Ducati admite “desentendimentos” com Dovizioso, mas fala em prolongar relação

Diretor-esportivo da Ducati, Paolo Ciabatti não estabeleceu um prazo, mas indicou que a marca italiana caminha para renovar o contrato com Andrea Dovizioso. O dirigente disse, no entanto, que se o #4 não ficar, o time vai esperar as primeiras corridas para avaliar a performance dos pilotos ainda no mercado

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O futuro de Andrea Dovizioso com a Ducati na MotoGP ainda não foi definido, mas, ao que tudo indica, o piloto de Forli deve prolongar sua relação com a casa de Borgo Panigale. Diretor-esportivo do time, Paolo Ciabatti falou em “razões” que o fazem pensar que a história pode continuar.

Dovizioso foi contratado pela Ducati em 2013, assumindo o posto que tinha sido deixado vago por Valentino Rossi depois de uma infrutífera passagem de dois anos. Desde então, a equipe vermelha passou por algumas mudanças, mas, com Gigi Dall’Igna à frente da Ducati Corse, a divisão de corridas, a Desmosedici aos poucos retomou sua competitividade.

Em 2017, Andrea levou a briga pelo título até a última corrida, em Valência, mas acabou derrotado por Marc Márquez. Nas últimas duas temporadas, o italiano manteve o vice-campeonato, mas com performances menos impressionantes.

Andrea Dovizioso tem sido o principal rival de Marc Márquez na MotoGP (Foto: Ducati)
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No ano passado, no primeiro campeonato com 19 etapas da história da MotoGP, Andrea atingiu sua maior pontuação, com 269 pontos, mas acabou 151 atrás de Márquez, o campeão.

A performance, no entanto, não foi suficiente para evitar atritos entre o piloto e a Ducati. Um documentário produzido pela Red Bull no ano passado, o ‘Dovizioso: Undaunted’, mostra claramente a insatisfação do time com a atuação do piloto de 34 anos, já que a fábrica vermelha esperava um piloto mais passional e menos racional, justamente a marca do #4.

Falando ao site italiano ‘Moto.it’, Ciabatti admitiu atritos com Andrea em 2019, mas considerou que o período de isolamento social resultante da pandemia do novo coronavírus foi decisivo no atraso das negociações. Por enquanto, a Ducati só garantiu Jack Miller, contratado para 2021 com a opção de estender por mais um ano.

“Acho que um período tão longo sem GPs, com a obrigação de que todos, incluindo Dovi, fiquem em casa, pode levar a uma série de reflexões sobre muitos aspectos ― como todos fizeram ― e também sobre o futuro”, disse Ciabatti. “Se a temporada tivesse começado normalmente e tivéssemos conseguido os resultados esperados, a situação seria mais simples neste momento. Desse jeito, o piloto fez uma série de reflexões que provavelmente não teria feito em um período normal”, ponderou.

“Os momentos difíceis do ano passado deixaram vestígios que foram eliminados. Existem razões vinculadas à nossa história com Andrea que me fazem pensar que podemos continuar. Sei muito bem que tivemos momentos difíceis entre nós em 2019, mas superamos e conseguimos resultados muito bons justamente neste momento critico”, apontou.

Ciabatti, porém, minimizou os problemas com Dovizioso e avaliou que isso é normal em uma relação que já dura oito anos.

“Na vida, temos mal-entendidos e desentendimentos. A única forma de avançar, uma vez superada a emoção do momento que te faz dizer coisas que não gostaria de dizer, é sentar e esclarecer os pontos de vista em relação às situações em que entramos em conflito para sanar as dúvidas ou confirmar que não temos condições de continuar. No geral, também entendo que em um casamento que já dura oito anos podemos ter momentos de tensão que surgem do mesmo desejo: ganhar, obter certos resultados. A frustração surge do mesmo objetivo, que é o de querer melhorar. O espírito que impulsiona a Ducati e Andrea é o mesmo”, frisou. “Nós resolvemos o problema relacionado a 2020 e agora estamos fazendo uma série de considerações para os próximos dois anos”, anunciou.

Na visão de Ciabatti, a Ducati segue sendo a melhor opção para Dovizioso, já que é a moto mais competitiva no mercado. Por enquanto, Yamaha e Suzuki já estão com seus times fechados para os próximos dois anos, enquanto a Honda tem Marc Márquez garantido até 2024. Pol Espargaró é cotado para a marca da asa dourada na vaga que hoje está com Álex Márquez, mas o vínculo ainda não foi oficializado.

Ainda assim, o dirigente voltou a falar das dificuldades financeiras que serão impostas pela pandemia do novo coronavírus.

“Somos a melhor opção para Andrea em termos de competitividade e é a mesma coisa para a Ducati pela mesma razão, independente da idade dele. Sei que ele está muito preparado e continua treinando com os melhores. Tudo isso me faz pensar que não há uma razão em particular para não conseguirmos um acordo razoável que leve em conta os pedidos do piloto e os da empresa em um período econômico bastante crítico. Estamos falando da crise mais grave desde a Grande Guerra. O normal é alcançar um acordo economicamente viável. Este não é o único problema que deve ser tratado, mas é muito importante. É fato que os pilotos se sentem valorizados por uma empresa em função do reconhecimento com que são brindados, mas, lamentavelmente, estamos em uma situação que sugere um marco econômico muito complicado para todos os países e para a Itália em particular”, lembrou.

Ainda livre no mercado, Dovizioso foi especulado na KTM, justamente para ocupar a vaga que pode ser deixada por Pol. Ciabatti, no entanto, entende que essa não seria a melhor escolha.

“Tenho um grande respeito pela KTM, mas não acho que tenham uma moto que permita que um piloto como Andrea ganhe um GP ou brigue pelo título. Isso é um fato. Dovi poderia ser muito útil em um projeto como este de desenvolver a moto e torná-la competitiva, mas não acho que possa conseguir isso em um tempo relativamente curto”, opinou. “Não acho que um piloto que tenha conseguido os resultados de Andrea e que tem a idade dele ― não que ele seja velho, mas também não é um garoto ―, tenha a motivação para tomar essa decisão. Diferente seria renunciar ao objetivo de lutar pelo título e por vitórias. Se o objetivo do piloto é o mesmo nosso, que é de sermos competitivos para desafiar Márquez e os pilotos da Yamaha e da Suzuki, a única marca que pode lhe oferecer um pacote para fazer isso é a Ducati”, alegou.

Mesmo confiante em um desfecho positivo, Paolo evitou estabelecer prazos para que a Ducati formate definitivamente a dupla do próximo ano.

“Não há uma data limite para decidir. Estou certo que as duas partes têm a vontade de eliminar as diferenças e encontrar a solução para prolongar uma relação que deu resultados muito positivos tanto para a Ducati como para Andrea. Espero que nos próximos dias, digamos que uma semana ou dez dias, possamos cumprir as condições para chegar a um acordo. Se não for assim, teríamos de esperar até o início do campeonato”, explicou.

Por fim, o dirigente italiano falou de Petrucci, mas negou que o #9 seja carta completamente fora do baralho.

“Não é um capítulo encerrado, embora ele tenha podido falar com Aprilia e KTM. Se não conseguirmos um acordo com Andrea, vamos esperar o início do campeonato para avaliar os pilotos que ainda estão livres depois de algumas corridas. Achamos que a única moto disponível para conquistar pódios e vitórias é a Ducati, pelo menos até o momento. Podemos esperar os resultados dos primeiros GPs”, encerrou.

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