Intensidade das picuinhas entre Hamilton e Verstappen só tem caminho único: para cima

Com o clima já quente entre as equipes e esquentando esportivamente, dá para apostar forte que as picuinhas entre os protagonistas da F1 vão crescer

Verstappen assume liderança da F1 após vitória: assista aos melhores momentos do GP de Mônaco (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

A temporada 2021 mostra uma realidade que há tempos não aparece no Mundial de Fórmula 1: a briga de duas equipes pelo título. Mas isso você, leitor, já sabe. Assim como deve ter consciência de que Lewis Hamilton, Mercedes, Red Bull e Max Verstappen começaram a se estranhar. E o caminho dessas picuinhas que se formam é uma, apenas e tão somente: para cima. As picuinhas vão crescer e não há nada que se possa fazer para evitar que assim seja.

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Vamos fazer uma pequena recapitulação do que está acontecendo. O maior duelo não está nos pilotos, que são o foco desta análise, mas nas equipes. O desafio da Red Bull nas pistas ganhou o tempero da corrida pela produção própria de motor, com tecnologia transferida da Honda, para a temporada que vem. A Red Bull praticamente saqueou a produção da Mercedes e levou uma porção de engenheiros. Jogo justo, mas que naturalmente incomodaria os alemães. Ficou pior com as provocações de Helmut Marko, o consultor e praticamente faz-tudo do lado dos energéticos.

“O que eu sei é o seguinte: se Niki Lauda estivesse vivo, não conseguiríamos fazer isso”, afirmou ao site alemão ‘F1 Insider’. Uma clara provocação ao chefe Toto Wolff, que ficou parecendo incapaz de convencer os próprios funcionários de que deveriam permanecer no lugar onde ganham títulos para entrar numa empresa que, na letra fria da lei, é novata.

MAX VERSTAPPEN; LEWIS HAMILTON; MÔNACO; FÓRMULA 1;
Max Verstappen ao lado de Lewis Hamilton em Mônaco (Foto: Mark Thompson/Getty Images)

Os lados se mantiveram opostos, mas o campo de batalha mudou dos engenheiros para as asas flexíveis. Depois do GP da Espanha, a Mercedes começou a reverberar uma certa vantagem que a rival ganha com asas traseiras que se movem. E foi Hamilton o primeiro a dizer publicamente. “Os carros da Red Bull são muito rápidos nas retas. Eles têm essa asa flexível na parte traseira do carro e assim ganham 0s3”.

Mais tarde, pediu vigor da FIA para coibir o que faz a rival. “Serão pelo menos seis décimos lá [em Baku, no Azerbaijão]. Nós precisamos manter a pressão na FIA para fazer um controle melhor das coisas.”

A Red Bull, claro, retrucou. “Toto Wolff disse isso a Lewis para definir o tom. Mas estamos tranquilos. Passamos em todos os testes anteriores e vamos continuar passando nos próximos. Isso mostra o quão sério a Mercedes encara o nosso trabalho. Se voltarmos para o lado psicológico, esperaria um pouco mais de nível do lado de lá”, falou Marko. “É algo que Toto falou para mim anteriormente. Duvido que tenha sido a opinião de Lewis. Provavelmente, veio de outro lugar”, conferiu o chefe Christian Horner.

Horner falaria mais sobre o assunto antes da classificação do GP de Mônaco. Ali, jogou mais pesado com Wolff, defendeu veementemente a legalidade da asa da Red Bull e, pela primeira vez, colocou Hamilton de verdade na roda.

“Todo mundo projeta e constrói o carro pensando nas regras: e o carro passa nos testes da FIA, mas agora está sob avaliações detalhadas. É o fator determinante [que já foi aprovado]. Creio que há também o desejo de fazer barulho. Sabemos que outras equipes têm os mesmos problemas que nós, e estão focando num único componente do carro. Acredito que se as câmeras focassem de outra maneira em nossos rivais, a mesma discussão estaria sendo aplicada para eles”, afirmou.

Ao ver uma imagem da asa da Mercedes fazendo movimento semelhante, inflou-se ainda mais. “Dá para ver o movimento do contorno da asa dianteira e o flap: começa a desaparecer da imagem e, depois, aparece novamente. Qual é a diferença entre isso e nossa traseira?”, questionou. “Teremos de fazer mudanças nos próximos testes que tentaremos, o que custa tempo e dinheiro. E não seremos os únicos a fazer. É provavelmente um fardo maior para a Alfa Romeo e outras equipes. Mas é um aspecto do carro”, seguiu. E alfinetou: “Toto está mais focado em nossa asa traseira que no ano que vem deles. Não sei o que acontece no negócio dele, mas Toto sabe o que está acontecendo nos negócios de todo mundo.”

“Lewis ama essas bobagens, deixa ele. Max faz a parte dele, cuida só dele. O fato de Lewis fazer isso mostra que Max está entrando na cabeça dele. É ótimo, faz parte do esporte”, finalizou.

Ainda sobre a asa, apenas para arredondar e não encher de dúvidas o leitor que está acompanhando a linha do tempo da história, a Mercedes ameaça protestar oficialmente junto à FIA no Azerbaijão, mas a Red Bull aponta para o fato de que ao menos outras três equipes – Ferrari, Alpine e Alfa Romeo – também usam para duvidar e indagar se Wolff quer um escândalo em suas mãos. A FIA, por sua vez, fala em regularizar tudo até o fim de junho, demora no mínimo estranha. Resta aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Voltemos à última frase de Horner, sobre Verstappen entrar na cabeça de Hamilton. O heptacampeão se sentiu obrigado a responder. “Eu não estou fazendo jogos mentais. É interessante o que o Christian [Horner] traz à tona, mas eu não poderia me importar menos. É apenas uma criancice quando você entra em uma guerra de palavras”, afirmou.

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Apesar de se manter fora da guerra das asas, Verstappen também estoca o rival. “Hamilton também nunca teve de lutar por um título nos últimos anos. Com Sebastian Vettel não foi realmente uma luta pelo título”, falou.

Os ânimos entre Mercedes e Red Bull é quente e já virou conflito declaratório, embora seja uma espécie de paz armada até agora – algo que terminará no momento que Toto Wolff oficializar algum protesto. Mas o ambiente, é evidente, afeta seus principais pilotos e sua batalha. Conforme o campeonato avançar e a briga intensificar e ganhar mais contornos definitivos que de começo de temporada, como ainda é neste mês de maio, a tensão entre as equipes vai potencializar desentendimentos.

Entre os dois, diretamente, são apenas pequenas estocadas. Quando se encontram na pista, sobretudo em treinos livres, é visível que se bloqueiam, atrapalham um ao outro levemente, sem gravidade ou perigo, mas numa briga também mental e de egos. Os dois também reclamam, sempre que possível, um do outro. Tentativa de pressão para público, FIA, quem for.

Ainda não vai além disso, é leve, tranquilo e esportivo. Mas vai aumentar. Não há outra direção que não seja o crescimento dos desentendimentos, a não ser que uma das duas equipes dispare. É algo que não parece provável. Com os dois em pé de igualdade, eles vão se desentender tanto nas pistas quanto publicamente. Pode anotar, leitor. Vai ter drama.

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