Fórmula E vive ‘dança das cadeiras’ e vê mudanças de rumo às vésperas da Era Gen3
Na segunda parte da análise sobre como vai se formando a próxima temporada da Fórmula E, abordamos o movimentado mercado de pilotos, que pega fogo enquanto a decisão pelo título de 2022 ainda se desenrola
A Fórmula E promete ser bem diferente em 2023. A primeira — e mais esperada — mudança, é claro, são os carros Gen3: mais modernos e velozes em comparação aos atuais, prometem um ritmo nunca visto na história da categoria. No entanto, a modificação das regras para o ano que vem embaralhou as cartas. Novas equipes sentiram a possibilidade de entrarem no jogo, e as peças começam a ser mexidas já no primeiro semestre de 2022.
Essa é a segunda parte de uma análise sobre as profundas mudanças no grid da Fórmula E para a temporada 2022/2023. Este texto aborda as negociações em andamento — e as já fechadas — no movimentado mercado de pilotos da categoria.
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Em uma temporada que vai ser marcada por mudanças, os pilotos da Fórmula E buscam se posicionar na melhor equipe possível para que estejam prontos para brigar lá em cima quando a disputa começar. E é claro que nem todos os times vão chegar com desempenhos fortes na estreia dos carros Gen3, o que torna fundamental entender quais escuderias estarão mais preparadas para uma nova evolução tecnológica na categoria.
Dentro deste cenário, três equipes que não estão disputando a Fórmula E atualmente estarão presentes no grid do ano que vem — a Maserati vai assumir as operações da Venturi, a McLaren comprou a participação da Mercedes e a Abt vai retornar, pela primeira vez sem a parceria consagrada com a Audi.
Duas delas permanecem como incógnitas: a Maserati mantém suas negociações a sete chaves e ainda não divulga detalhes sobre qual pode ser sua dupla titular no ano que vem, o que causa dúvidas à continuidade de Edoardo Mortara e Lucas Di Grassi no grid. O brasileiro não deve permanecer na equipe para o ano que vem e busca um novo assento dentro da categoria, em negociações que ainda não chegaram a uma conclusão.
A McLaren, por sua vez, tem a dupla de pilotos da Mercedes para lidar — embora os últimos movimentos não indiquem um entrave neste sentido. Stoffel Vandoorne, por exemplo, já decidiu seu futuro e se juntará à DS Penske — que será mais comentada ao longo deste texto. Assim, o time de Zak Brown foi atrás de René Rast, que fez parte do grid até 2021 e vai retornar pela equipe laranja no ano que vem.

Em relação ao outro lado da garagem, Nyck de Vries ainda não sabe como será seu futuro. O neerlandês sonha com uma vaga na F1 ao mesmo tempo em que quer competir no WEC do ano que vem pela Toyota. Assim, o atual campeão ainda não possui participação assegurada na FE em 2023 e a escuderia de Woking ainda busca um segundo nome para fechar a dupla.
Por fim, a Abt. Campeã da Fórmula E em 2016-2017 em parceria com a Audi, a equipe alemã foi atrás de Robin Frijns e levou o neerlandês da Envision — que agiu rápido e tirou Sébastien Buemi da Nissan para fazer dupla com o já confirmado Nick Cassidy. Em relação ao companheiro de Frijns, Nico Müller surge como o nome mais próximo de fechar com a equipe, embora a relação com o brasileiro Lucas Di Grassi — que levou o carro da Audi ao título em 2017 — possa pesar.
Dono da Maserati, o Grupo Stellantis não está para brincadeira na Fórmula E. Além da nova equipe, o conglomerado vai manter a DS na categoria para o ano que vem — mas agora em uma nova parceria. Após três temporadas fornecendo o trem de força da Techeetah, a divisão francesa entrou em acordo com a Penske — que visava se tornar equipe cliente — e vai passar a ser DS Penske na próxima temporada.
E a equipe já se mexeu rápido para garantir uma dupla de pilotos forte para o ano que vem: além de Vandoorne, Jean-Èric Vergne — bicampeão da categoria — vai deixar a atual DS Techeetah para se juntar ao novo time. Por outro lado, Sérgio Sette Câmara e Antonio Giovinazzi — dupla atual da Dragon/Penske — ficaram a ver navios. O brasileiro ainda se coloca em uma situação melhor, já que possui mercado interno forte — segue em negociações para ficar no grid — e é visto como um nome promissor, enquanto o italiano simplesmente não se adaptou à categoria.

A Nissan, que perdeu Buemi para a Envision, já revelou por meio de seu chefe, Tommaso Volpe, que vai em busca de “um nome experiente” para a equipe em 2023. Atual titular do time, Maximilian Günther não teve sua continuidade oficializada, mas é visto com potencial internamente e a tendência é que faça ao menos mais um ano pela equipe na próxima temporada.
Afundada em problemas financeiros desde a sequência de seis corridas da Fórmula E em Berlim devido à pandemia, a Techeetah ainda tem um futuro incerto. A equipe já havia liberado seus pilotos para procurarem outras equipes antes do início da atual temporada, mas ambos encontraram portas fechadas em um grid já definido.
Para o ano que vem, o time já sabe que vai perder seus dois pilotos: Vergne vai se juntar a Vandoorne na DS Penske, enquanto António Félix da Costa está em negociações com a Porsche, equipe pela qual faria dupla com o alemão Pascal Wehrlein. Essa movimentação afeta diretamente André Lotterer, que não possui futuro assegurado na categoria — apesar de estar à frente do companheiro na classificação por oito pontos.
Apesar da perda de dois campeões, a Techeetah deve apresentar em breve um novo investidor para a equipe, única forma de manter a escuderia no grid de 2023 em diante. No entanto, o time já esteve próximo de um acordo em outros momentos, como quando conversou com Anthony Di Iorio, empresário do ramo de blockchain — e o acordo naufragou. Assim, os assentos ainda são uma incógnita para o ano que vem.

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Por fim, nem tudo vai mudar no grid da Fórmula E para 2023. Em meio a tantas movimentações no mercado de pilotos, quatro equipes ‘passaram batidas’ até agora e visam a manutenção de suas duplas para a próxima temporada: Andretti, com Jake Dennis e Oliver Askew; Jaguar, com Sam Bird e Mitch Evans; Mahindra, com Alexander Sims e Oliver Rowland; e NIO, com Oliver Turvey e Dan Ticktum.
Assim, uma verdadeira dança das cadeiras acontece na Fórmula E em preparação ao ano que vem, já que os pilotos ainda buscam a melhor oportunidade para brigar pelo título em uma temporada que vai apresentar desafios diferentes a todos eles. Quem se adaptar melhor, sai na frente.
E o desespero por arrumar uma vaga ainda na metade de 2022 tem uma explicação simples: a mudança completa do regulamento e as novidades que serão trazidas pelos carros Gen3 vão começar a ser testadas pelos times já a partir deste mês — inclusive com a possibilidade de retorno dos pit-stops à categoria —, após o eP de Jacarta. Desta forma, a correria é frenética entre os pilotos por um bom carro, já que a escolha feita agora pode ser fundamental na hora de levantar a taça no final da temporada que vem.
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