? (Foto: AFP)
FERRARI – 1 vaga
 

A Ferrari vive um dilema. Ainda na primeira fase da temporada, o então presidente Sergio Marchionne manifestou o desejo de promover Charles Leclerc para o segundo cockpit do time mais tradicional do grid. O diário ‘La Gazzetta dello Sport’ publicou que os italianos avançavam em contrato com o monegasco para 2019. Porém, tudo mudou depois da morte precoce e inesperada de Marchionne, em julho último. Os novos comandantes ferraristas – o ítalo-americano John Elkann, neto de Gianni Agnelli, e o egípcio Louis Camilleri, agora CEO – veem o cenário de forma um pouco diferente, sendo que Camilleri é amigo muito próximo de Räikkönen – o que seria um ponto favorável ao nórdico, além da preferência de Vettel. Tradicionalmente, a esquadra vermelha costuma anunciar seu futuro durante o GP da Itália, mas não foi o que aconteceu agora. E tudo pode ter mudando com os resultados da corrida em Monza. 

 
Segundo a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, o plano original era anunciar Leclerc como titular para 2019 no sábado. Contudo, a grande pole-position conquistada pelo finlandês, com direito à volta mais rápida da história da F1, frustrou os planos da equipe. No domingo, a Ferrari levou um ‘balde de água fria’ ao ver Lewis Hamilton triunfar e fazer a festa em Monza diante de milhares de tifosi. Kimi foi o segundo colocado, enquanto Vettel ficou fora do pódio depois de um toque com Hamilton ainda na primeira volta.
 
Agora, parece que a equipe italiana vai esperar um pouco mais para decidir entre a experiência de Räikkönen – que conquistou o último título pela escuderia em 2007 – ou pela juventude de Leclerc, que vem fazendo um ótimo trabalho à frente da Sauber, além ter sido o preferido de Marchionne
Charles Leclerc: um ano de F1 e já cortejado por ao menos 3 equipes (Foto: AFP)
HAAS – 2 vagas
 
A Haas ainda estuda as possibilidades que tem na mesa. A equipe norte-americana prometeu anunciar sua dupla nesta segunda fase de temporada e está olhando atentamente a movimentação do mercado. A seu favor, há a estreita parceria com a Ferrari, que a fez ter um carro competitivo e a solidez financeira. Por isso, a equipe é uma das mais cobiçadas do grupo intermediário. E, sim, Leclerc é um dos alvos do time e até pinta como favorito, se ficar fora da equipe italiana. Ocon, que vive sob a sombra de ser substituído a qualquer momento na Force India, chegou a ser cotado, assim como os dois atuais titulares, Romain Grosjean e Kevin Magnussen. Mas o jovem francês é ligado à Mercedes, então uma eventual chance é quase impossível. 
 
TORO ROSSO – 2 vagas
 
A equipe caçula da Red Bull vive uma situação curiosa. Criada para servir de porta de entrada para os jovens talentos do programa da marca austríaca, o time agora se vê com limitadíssimas opções, para se dizer o mínimo. Pierre Gasly foi promovido para o lugar de Daniel Ricciardo na irmã mais velha e deixou uma vaga em aberto. A verdade é que a equipe tem dois lugares vazios. Brendon Hartley, que foi chamado a toque de caixa ainda no ano passado, vem apresentando um desempenho apenas mediano e dificilmente será a primeira escola do time.
 
Como alternativa dentro do programa, o favorito era o inglês Dan Ticktum, da F3 Europeia. Só que, mesmo liderando o campeonato, não terá pontos o suficiente para obter a superlicença – documento exigido pela FIA para participação na F1 e que é concedido agora diante da soma de pontos de acordo com os resultados nas categorias de base. O britânico sequer foi liberado pela FIA para testar na F1 por falta de pontos na busca da superlicença. E agora, como alternativa, a Red Bull cogita em mandá-lo para a Super Fórmula japonesa.
 
Ainda há mais dois jovens nomes: Alexander Albon e Nirei Fukuzumi. O primeiro possui a superlicença e vem na terceira colocação na F2. Já o japonês não tem ainda o documento, mas é um nome interessante do ponto de vista da Honda.
 
De forma inédita, a Toro Rosso também pode recorrer ao mercado. E isso será um duro golpe para a estrutura criada pela empresa dos energéticos em formar pilotos. Nomes como o de Vandoorne e Ocon podem surgir no caminho, ainda que a cúpula descarte publicamente.

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Só que existe uma chance de uma reviravolta. Nesta última semana, Daniil Kvyat apareceu como uma possibilidade. O hoje reserva da Ferrari é uma opção surpreendente, especialmente pelo passado que tem com a Red Bull. Vindo do programa de pilotos, o russo foi piloto da equipe de Faenza em 2014, antes de subir para a Red Bull em 2015. Mas tudo deu errado em 2016: após um começo de ano turbulento, Daniil foi trocado por Max Verstappen, voltando para a equipe B, onde ficou até meados de 2017. Já no fim do ano, o Kvyat foi substituído em definitivo por Hartley.

A Toro Rosso tem poucas alternativas (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
FORCE INDIA – 2 vagas
 
A falência e a posterior aquisição da Force India pelo consórcio liderado pelo pai de Lance Stroll também devem ter grande influência na formação do grid. E isso já para essa temporada. Até antes das férias da F1, Ocon tinha o nome ligado à Renault para o lugar de Carlos Sainz. Mas aí, passado o GP da Hungria, Daniel Ricciardo surpreendeu o mundo ao assinar com os franceses, cerrando a chance do jovem gaulês. Uma semana depois, veio a confirmação de que a equipe indiana fora comprada. Os detalhes só foram revelados mais tarde, às vésperas da etapa da Bélgica. E aí os rumores sobre uma possível saída de Ocon começaram. O plano é colocar Stroll no lugar de Esteban em algum momento, já que a Williams parece padecer.
 
Assim, Ocon ficaria a pé. Piloto da Mercedes, o francês já procura alternativas, mas o mercado segue complexo e difícil. A Toro Rosso e até a Williams surgem como opção neste momento. Ou até mesmo um ano fora ou o cargo de piloto reserva na equipe alemã. 
 
Do outro lado da garagem, há Sergio Pérez. Foi por intervenção de sua empresa que a Force India entrou em administração e entende-se que o mexicano tem certa preferência para permanecer onde está. Ainda assim, Pérez negocia no mercado. O ponto de destaque é que a equipe, embora ainda não tenha anunciado nada, deve mesmo colocar Stroll em um dos carros e ter, em última análise, Pérez.
Esteban Ocon, talento que será desperdiçado? (Foto: Racing Point Force India)
SAUBER – 2 vagas
 
A Sauber recebeu neste ano um enorme investimento por meio do acordo com a Alfa Romeo e soube bem usar a grana extra, tanto que conseguiu produzir um bom carro, proporcionando a Leclerc virar algo da Ferrari. Por isso, possui duas vagas das mais interessantes.
 
E tanto é assim que Marcus Ericsson, cujo apoiadores também têm participação no time, já não se vê tão seguro assim para 2019. E há Antonio Giovinazzi como nome forte ali. O italiano é da Academia ferrarista, andou em alguns treinos livres e é visto com bons olhos pela cúpula da equipe suíça. A verdade é que a escuderia espera por uma decisão de Leclerc.
Ninguém sabe o que será da Williams (Foto: Williams)
WILLIAMS – 2 vagas
 
A Williams é a equipe em situação mais delicada. Além da perda do patrocínio da Martini para o próximo ano, também vai deixar de contar com o investimento de Lawrence Stroll, uma vez que o empresário e pai de Lance adquiriu a Force India. Com isso, terá de lidar com um novo cenário, e isso deve afetar a escolha da dupla de pilotos. Sergey Sirotkin chegou com apoio russo e deve seguir com o time. A segunda vaga é que será bastante disputada. Há Ocon na lista, pelo vínculo óbvio com a Mercedes, mas há também Artem Markelov – o russo da F2 e que também tem forte aporte financeiro. Robert Kubica continua por lá, mas aí deve partir para um novo embate de quem paga mais. 
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