Ano ruim de Albon tira Red Bull da zona de conforto e faz correr atrás de forasteiros

A paciência da Red Bull com Alex Albon acabou. Mas a equipe ainda não definiu quem vai correr ao lado de Max Verstappen em 2021 e parece decidida a deixar o programa interno de lado para priorizar alguém de fora, como Sergio Pérez ou Nico Hülkenberg

A situação é bem simples, para ser honesto: a paciência da Red Bull com Alexander Albon está no fim, isso se já não acabou. Cada vez mais distante do companheiro Max Verstappen, as cobranças começam a surgir na imprensa. A indefinição sobre o futuro do tailandês, ainda mais com pilotos talentosos disponíveis no mercado, cria uma grande dúvida nas cabeças de Christian Horner e Helmut Marko.

O fracasso de Albon em 2020 pode atrapalhar todo um projeto criado pela Red Bull há mais de uma década, o de jovens pilotos. Foi com esse programa que nomes como Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo e Max Verstappen surgiram. Mas como nem tudo são flores, bons nomes como Sébastien Buemi, Jean-Éric Vergne e António Félix da Costa foram subaproveitados, conseguindo espaço apenas em outras categorias, inclusive com títulos. O próprio Albon já foi do programa, dispensado e reintegrado um tempo depois após boa temporada na Fórmula 2.

Albon surgiu como opção em 2019 para substituir Pierre Gasly. Após um bom ano na Toro Rosso, o francês subiu para a Red Bull com a esperança de que pudesse acompanhar o ritmo de Max Verstappen e ajudar a equipe a brigar com Mercedes e Ferrari. Não aconteceu. Com pouca performance e resultados ruins, o piloto foi rapidamente trocado por pelo tailandês, que surgia bem na Fórmula 1. E a mudança parecia acertada, pelo menos no início.

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Albon se prepara, mas ainda está longe da melhor forma na pilotagem (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

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O problema é que o rebaixamento fez bem a Gasly. Desde então, conseguiu dois pódios, incluindo uma histórica vitória no GP da Itália deste ano. Albon, por outro lado, teve apenas um pódio – no GP da Toscana de 2020 – e poucos momentos de destaque. As muitas ausência no Q3 fizeram ele ficar cada vez mais distante do companheiro Verstappen e impediram que a Red Bull sequer sonhasse em encarar a Mercedes na briga pelo título de construtores.

Assim como Gasly, outro que foi promovido e rebaixado de forma meteórica foi Daniil Kvyat. Atualmente na AlphaTauri, o russo teve até um bom momento na Red Bull, mas saiu em 2016 para dar lugar a Max Verstappen. Desde então, nunca mais conseguiu emplacar uma sequência de bons resultados e deve ficar sem assento na Fórmula 1 no próximo ano.

Já Albon não deslancha, esse é a questão. Em tom de ultimato, a Red Bull cobrou um fim de semana forte. Na classificação em Portimão, foi decente: sexto lugar, apesar de meio segundo atrás de Verstappen. Na corrida, um novo fiasco com a 12ª posição. Nova chamada: é hora de dar a volta por cima. E com urgência. Isso, porém, parece bem difícil no futuro próximo. A mudança de time, feita de forma acelerada ainda em sua temporada inicial na categoria, parecer ter feito pular algumas etapas de evolução. Hoje, a sensação é de que há uma lacuna na preparação do tailandês.

Sergio Pérez ainda não tem vaga definida para a próxima temporada da Fórmula 1 (Foto: Racing Point

Com essa crise interna e sem querer apostar mais na gangorra entre seus pilotos – Pierre Gasly foi garantido na AlphaTauri em 2021 -, a Red Bull começa a olhar para fora dos muros que cercam o programa de jovens que possui.

Sergio Pérez foi dispensado da Racing Point e Nico Hülkenberg está procurando um espaço na F1. Dois pilotos experientes, que podem entregar resultados e até mesmo ajudar no desenvolvimento do carro, algo que a Red Bull não tem há anos e que acabam atrasando o time em alguns momentos.

Christian Horner, chefe da Red Bull, e Helmut Marko, já abriram o jogo: um piloto de fora pode ser a opção para 2021. O nome de Pérez é especulado há tempos, antes mesmo de ser chutado da Racing Point. A seu favor, pesa a questão financeira, já que conta com vasto apoio de empresas mexicanas. Em um momento que vai ficar sem motor, com a saída da Honda, a chegada de dinheiro para investimento interno e até mesmo desenvolvimento do próprio equipamento.

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Hülkenberg na Red Bull: por que não? (Foto: Racing Point)

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Hülkenberg tem a experiência ao seu lado, com uma década de andanças na Fórmula 1. Por mais que não tenha um pódio na carreira, e isso pesa em uma equipe que almeja voltar ao topo. Nas aparições que fez este ano pela Racing Point, substituindo Sergio Pérez e Lance Stroll – ambos com Covid-19 -, não decepcionou. Pelo contrário, mostrou que é capaz de fazer bonito quando possui um equipamento decente nas mãos. Antes do GP de Eifel, Hulk foi sondado pela Red Bull após um teste inconclusivo de Albon, mas o tailandês não foi diagnosticado com o novo coronavírus e correu normalmente.

Diante de uma situação complicada, a Red Bull precisa se decidir logo. Não vai ser fácil encontrar um novo salvador da pátria, como Vettel e Verstappen, mas a equipe não pode queimar todas as cartas que possui no programa de jovens pilotos. Bons talentos passaram despercebidos por conta da pressa no caldeirão do time, enquanto isso ótimos pilotos circulam por aí. É hora da Red Bull abrir as portas, sair da bolha e explorar o que há de bom no paddock da Fórmula 1, nem que isso signifique sacrificar mais uma promessa.

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