Hamilton se mostra quietão e ciente de favoritismo da Red Bull no GP de São Paulo

Lewis Hamilton sabe que Max Verstappen é o grande favorito neste fim de semana em Interlagos, mas o heptacampeão busca motivação no ídolo de sempre: Ayrton Senna

FÓRMULA 1 EM SP: VERSTAPPEN SEM CONSELHOS DE PIQUET | Paddock GP #267

Lewis Hamilton desembarcou nesta semana em São Paulo dias depois do duro revés sofrido no GP da Cidade do México. A nova derrota para Max Verstappen foi tão sentida a ponto de o heptacampeão ressaltar que seu esforço não tem sido suficiente para competir com o rival holandês. Talvez por perceber que o oitavo título está cada vez mais distante, Lewis se mostrou mais calado e deu respostas relativamente curtas na entrevista coletiva oficial da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) nesta quinta-feira (11) gelada e chuvosa em Interlagos.

Hamilton seria o último a falar, mas o cronograma das coletivas do dia foi alterado em razão do atraso de Valtteri Bottas. Assim, o piloto da Mercedes foi escalado ao lado do bicampeão do mundo e primeiro rival na F1, Fernando Alonso, para abrir a longa programação das entrevistas, iniciada às 12h30 (horário de Brasília).

Para quem esperava farpas e jogos mentais de Hamilton em relação ao seu grande adversário neste ano, o cenário foi bem diferente. Resignado com as chances da Mercedes de confrontar a equipe taurina em São Paulo, Lewis foi sincero.

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LEWIS HAMILTON; GP DE SÃO PAULO; INTERLAGOS;
Lewis Hamilton e o layout do capacete para o GP de São Paulo (Foto: Mercedes)

“Definitivamente vamos nos esforçar mais neste fim de semana para tirar mais do carro. Na última vez aqui, eles foram muito fortes. Esperamos mais uma vez que será muito difícil de vencer neste fim de semana”, disse.

Sobre a polêmica do fim de semana passado no Hermanos Rodríguez, quando Toto Wolff e o próprio Hamilton reclamaram da postura de Valtteri Bottas na largada, dando chances para Verstappen fazer a ultrapassagem sobre os dois, por fora, antes da curva 1 para vencer a corrida, o britânico tentou colocar panos quentes, mas ao mesmo tempo indicou que ainda não digeriu bem o que aconteceu no México.

“É um esporte de equipe. É o jeito que o esporte. Não me importo muito. É claro que gostaria de fazer as coisas sozinho, mas com uma Red Bull à frente e outra atrás, a estratégia pode ir contra você, então temos de trabalhar como um time, por isso temos dois carros”, lembrou o piloto.

Hamilton sabe que a Mercedes está em baixa e que não há outra alternativa para seguir na luta pelo título contra Verstappen. Com 19 pontos de desvantagem para o holandês, só há uma opção. Ou seria obrigação?

“Toda corrida devemos vencer. Temos a obrigação de vencer desde que voltamos das férias, mas não conseguimos fazer isso até aqui”, comentou. De fato, Hamilton só triunfou em uma corrida neste segundo semestre, e em uma prova que não venceria se não fosse toda a reviravolta nas voltas finais do GP da Rússia, o que tirou um triunfo certo e merecido que parecia encaminhado para Lando Norris.

Naturalmente, Hamilton foi perguntado sobre a possível troca do motor de combustão interna, cenário que o faria perder cinco posições no grid de largada da prova de domingo em Interlagos. O piloto se esquivou e não quis confirmar nada, mas também não negou. “Eu não posso comentar sobre isso, nem sei se o motor chegou aqui nesta manhã. Até onde sei, meu motor está bem, mas vou descobrir isso junto do time de engenharia”.

O tom cabisbaixo deu lugar a uma fala mais animada, quase de devoção, ao lendário Valentino Rossi, que neste fim de semana, em Valência, vai fazer a última corrida de uma gloriosa e laureada carreira.

“É triste vê-lo se aposentar, mas o profissionalismo e a abordagem dele para a carreira são incríveis: 700 corridas! A paixão que tem há muito tempo sempre foi clara. É uma lenda tão grande, um dos melhores da história. É triste não poder ver a última corrida dele e o estilo de pilotagem que sempre teve”, lastimou o heptacampeão, que já fez até um crossover ao pilotar a moto de Rossi, enquanto o ‘Doutor’ teve a chance de guiar seu carro campeão na Mercedes em 2019.

“Ao mesmo tempo, é um momento lindo para ele, porque ele tem a família e pode escolher o que vai fazer. Fico feliz por ter tido o privilégio de ter dividido um dia especial com ele na pista”, concluiu.

Em termos práticos, o que pode deixar Hamilton mais animado e otimista na sequência do fim de semana em São Paulo é o que vem dos céus, ou como diria alguém, o que vem da represa. A chuva deu as caras em Interlagos durante toda a tarde e trouxe um frio surpreendente para um mês de outubro. Para a sexta-feira de treino livre 1 e da sessão classificatória, a previsão é de temperatura ambiente máxima em 17ºC.

O W12 é um carro que anda melhor no frio e, em tais condições, Hamilton ainda poderia ter alguma chance, mas a mesma meteorologia aponta uma elevação na temperatura, com previsão de até 25ºC no dia do GP de São Paulo.

Mas há outra motivação para Hamilton, muito mais forte e sentimental. Acelerar em Interlagos, no mesmo circuito onde o grande ídolo alcançou duas das maiores glórias nas pistas é algo que serve de enorme impulso diante da sua luta por título. Algo que Lewis compartilhou em emocionante postagem nesta tarde.

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“Minha grande inspiração. Pela forma como ele correu, pela sua paixão pela vida e pelo esporte. Porém, mais do que isso, é a maneira como ele enfrentou sozinho um sistema que nem sempre lhe foi afável. O legado de Ayrton Senna está vivo para sempre, especialmente neste fim de semana vibrante”, escreveu o dono de sete títulos mundiais.

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Os bastidores dos testes de Covid em Interlagos (Vídeo: Fernando Silva/GRANDE PRÊMIO)
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