Dovizioso fez o bastante para tirar ano sabático e recuperar vaga na MotoGP?

Ainda sem vaga na MotoGP para a temporada 2021, Andrea Dovizios cogita tirar um ano sabático. Mas se ficar longe do Mundial, o #4 fez o suficiente para ser lembrado para uma vaga futura?

Esse negócio de ano sabático está meio que na moda, não? Mas por mais que se afastar do trabalho para realizar um projeto pessoal tenha um apelo e tanto, é sempre um risco. Afinal, qual a garantia de uma recolocação profissional após um período de afastamento?

No início da semana, o empresário de Andrea Dovizioso, Simone Battistella, revelou que o piloto considera tirar um ano sabático em 2021. O agente vem negociando um novo contrato com a Ducati, mas a tratativa empacou no quesito financeiro e ainda não saiu do outro lado.

Andrea Dovizioso marcou a história da Ducati, mas não tem vaga sobrando na MotoGP (Foto: Ducati)

Apesar de ter dado à Ducati o vice-campeonato da MotoGP nos últimos três anos, Dovi não parece lá muito em alta em Bolonha. Mesmo sendo quem mais perto chegou de Marc Márquez nas últimas temporadas, o italiano de Forli foi mesmo uma pedra no sapato apenas em 2017, quando foi derrotado na última etapa da temporada. Nos dois anos seguintes, porém, a desvantagem foi crescente e quase dobrou entre 2018 e 2019.

Embora Andrea tenha muito crédito na evolução da performance da Desmosedici, a Ducati não está muito satisfeita com o estilo do italiano: a cúpula da equipe por vezes gostaria de ter um piloto mais passional, mas a racionalidade é justamente a marca do piloto de 34 anos.

O que é certo é que a Ducati perderia consideravelmente sem aquele que é seu principal piloto desde 2013. Em sete temporadas, Andrea conquistou 13 vitórias, 38 pódios e seis poles. As marcas, claro, ainda deixam o italiano atrás de Casey Stoner, o ídolo-mor de Borgo Panigale, mas o Dovi encarou um período consideravelmente pior de uma Desmosedici em fase de reconstrução.

Dovizioso, certamente, fez o suficiente para ser sempre lembrado pela Ducati ― mesmo que tenha sido Andrea Iannone a quebrar a seca de vitórias da era pós-Stoner. Mas, mesmo assim, cabe a pergunta: ele foi o bastante para ser lembrado pelas demais fábricas se passar um ano curtindo a vida?

O atual companheiro de Danilo Petrucci está no Mundial de maneira permanente desde 2002. Neste tempo, foram três temporadas nas 125cc, três nas 250cc e 12 na MotoGP, contabilizando 23 vitórias ― 14 na classe rainha ― e um único título ― nas categoria menor em 2004.

Andrea chegou à MotoGP em 2008, com a JiR, mas passou três anos com a equipe principal da Honda. Depois, fez uma temporada com a Tech3, então equipe satélite da Yamaha, antes de ser escalado para substituir Valentino Rossi na Ducati.

Apesar de ter mostrado capacidade em sua trajetória, 2017 foi mesmo um ano de virada na carreira do italiano. Até então, ninguém sabia do que Dovi era capaz. Mas isso não garante espaço para um retorno.

E não só por Andrea. A Yamaha, por exemplo, está com a equipe fechada até 2022, com Maverick Viñales e Fabio Quartararo. A Honda, por outro lado, assegurou Marc Márquez até 2024, embora a segunda vaga ainda seja uma incógnita ― a expectativa é por um anúncio da contratação de Pol Espargaró, com Álex Márquez rebaixado para a LCR para ganhar experiência. A Suzuki recém renovou com Álex Rins e Joan Mir por dois anos. A Aprilia tem Aleix Espargaró assegurado até 2022 e ainda espera o desfecho do julgamento por doping de Andrea Iannone para dar seu próximo passo. A KTM tem o futuro mais aberto, mas não esconde o plano de criar um campeão em casa, assim, as opções passam mesmo pelos jovens que estão em Moto3 e Moto2 ― até por já ter acertado com Petrucci neste ano e contar com a experiência de Dani Pedrosa no posto de piloto de testes.

Para ainda ter futuro na MotoGP, a Ducati é, basicamente, a única opção de Dovizioso. E, mais do que isso, é uma opção válida por agora. Até porque o substituto pode acabar ganhando o coração dos italianos de forma irreversível.

2020 será uma temporada diferente, reduzida e compacta. Assim, tudo pode acontecer. Mas, sem um título para chamar de seu, Dovi pode muito bem ser esquecido quando as fábricas forem olhar para o mercado de pilotos. Ainda mais com a constante força demonstrada pela molecada de Moto3 e Moto2.

Para e volta espanhol?

Enquanto o destino de Dovizioso segue incerto, surgiram rumores sobre uma eventual volta de Jorge Lorenzo. O espanhol guiou pela Ducati em 2017 e 2018, mas, quando finalmente venceu, já tinha visto o clima azedar com o diretor-executivo da marca, Claudio Domenicali, e partiu para a Honda, de onde se aposentou no fim do ano passado após uma temporada bastante aquém de suas reconhecidas capacidades.

Lorenzo, no entanto, conta com o apoio de Gigi Dall’Igna, chefe da Ducati Corse, a divisão de corridas. Os dois já tinham trabalhado juntos nas classes menores, pela Aprilia, e o engenheiro foi um dos grandes defensores da contratação de Jorge.

Hoje piloto de testes da Yamaha, o espanhol já afirmou que não está negociando com ninguém, uma informação diferente da divulgada pelo pai, Chicho, que revelou a reaproximação dos dois.

Se o acerto com Lorenzo se confirmar, o tricampeão terá tido em 2020 um ano sabático. E essa será mais uma prova de que é preciso construir memórias sólidas para poder reencontrar um caminho de volta ao esporte.

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