Promissor RB16 da Red Bull carece apenas de ajuste fino para encarar Mercedes

A Red Bull é o segundo melhor carro do grid, e isso ficou bem claro na classificação e na corrida na Áustria. Mas o RB16 foi concebido com o objetivo de encarar de frente a Mercedes, e isso ainda não aconteceu. O modelo, embora tenha enorme potencial, carece de equilíbrio e confiabilidade

Quando a Fórmula 1 chegou à Áustria, após quatro meses de espera, havia uma natural expectativa de que a Red Bull surgiria como a principal ameaça à Mercedes. Essa percepção foi criada ainda na pré-temporada, lá em fevereiro, quando Max Verstappen começou a exibir um pouco do potencial do RB16. O holandês usou o último dia de testes para impor um ritmo bem mais forte e veloz. Mas, danada que só ela, a equipe taurina não se permitiu liderar a sessão. Não quis mostrar as armas tão cedo. Só que aí a temporada acabou paralisada devido à pandemia e somente agora a F1 foi capaz voltar. E o GP austríaco tentou entender mais a hierarquia de forças do grid. Quer dizer, a Mercedes segue como o time a ser batido, enquanto os energéticos precisam acrescentar um pouco mais de guaraná a essa mistura para tentar reduzir essa diferença para a rival.

O primeiro sinal de que o carro rubro-taurino não era tão impressionante como se achava surgiu na sexta-feira de treinos livres. Tanto Verstappen quanto Alex Albon sofreram para manter o modelo na pista. Os dois rodaram mais de uma vez e se queixaram que o RB16 saía muito de traseira. De fato, ambos os pilotos tiveram problemas nas curvas mais lentas do ardiloso circuito que leva o nome da equipe. O carro parecia, de fato, nervoso. Verstappen chegou a parar na brita e teve uma asa quebrada. Daí, o dia acabou com uma imagem de decepção, uma vez que a Red Bull ficou bem longe dos adversários hexacampeões.

Max Verstappen foi capaz de colocar a Red Bull na terceira posição do grid (Foto: AFP)

Já no sábado, o time foi capaz de mudar a configuração do carro e conseguiu um acerto menos agressivo e um pouco mais eficiente nas curvas de baixa velocidade, onde ambos os pilotos enfrentaram dificuldades nos treinos anteriores. A prova veio na classificação. Embora o RB16 tenha sido rápido o suficiente para colocar Verstappen na segunda fila, a diferença para os carros pretos foi gritante. Pole, Valtteri Bottas cravou 1min02s939 – novo recorde do circuito. Max virou 1min03s477 em sua melhor volta no Q3, 0s538 mais lento que o finlandês. De fato, tomar mais de meio segundo é algo que desanima bem. A chance foi trabalhar com a estratégia. O holandês foi o único a decidir pelos pneus amarelos médios – pareceu pouco diante do que a Mercedes havia feito, mas a corrida contou uma história distinta.

A verdade é que, no domingo, a tática de largar com pneus mais duros na comparação ao dos concorrentes diretos pareceu inicialmente acertada, uma vez que Verstappen não permitiu que Bottas escapasse na frente. Cenário promissor, portanto. Mas durou pouco. O carro de Max apresentou uma falha técnica e precisou abandonar. Sem o holandês, a Red Bull se concentrou em Albon, que imprimia um ritmo decente.

E aí os austríacos tiveram a chance de lançar mão de uma de suas principais armas em corrida: reação rápida e quase sempre certeira em termos de estratégia quando a prova muda por safety-car ou incidentes. A esquadra decidiu colocar pneus vermelhos macios no carro do anglo-tailandês na parte final, depois da segunda intervenção do carro de segurança. A partir daí, Alex foi para cima e chegou em Lewis Hamilton, então segundo colocado. Os dois se tocaram, mas a situação ficou pior para Albon, que caiu para 13º. Ainda pior para os tetracampeões, que concluíram a corrida de casa sem nenhum ponto.

Ainda assim, é possível classificar a performance taurina como promissora. Foram os caras que andaram mais perto da Mercedes, de fato. Mas há o que trabalhar. A confiabilidade é uma questão, assim como o acerto geral. “Nós temos um carro muito, muito bom no RB16. Foi encorajador o que aconteceu na corrida. Mas precisamos resolver alguns problemas de equilíbrio que tivemos na classificação e voltar mais fortes”, disse Christian Horner, o chefão dos energéticos.

“Acredito que o potencial existe para enfrentar a Mercedes. Talvez não durante uma única volta, mas acho que, ao longo da temporada – e como o nosso ritmo de corrida pareceu bastante decente com Max e Alex –, temos a base de um bom carro, só precisamos desenvolvê-lo efetivamente”, completou.

A Red Bull também optou por diferentes configurações da parte dianteira nos carros de Verstappen e Albon na Áustria. Enquanto Max ganhou a versão mais atualizada, Alex ficou com o acerto padrão. Apesar da inovação, ainda não houve, por parte da equipe, uma conclusão definitiva. Tanto que os dois pilotos vão correr com o mesmo acerto neste fim de semana, durante o GP da Estíria. “A diferença de especificações foi mais uma característica do que um desempenho decisivo”, admitiu Horner.

Ninguém questiona a capacidade de evolução da Red Bull. E neste momento, parece que o RB16 precisa apenas de um ajuste fino, mais delicado, para atingir seu objetivo de enfrentar de vez a Mercedes. Só que tem de ser rápido.

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