Com Yamaha instável, destino de Quartararo é perder disputa pelo título da MotoGP

Abandonos, problemas com os motores, punições e azares tornam a temporada 2020 da Yamaha cada vez mais complicada. Com apenas duas corridas para o encerramento do campeonato, Fabio Quartararo parece cada vez mais fadado a perder o título

O fim de semana do GP da Europa da Yamaha foi digno de um filme de terror dos mais assustadores. Problemas, punições, quedas e quebras deixaram a casa de Iwata com um gosto amargo na boca e anunciaram uma sentença quase que certa para Fabio Quartararo: o adeus ao título da temporada 2020 da MotoGP.

Tudo começou ainda na quinta-feira, quando a equipe nipônica foi punida por desrespeitar o regulamento e perdeu 50 pontos no Mundial de Construtores. Passou por um problema no propulsor de Maverick Viñales na sexta-feira, que teve de largar do pit-lane, cinco funcionários isolados pela Covid-19, queda do francês da SRT ainda nas primeiras voltas da corrida e abandono de Valentino Rossi por questões mecânicas.

Com a soma de todas as questões e ainda um ritmo que deixou a desejar, o melhor colocado na disputa no circuito Ricardo Tormo foi Franco Morbidelli, que cruzou a linha de chegada na 11ª colocação. O resultado foi o pior da Yamaha desde o GP da Comunidade Valenciana de 2007, última vez que falhou em colocar um piloto dentro do top-10 final.

Quartararo está cada vez mais distante do título de 2020 da MotoGP (Foto: SRT)

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A campanha de Quartararo começou em alta. Emendou duas vitórias em Jerez de la Frontera e logo foi apontado como o grande favorito ao título. Mas apesar de ser o piloto que mais triunfou até o momento, com três conquistas, quando não esteve no degrau mais alto do pódio teve um desempenho bastante abaixo do esperado – em nove provas, teve apenas um top-5 e ficou quatro vezes fora do top-10.

A casa de Iwata ainda tem outras três vitórias em seu nome na temporada 2020 – duas com Morbidelli e uma com Viñales, além de ter aparecido no pódio com todos os pilotos – Valentino Rossi foi terceiro no GP da Andaluzia. Mas apesar de bons resultados, é inegável que o time tem apresentado grande irregularidade ao longo do campeonato.

Basta olhar desde o início da temporada: das 12 etapas disputadas até o momento, três dos quatro pilotos já abandonaram por problemas na M1. Rossi não terminou os GPs da Espanha e Europa, enquanto Morbidelli ficou a ver navios na Andaluzia. Já Maverick perdeu os freios no GP da Estíria e teve de se jogar da moto em uma das cenas mais impressionantes do ano. Isso sem contar os abandonos por conta de acidentes – cinco.

A Yamaha tem lidado com a inconsistência em 2020 (Foto: Yamaha)

“Está machucando muito, não estou feliz com a minha temporada. [Na Yamaha] É vitória ou nada. Ou estamos muito bem ou estamos superperdidos. Para mim, ainda é estranho que depois das duas corridas da Áustria ainda estivesse na liderança do campeonato”, chegou a comentar ‘El Diablo’ após o GP da Europa.

Em caráter de comparação, a Suzuki, que cresceu de forma impressionante na disputa e hoje lidera os Campeonatos de Construtores, Equipes e Pilotos, conta com quatro abandonos totais – dois de Joan Mir, líder da classificação, e dois de Álex Rins, terceiro colocado e empatado em pontos com Quartararo, o vice.

“Mir precisa cometer um erro e nós precisamos vencer uma corrida e sermos segundo na outra. Então, com certeza, é muito difícil. Honestamente, eu nunca penso nisso. Nosso problema não é o campeonato, é completamente outra coisa. No momento, estamos muito longe em termos de velocidade. E isso é o que precisamos recuperar”, disse Viñales.

Valentino Rossi teve dois abandonos por problemas na M1 (Foto: Yamaha)

Restam duas corridas para o encerramento do campeonato e 50 pontos em jogo. Fabio tem 37 tentos de atraso para Mir, que embalou sete pódios nas últimas nove corridas, sendo um deles com vitória. No mesmo período, o francês da SRT somou apenas 66 pontos – 85 a menos que o adversário espanhol.

As chances matemáticas para Quartararo consegui o título da MotoGP ainda existem, mas colocar as mãos no caneco se torna cada vez mais difícil para o competidor. Sem poder contar com a confiabilidade e ritmo da Yamaha, além de um desempenho bastante irregular, vê uma das melhores chances de sagrar-se campeão na classe rainha ficar cada vez mais distante.

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