Ferrari lança SF-24 com toques em branco e amarelo e objetivo claro: desafiar Red Bull

Em busca de enfrentar a Red Bull de igual para igual em 2024, a Ferrari apresentou a SF-24 nesta terça-feira (13) na Itália. É o primeiro projeto de Frédéric Vasseur à frente de Maranello. A equipe italiana carrega enorme expectativa não só por ter sido a única a quebrar a hegemonia dos taurinos no ano passado, mas também pela notícia bombástica da chegada de Lewis Hamilton na próxima temporada

A Ferrari reservou a terça-feira (13) de Carnaval para revelar ao mundo a SF-24, o modelo com o qual pretende disputar o título mundial desta temporada na Fórmula 1. Exibindo o vermelho que a tornou famosa no mundo, a escuderia abriu alas com um carro de linhas refinadas em um design revisado em relação à máquina do último ano. Esse é o primeiro modelo sob a batuta de ‘mestre’ Frédéric Vasseur, que tenta tirar a equipe italiana de um jejum incômodo de conquistas na ‘avenida’.

Até por isso a icônica marca de Maranello não poupou em enredo neste começo de ano e, embora viva o entusiasmo em torno do novo projeto, as atenções estão divididas também com a expectativa de chegada de Lewis Hamilton em 2025.

Antes de mesmo do lançamento, a Ferrari deu um spoiler do samba que quer tocar em 2024 e antecipou a pintura dos carros ao revelar no fim de semana o macacão dos pilotos, que ganhou linhas em amarelo e branco. A SF-24 segue esse padrão.

Diferente da apresentação de anos passados, a Ferrari divulgou o carro novo por meio de um vídeo colocado no ar exatamente às 8h (de Brasília, GMT-3). A SF-24 confirmou o detalhe das linhas brancas e amarelas ao longo do chassi, uma entrada de ar modificada. Nessa parte, há uma abertura menor e mais alongada, enquanto a aleta logo abaixo ficou mais alta. A asa dianteira é visivelmente mais reta e conta com bico arredondado, tendências de 2024, ao passo que é possível notar pequena mudança na asa traseira. É possível, ainda, ver que o assoalho tem desenho diferente, embora não dê para entender totalmente o tamanho do redesenho.

O esquema das suspensões também chama a atenção, porque a Ferrari aposta em modelos distintos na dianteira e traseira: é push rod na dianteira — que apenas ela e a Haas mostraram até agora —, pull rod na traseira.

Apesar de apresentar o carro apenas com um vídeo simples, a Ferrari já coloca o carro novo na pista em Fiorano nos minutos seguintes ao lançamento.

O novo carro da Ferrari leva a assinatura de Enrico Cardile, responsável pelo chassi, Diego Tondi, chefe do setor de aerodinâmica, e Enrico Gualtieri, que comanda o departamento de motor dos italianos. Rory Byrne também participou da concepção do projeto como consultor.

“Apresentar um carro novo para o mundo pela primeira vez é sempre um momento muito animador para mim e para os pilotos, mesmo que já estejamos pensando no momento em que vamos encarar nossos rivais cara a cara na pista”, afirmou o chefe Vasseur. “Neste ano, temos de começar do ponto que terminamos em 2023, quando estávamos constantemente entre os primeiros colocados, com uma visão de melhorar sempre em todas as áreas”, comentou.

O novo carro da Ferrari para a F1 2024 (Foto: Ferrari)

“A temporada mais longa da história da Fórmula 1 nos espera, e Charles, Carlos e eu concordamos: precisamos ser mais cínicos e efetivos na maneira como gerenciamos as corridas, fazendo escolhas ousadas para conquistar os melhores resultados possíveis em cada GP”, continuou.

Cardile, o diretor-técnico do chassi, foi outro a se manifestar. “Com a SF-24, queríamos criar uma plataforma inteiramente nova e, na realidade, todas as áreas do carro foram redesenhadas, ainda que nosso ponto de partida tenha sido a direção de desenvolvimento que adotamos no ano passado e fez com que saltássemos em competitividade na parte final da temporada”, contou.

“Levamos em conta o que os pilotos nos disseram e transformamos essas ideias em realidade de engenharia, com a meta de tornar o carro mais fácil de guiar e, assim, facilitar que o carro seja levado ao limite. Não nos limitamos a nada que não fosse entregar um carro de corridas forte e honesto. Um que pode reproduzir na pista aquilo que vimos no túnel de vento”, concluiu.

Por fim, Gualtieri, o diretor-técnico dos motores, falou sobre os desafios de uma temporada de 24 corridas. “Ainda que a unidade de força seja congelada pelas regras, não significa que 2024 não apresenta desafios interessantes. Teremos mais corridas que em qualquer outra temporada, algo que exige reação mais rápida, com menos horas disponíveis para testes. Para nos preparar, revisamos todo o processo relacionado ao motor — preparação, autorização e gerência — para maximizar o desempenho. Ademais, trabalhamos muito próximos aos nossos parceiros para melhorar os procedimentos relacionados à confiabilidade”, fechou.

A nova SF-24 é esperança de títulos na escuderia (Foto: Ferrari)

Os pilotos, claro, também se manifestaram. “Gosto muito do visual do carro, inclusive das partes brancas e amarelas da carroceria”, disse Leclerc. Mas é claro que o que realmente me interessa é como será o desempenho na pista, pois isso é tudo que importa. A SF-24 deve ser menos sensível e mais fácil de guiar e para nós, pilotos, é disso que você precisa para ter um bom desempenho”, seguiu.

“Espero que o carro seja um avanço em diversas áreas. Pela impressão que tive no simulador, acho que estamos onde queremos. Nesta temporada o objetivo é estar sempre na frente e quero dar aos nossos fãs muitos motivos para comemorar”, finalizou.

“Quando vi o SF-24 pela primeira vez, mal podia esperar para guiá-lo”, declarou Sainz. “Estou ansioso para ir com ele para a pista e saber se o comportamento é o mesmo que vi no simulador. O objetivo é ter um carro melhor, capaz de manter um ritmo de corrida consistente, porque isso é o básico para brigar pela vitória.

“Nós, pilotos, fizemos o nosso melhor para dar um feedback preciso aos engenheiros e tenho certeza que todos que trabalham em Maranello ouviram nossos pedidos. Queremos dar aos fãs algo para comemorar, já que eles nos apoiaram muito no ano passado, mesmo quando as coisas não estavam indo do nosso jeito”, encerrou.

Leclerc e Sainz com o chefe Vasseur (Foto: Ferrari)

Enquanto Hamilton não aterrissa em solo italiano, a equipe mais longeva do grid deposita as esperanças em Charles Leclerc e Carlos Sainz. O primeiro desfruta da total confiança do comando da Ferrari. Tanto que, recentemente, teve o contrato renovado em um acordo plurianual. Ou seja, o desejo é ter o monegasco também para a entrada de novo regulamento, em 2026, além do objetivo de tentar o título antes disso.

Desde 2019 no time, Leclerc tem como principal característica a velocidade em volta única. É talvez o melhor classificador do grid atual. No ano passado, embora não tenha conquista vitórias, o dono do carro #16 cravou cinco poles em um campeonato amplamente dominando por Max Verstappen. Apesar do começo difícil, Charles foi capaz de impor desempenhos mais sólidos na segunda metade da temporada, quando também a Ferrari deu um salto de qualidade. O piloto fechou a disputa na quinta colocação no Mundial de Pilotos, atrás de Verstappen, Sérgio Pérez, Hamilton e Fernando Alonso.

Já Sainz entra em 2024 sabendo que está fora da Ferrari, por conta do acordo entre a escuderia e multicampeão da Mercedes. Ainda assim, deve desempenhar um papel importante, uma vez que possui uma bela leitura de corrida e entende bem como a equipe italiana funciona. Um dos pontos mais fortes é a pilotagem cerebral e sólida. Não à toa a única vitória dos ferraristas em 2023 foi conquistada por ele, em Singapura, quando rompeu a hegemonia da Red Bull.

Sobre isso, ainda é necessário dizer que a Ferrari esteve perto dos taurinos em diversos momentos da temporada, mas, ainda assim, viveu um ano de altos e baixos. Primeiro, por conta da transição de comando, quando os executivos da marca optaram pela demissão de Mattia Binotto. Vasseur assumiu em janeiro e tratou de promover uma potente reestruturação técnica na fábrica, afastando nomes como Laurent Mekies e promovendo tantos outros, como Diego Ioverno, veterano com 23 anos de diferentes funções dentro da companhia, que assumiu a direção técnica de escuderia.

A partir daí, o foco do dirigente francês se voltou para a área da engenharia e aerodinâmica. O objetivo foi trabalhar em atualizações consistentes ao longo do ano, especialmente para anular duas grandes deficiências: o ritmo de corrida e o desgaste excessivo dos pneus. Velocidade pura nunca faltou aos carros vermelhos, sendo a performance em classificação a grande arma do time. E apesar da enorme performance no GP da Itália e da estrondosa vitória em Singapura, a equipe italiana só obteve melhora significativas dos pontos fracos na parte final do campeonato.

O salto de desempenho foi tão sólido que a Ferrari foi capaz de alcançar a Mercedes, que se manteve na segunda colocação no Mundial de Construtores quase o ano todo. Para se ter uma ideia, ao fim da primeira metade da temporada, os italianos ocupavam apenas o quarto posto da tabela, 56 pontos atrás da vice-líder alemã. No fim, em Abu Dhabi, a diferença ficou em só 3 tentos, depois de uma corrida tática.

É desse ponto que a Ferrari parte em 2024, ao investir em um projeto maduro e de um melhor entendimento de seu potencial.

Fórmula 1 retorna às pistas de 21 a 23 de fevereiro, com os testes coletivos da pré-temporada no Bahrein, no circuito de Sakhir.

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Ferrari montou um vídeo especial para divulgar o novo carro na Fórmula 1 (Vídeo: Ferrari)
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