GUIA 2021: Bottas tem ano de pressão e só título garante vaga na Mercedes em 2022

Valtteri Bottas entra em seu último ano de contrato com a Mercedes e vê incertezas quanto a sua permanência na equipe alemã. Números do finlandês não ajudam, e crescimento de George Russell mina as chances de continuidade do piloto do carro #77

Em 2021, a pressão vai acompanhar Valtteri Bottas. A cada treino, classificação e corrida, o desempenho do finlandês será analisado com uma lupa. Tudo será determinante para saber se ele vai continuar em 2022 a guiar pela Mercedes. Com um contrato de 1 ano só, vindo de uma temporada fraca e vendo George Russell crescer no retrovisor, Bottas vai precisar mais do que a melhor versão de si mesmo. E o piloto já foge da pergunta acerca do futuro. Quando questionado no lançamento do novo carro, o quase tricolor W12, desconversou, admitiu estar focado para 2021, projetou grandes mudanças na equipe para 2022, frisando que entende caso perca o lugar na equipe da estrela de três pontas. De fato, tudo indica que Russell, mais cedo ou mais tarde, vai correr pela Mercedes. Por isso, Bottas se apega a tudo.

E se não for Russell, há eventualmente Esteban Ocon. Hoje, o francês defende a Alpine, mas segue sendo empresariado por Toto Wolff, o chefão dos heptacampeões. E o austríaco jamais escondeu a vontade de ver seu cliente correndo nas flechas prateadas. Ou seja, Bottas se vê encurralado e brigando com dois pilotos que são mais jovens e que são vistos com ótimos olhos pelo time da marca da estrela. Mesmo estando no carro agora, Valtteri é o grande azarão.

Também no mesmo dia em que apresentava o W12 ao mundo, Bottas chegou a afirmar que se vê com chances de título em 2021. E que se preparou mentalmente para conquistar o tão sonhado mundial, apontando a “boa cabeça” como chave para o sucesso na temporada. O piloto de 31 anos terá uma missão complicadíssima no ano: provar seu valor na equipe e convencer a Mercedes de que ele é a melhor opção – talvez tentando até reviver a mesma sensação que o levou para as garagens alemãs quatro anos atrás.

O ano de 2017 marcou a chegada do finlandês, após a saída repentina de Nico Rosberg, que assim que derrotou Hamilton e conquistou seu primeiro e único mundial, se aposentou. Depois de alguma consideração, o chefe Wolff entendeu que Valtteri era o nome ideal para a equipe.

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Nico Rosberg caiu nos braços da Mercedes depois de vencer Lewis Hamilton (Foto: Mercedes)

Ele desembarcou após um bom desempenho na Williams. Pela equipe britânica disputou 77 provas. Correu por lá entre 2012 e 2016 e conquistou nove pódios, em um período em que o time de Grove tentava se reencontrar na F1. Ainda assim, muitos se surpreenderam com a chegada de Bottas e a não promoção de algum piloto do programa de jovens da Mercedes. Mas o finlandês vinha em ascensão. E se não era excepcional, mostrava condições de ser um bom segundo piloto para Mercedes, ficando à sombra do britânico então tricampeão.

Porém, ao longo dos anos, Bottas mal conseguiu isso: o papel de coadjuvante caiu como uma luva e o protagonismo nunca veio. É importante dizer que Hamilton começava ali também a viver seu nível mais alto de pilotagem, daí os números absurdos de poles, vitórias e títulos.

Enquanto isso, em seu primeiro ano, Bottas conseguiu suas primeiras três vitórias na Fórmula 1. Além de 13 pódios, quatro poles, as primeiras de sua carreira, e duas melhores voltas. Porém, no campeonato, ficou atrás de Hamilton campeão (com 363 pontos) e de Sebastian Vettel (317 pontos), que chegou a disputar com o britânico o título. Os 317 pontos conquistados pelo finlandês ajudaram as flechas de prata na conquista de mais um mundial de construtores e mostraram uma temporada decente para um piloto que chegava à uma equipe de ponta.

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Veio 2018, e o começo da decepção. Bottas teve um segundo ano pavoroso na Mercedes e os números comprovam isso. Nenhuma vitória, apenas oito pódios, duas poles e sete melhores voltas (única estatística melhor que 2017). Na tabela de pilotos, 247 pontos lhe renderam um 5º lugar, a pior classificação de Bottas em sua passagem na Mercedes. Ficou atrás de seu companheiro, da dupla da Ferrari e de Max Verstappen. Uma temporada fraca de Bottas. Mas em 2019, as coisas pareciam mudar…

Iniciou a temporada vencendo com gala a abertura na Austrália, dando a entender que encontrara a melhor versão de si mesmo. Só que não era. Ao longo da temporada, teve apenas três vitórias, 15 pódios e cinco poles. Apesar de nunca ter ameaçado de forma consistente Hamilton, Valtteri cumpriu o objetivo e terminou o campeonato em segundo lugar com 326 pontos, 87 a menos que Lewis.

Em 2020, a temporada mostrou dois lados de Bottas. Em algumas ocasiões, o nórdico se mostrou o dono de uma direção perfeita, como por exemplo, na Rússia, onde venceu de forma incontestável. Em outros momentos, era horrendo. Sem confiança e protagonista de péssimas atuações, vide quando rodou seis vezes no GP da Turquia, e terminou em 14º, após largar na nona posição. No final das contas, conseguiu mais um vice mundial para o currículo. Mas não convenceu. Não inspirou confiança e viu seu rival na briga pelo lugar na equipe estrear na Mercedes e ir bem, largando em segundo, logo atrás do finlandês, e chegando em nono, no GP do anel externo de Sakhir. Na ocasião, o pole-position Bottas chegou apenas na oitava colocação. À frente de Russell, sim, mas sofrendo uma derrota para o britânico no contexto geral. Somou duas vitórias, apenas. 11 pódios e cinco poles. Pelas estatísticas, o segundo pior ano de Valtteri na Mercedes em muitos aspectos – superando apenas o quesito pole-positions, quando em 2017, obteve apenas 4. A verdade é que Bottas falhou em um ano que não poderia ter falhado.

A jogada óbvia para Toto Wolff e muitos que acompanham a F1 seria simples: dispensar Bottas no final do contrato, agradecendo por tudo e levando Russell ao posto. Decisão quase 100% lógica. Dar a uma promessa o carro mais cobiçado do atual grid e demitir um piloto que nunca conseguiu se firmar totalmente na equipe. Porém, a experiência e o fato de Valtteri não ameaçar Hamilton enquanto o britânico coleciona recordes, são os trunfos, mas até quando?

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George Russell brilhou no GP de Sakhir pela Mercedes (Foto: Mercedes)

Nada parece muito favorável, de fato. E se os números de triunfos não são expressivos, pode-se considerar respeitável apenas o desempenho em classificação, especialmente se levar em conta que o primeiro adversário dele é Hamilton, o homem que mais largou na frente na história da F1. É pouco.

Portanto, Valtteri vive o momento mais delicado da carreira. Se quiser continuar, o protagonismo deve ser a chave para o sucesso. Números aceitáveis não serão o suficiente. O sarrafo para o finlandês está lá no alto. E só um título mundial será capaz de convencer a Mercedes a redigir um novo contrato.

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