Ainda que a luta pelo título entre os dois tetracampeões, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, siga acirrada e polêmica, são os bastidores da F1 que vêm temperando o campeonato, sobretudo no que diz respeito ao mercado de pilotos, que se mostra particularmente complexo em 2018. A dança das cadeiras continua, e o grid ainda tem 11 vagas em aberto.
Isso porque a McLaren encaixou uma peça importante ao anunciar o jovem pupilo Lando Norris para o lugar de Stoffel Vandoorne. O inglês vai fazer par com Carlos Sainz no ano que vem. Assim, a equipe britânica se une à Mercedes, à Red Bull e à Renault como times que já estão com suas duplas acertadas.
A própria McLaren era alvo de, pelo menos, três pilotos: Vandoorne, que procurava a renovação,
Esteban Ocon, que chegou a visitar a fábrica do time inglês, e Sergio Pérez, que ainda não se decidiu sobre a nova Force India. No fim, a esquadra chefiada por Zak Brown decidiu mesmo pela prata casa ao promover Norris. Então, o mercado agora se inflama, já que Stoffel também se junta àqueles que procuram uma chance e não são poucos.
Eis as equipes que ainda não completaram seu line-up: Ferrari, Haas, Toro Rosso, Force India (Racing Point), Sauber e Williams. Destas, a equipe italiana é a única que tem apenas um lugar sobrando. Afinal, ainda não decidiu se vai ou não renovar o contrato de Kimi Räikkönen, mas segue com Vettel, naturalmente.
Kimi Räikkönen, fica ou vai embora? (Foto: AFP)
FERRARI – 1 vaga
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A Ferrari vive um dilema. Ainda na primeira fase da temporada, o então presidente Sergio Marchionne manifestou o desejo de promover Charles Leclerc para o segundo cockpit do time mais tradicional do grid. O diário ‘La Gazzetta dello Sport’ publicou que os italianos avançavam em contrato com o monegasco para 2019. Porém, tudo mudou depois da morte precoce e inesperada de Marchionne, em julho último. Os novos comandantes ferraristas – o ítalo-americano John Elkann, neto de Gianni Agnelli, e o egípcio Louis Camilleri, agora CEO – veem o cenário de forma um pouco diferente, sendo que Camilleri é amigo muito próximo de Räikkönen – o que seria um ponto favorável ao nórdico, além da preferência de Vettel. Tradicionalmente, a esquadra vermelha costuma anunciar seu futuro durante o GP da Itália, mas não foi o que aconteceu agora. E tudo pode ter mudando com os resultados da corrida em Monza.
Segundo a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, o plano original era anunciar Leclerc como titular para 2019 no sábado. Contudo, a grande pole-position conquistada pelo finlandês, com direito à volta mais rápida da história da F1, frustrou os planos da equipe. No domingo, a Ferrari levou um ‘balde de água fria’ ao ver Lewis Hamilton triunfar e fazer a festa em Monza diante de milhares de tifosi. Kimi foi o segundo colocado, enquanto Vettel ficou fora do pódio depois de um toque com Hamilton ainda na primeira volta.
Charles Leclerc: um ano de F1 e já cortejado por ao menos 3 equipes (Foto: AFP)
HAAS – 2 vagas
A Haas ainda estuda as possibilidades que tem na mesa. A equipe norte-americana prometeu anunciar sua dupla nesta segunda fase de temporada e está olhando atentamente a movimentação do mercado. A seu favor, há a estreita parceria com a Ferrari, que a fez ter um carro competitivo e a solidez financeira. Por isso, a equipe é uma das mais cobiçadas do grupo intermediário.
E, sim, Leclerc é um dos alvos do time e até pinta como favorito, se ficar fora da equipe italiana. Ocon, que vive sob a sombra de ser substituído a qualquer momento na Force India, chegou a ser cotado, assim como os dois atuais titulares, Romain Grosjean e Kevin Magnussen. Mas o jovem francês é ligado à Mercedes, então uma eventual chance é quase impossível.
TORO ROSSO – 2 vagas
A equipe caçula da Red Bull vive uma situação curiosa. Criada para servir de porta de entrada para os jovens talentos do programa da marca austríaca, o time agora se vê com limitadíssimas opções, para se dizer o mínimo. Pierre Gasly foi promovido para o lugar de Daniel Ricciardo na irmã mais velha e deixou uma vaga em aberto. A verdade é que a equipe tem dois lugares vazios. Brendon Hartley, que foi chamado a toque de caixa ainda no ano passado, vem apresentando um desempenho apenas mediano e dificilmente será a primeira escola do time.
Ainda há mais dois jovens nomes: Alexander Albon e Nirei Fukuzumi. O primeiro possui a superlicença e vem na terceira colocação na F2. Já o japonês não tem ainda o documento, mas é um nome interessante do ponto de vista da Honda.
De forma inédita, a Toro Rosso também pode recorrer ao mercado. E isso será um duro golpe para a estrutura criada pela empresa dos energéticos em formar pilotos. Nomes como o de Vandoorne e Ocon podem surgir no caminho, ainda que a cúpula descarte publicamente.
Só que existe uma chance de uma reviravolta. Nesta última semana, Daniil Kvyat apareceu como uma possibilidade. O hoje reserva da Ferrari é uma opção surpreendente, especialmente pelo passado que tem com a Red Bull. Vindo do programa de pilotos, o russo foi piloto da equipe de Faenza em 2014, antes de subir para a Red Bull em 2015. Mas tudo deu errado em 2016: após um começo de ano turbulento, Daniil foi trocado por Max Verstappen, voltando para a equipe B, onde ficou até meados de 2017. Já no fim do ano, o Kvyat foi substituído em definitivo por Hartley.
A Toro Rosso tem poucas alternativas (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
FORCE INDIA – 2 vagas
A
falência e a posterior aquisição da Force India pelo consórcio liderado pelo pai de Lance Stroll também devem ter grande influência na formação do grid. E isso já para essa temporada. Até antes das férias da F1, Ocon tinha o nome ligado à Renault para o lugar de Carlos Sainz. Mas aí, passado o GP da Hungria, Daniel Ricciardo surpreendeu o mundo ao assinar com os franceses, cerrando a chance do jovem gaulês. Uma semana depois, veio a confirmação de que a equipe indiana fora comprada. Os detalhes só foram revelados mais tarde, às vésperas da etapa da Bélgica. E aí os rumores sobre uma possível saída de Ocon começaram. O plano é colocar Stroll no lugar de Esteban em algum momento, já que a Williams parece padecer.
Assim, Ocon ficaria a pé. Piloto da Mercedes, o francês já procura alternativas, mas o mercado segue complexo e difícil. A Toro Rosso e até a Williams surgem como opção neste momento. Ou até mesmo um ano fora ou o cargo de piloto reserva na equipe alemã.
Do outro lado da garagem, há Sergio Pérez. Foi por intervenção de sua empresa que a Force India entrou em administração e entende-se que o mexicano tem certa preferência para permanecer onde está.
Ainda assim, Pérez negocia no mercado. O ponto de destaque é que a equipe, embora ainda não tenha anunciado nada, deve mesmo colocar Stroll em um dos carros e ter, em última análise, Pérez.
Esteban Ocon, talento que será desperdiçado? (Foto: Racing Point Force India)
SAUBER – 2 vagas
A Sauber recebeu neste ano um enorme investimento por meio do acordo com a Alfa Romeo e soube bem usar a grana extra, tanto que conseguiu produzir um bom carro, proporcionando a Leclerc virar algo da Ferrari. Por isso, possui duas vagas das mais interessantes.
E tanto é assim que
Marcus Ericsson, cujo apoiadores também têm participação no time,
já não se vê tão seguro assim para 2019. E há Antonio Giovinazzi como nome forte ali. O italiano é da Academia ferrarista, andou em alguns treinos livres e é visto com bons olhos pela cúpula da equipe suíça. A verdade é que a escuderia espera por uma decisão de Leclerc.
Ninguém sabe o que será da Williams (Foto: Williams)
WILLIAMS – 2 vagas
A Williams é a equipe em situação mais delicada. Além da perda do patrocínio da Martini para o próximo ano, também vai deixar de contar com o investimento de Lawrence Stroll, uma vez que o empresário e pai de Lance adquiriu a Force India. Com isso, terá de lidar com um novo cenário, e isso deve afetar a escolha da dupla de pilotos. Sergey Sirotkin chegou com apoio russo e deve seguir com o time. A segunda vaga é que será bastante disputada. Há Ocon na lista, pelo vínculo óbvio com a Mercedes, mas há também Artem Markelov – o russo da F2 e que também tem forte aporte financeiro. Robert Kubica continua por lá, mas aí deve partir para um novo embate de quem paga mais.
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