F1

Retrospectiva 2018: Segredos mal guardados, doses de suspense e surpresa: a frenética dança das cadeiras

A F1 vai muito diferente em relação a 2018 para a próxima temporada: são mudanças e mais mudanças no grid, envolvendo nomes grandes e jovens talentosos, em sua maioria. Como foi o caminho para cada alteração? Por que cada piloto/equipe apostou nessas novidades?

Warm Up / FELIPE NORONHA, de São Paulo / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
A temporada 2018 da F1 não vai se reconhecer no próximo ano. Claro, se o clichê diz que em time que está ganhando não se mexe, a Mercedes e a Haas levaram a premissa ao pé da letra e mantiveram suas duplas inalteradas. Foram as únicas. As demais oito equipes optaram por cara novas e nem tão novas para a temporada que vem por aí.

Cada movimento do grid tomou seu tempo e foi feito de forma diferente - surpresas aconteceram (e a maior mudança se inclui neste quesito), e outras estavam desenhadas há tempos, por mais que a F1 exija que o mistério se sobreponha a confirmações rápidas.

A principal mudança tem uma das equipes do trio de frente envolvida - mas em termos de saída: Daniel Ricciardo deixa a Red Bull para levar seu talento para uma, hoje, menor Renault, mas com o plano de ser a personagem principal numa reconstrução que promete título em poucos anos. 
Daniel Ricciardo vai defender a Renault em 2019 (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
O australiano nunca escondeu que foi uma decisão difícil, e baseada na vontade de se aventurar e criar um novo capítulo para sua carreira - vitorioso, de preferência, mas de qualquer forma marcante. Se pensou por muito tempo em assinar com uma das grandes, optou por ser o grande nome em uma nem tão assim. Vai dar certo? Para Pierre Gasly, aliás, deu - já que o francês é quem sobe para a esquadra das bebidas energéticas.

Outro que vai seguir sua história em um time menor em relação ao qual estava é Kimi Räikkönen. Na mudança, talvez, mais curiosa de todo o ano, o finlandês se recusou a abandonar a F1 e assinou com a Sauber após anos e anos distante dos suíços.

Se não vai mais brigar por vitórias, servirá como alguém que pode ajudar a esquadra a dar mais um passo após um 2018 de evolução. Interessante movimento de uma equipe que também fechou com um jovem, Antonio Giovinazzi.

Räikkönen também abre espaço para Charles Leclerc aparecer, enfim, na Ferrari. Foram meses de "vai, não vai" - mas o óbvio aconteceu e sim, o monegasco estará ao lado de Sebastian Vettel no próximo ano. Caminho natural para um dos jovens mais talentosos do automobilismo mundial - agora, só precisa convencer Vettel de que é o parceiro ideal para que a Ferrari rume às vitórias.

Entre as mudanças que há tempos pareciam chegar, entram os novatos no grid em 2019. Vindos da F2, George Russell, Lando Norris e Alexander Albon vão ocupar espaços que estavam guardados para nomes deste nível de talento. 
Lando Norris (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Russell foi a aposta da Mercedes, com a qual tem contrato, para ocupar a vaga em aberto na Williams - a consequência? Esteban Ocon sobrou. Norris viu a McLaren optar pelo que seu contrato dizia: ou ele ia para a F1, ou ele deixava o progama da equipe. E Albon pegou o lugar derradeiro no grid, na Toro Rosso, onde já pinta como o melhor nome da dupla - já que o outro é o de Daniil Kvyat (e, por mais que seu nome tenha sido anunciado há bons meses, ainda é difícil entender por qual motivo a equipe B da Red Bull o escolheu).

Por fim, os nomes envolvidos em polêmica, o que nos leva ao próximo assunto: o que esperar de 2019?

Diante do cenário de tantas mudanças no grid, é correto dizer que a temporada 2019 já desenha interessantíssima. Com num grid rejuvenescido e alguns nomes de grande talento em equipes de ponta, como é o caso de Leclerc, a ponta da tabela já ganha a atenção. É claro que, dificilmente, vai haver alguma alteração na hierarquia de forças no campeonato que vem. Ou seja, a disputa do título deve, novamente, se resumir a Lewis Hamilton e a Sebastian Vettel. Só que a Ferrari decidiu lançar os dados e parece ter feito uma inteligente aposta no monegasco de 21 anos, que provou em 2018 ter condições de encarar o caldeirão que é Maranello. Sem dúvida, Charles vai precisar de tempo de adaptação, mas é alguém que poderá fazer mais pela briga do campeonato.
 
Já a Red Bull, terceira força da F1, ainda é uma incógnita. É claro que os touros colocam todo o foco em Max Verstappen e tomaram uma decisão natural de promover o ótimo Pierre Gasly. Mas tudo ainda depende da Honda – a partir do ano que vem, os energéticos passaram a ser empurrados pelo ainda instável motor japonês, então há um enorme ponto de interrogação aí sobre o que realmente pode acontecer com o time. Quem aparece como forte candidata a, eventualmente ocupar a vaga deixada no top-3 é a Renault.
 
A equipe de fábrica da montadora francesa trouxe Daniel Ricciardo para liderar o time e possui recursos para dar um passo adiante. Aliás, a dupla Ricciardo/Nico Hülkenberg já pode ser considerada uma das mais fortes do grid. A Haas vem no embalo. Embora a excelente equipe americana tenha teimado em seguir com os irregulares Romain Grosjean e Kevin Magnussen, há uma chance de surpreender novamente, especialmente por conta da certeira parceria técnica com a Ferrari. Mesmo situação dessa reinventada Sauber.
 
Os suíços apresentaram uma grande evolução neste ano, pautados na combinação: Leclerc/Frédéric Vasseur/Alfa Romeo-Ferrari. E a prova de que o time deseja seguir neste caminho é a contratação de Kimi Räikkönen, que deve emprestar sua experiência e tocada firme para levar a equipe além. 
Robert Kubica está de volta à F1 (Foto: Reprodução/Twitter)
Também em posição de ‘tiro no escuro’ estão Racing Point, Toro Rosso, McLaren e Williams. Lance Stroll contou com a ajuda do pai para ter vaga na equipe que se formou a partir da dissolução da Force India. O canadense viveu uma temporada complicada na Williams e pouco evoluiu. Agora, ainda que pese o fato de guiar em família, terá um osso duro de roer pela frente. Sergio Pérez não teve saída a ser não seguir no time e não será nada fácil enfrentá-lo no próximo ano. Ainda assim, a nova equipe ainda está cercada de dúvidas sobre o potencial desempenho com as alterações feitas na parte técnica. 

A Toro Rosso foi outra que também teve uma questionável decisão ao trazer de volta Daniil Kvyat. Um rara terceira chance na F1. Só o tempo dirá se fez bem. Por outro lado, volta às origens ao promover a chegada de um novo talento. Os resultados, claro, vão depender também do quão bom será o carro e o motor Honda. Depois de um ano sofrível, a McLaren vem também renovada. Sai a experiência e o talento extremo de Fernando Alonso entra a juventude de Carlos Sainz e Lando Norris. Sem dúvida, há um longo caminho pela frente para os ingleses, e a temporada que vem não será fácil, especialmente se o time errar a mão do carro novamente. 
 
Por fim, a esquadra de Grove. Após optar pela grana russa e canadense e somar apenas sete pontos, a Williams, enfim, toma uma atitude para tentar sair do buraco em que se meteu. A esquadra decidiu dar lugar ao campeão da F2, o rápido George Russell, e ainda terá a experiência e a gana de Robert Kubica. É claro que só os dois não devem dar conta do que a equipe precisa, mas já é um bom começo para voltar a brilhar na parte de cima da tabela.

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