Bagnaia diz que é “difícil aceitar” realização do GP da Itália após morte de Dupasquier

Piloto da Ducati disse que foi muito difícil se concentrar para a corrida, especialmente após a realização de um minuto de silêncio em tributo. Nem todos os competidores, porém, concordam que a corrida deveria ter sido cancelada

Fabio Quartararo vibrou com a bandeira da Suíça em Mugello em homenagem a Dupasquier (Vídeo: MotoGP)

Francesco Bagnaia preferia não ter disputado o GP da Itália de domingo (31) após a morte de Jason Dupasquier. O piloto da Ducati considerou que é “difícil aceitar” que tenham deixado a corrida de Mugello apenas horas após a confirmação do falecimento.

Dupasquier foi vítima de um grave acidente no final da classificação da Moto3, ainda no sábado. O piloto suíço foi atendido por um batalhão de médicos ainda na pista, levado direto para um helicóptero médico e transferido para o hospital em Florença. No mesmo dia, a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) deixou claro que a condição do piloto era grave.

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Minuto de Silêncio foi realizado pouco antes da largada em Mugello (Foto: Divulgação/MotoGP)

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No domingo, logo após a corrida da Moto3, veio a confirmação da morte. Ainda assim, o cronograma foi mantido intacto. A Moto2 entrou na pista na hora prevista, mas, após o GP, ficou claro que os pilotos correram sem saber. A MotoGP, no entanto, não só sofreu o impacto da notícia, mas também participou de um tributo antes da largada.

“Soube a notícia sobre o Jason durante a parte final da Moto3, antes do início da Moto2. A partir daquele momento, começo a pensar só na corrida, mas foi impossível”, disse Bagnaia. “Estava quase concentrado, mas aí veio um minuto de silêncio e… nada. Foi impossível me concentrar”, seguiu.

“Comecei bem, estava na frente, mas, de qualquer forma, terminar em primeiro ou último hoje não muda nada”, declarou. “Foi talvez um dos piores dias da minha vida, não curti nada hoje, então, para mim… Eu pedi para não correr hoje, porque, para mim, não foi correto”, frisou.

Pecco reconheceu que, do ponto de vista da organização, é difícil lidar com uma situação como esta, mas acompanhou a opinião de Danilo Petrucci, que questionou se a corrida teria sido realizada se fosse um piloto da MotoGP a vítima fatal.

“Não importa se eu caí. Estou só pensando nele, na família dele. Nós perdemos um piloto de 19 anos”, sublinhou. “Isso é muito difícil de aceitar. E é muito difícil de aceitar a decisão de alguém de nos deixar correr hoje”, insistiu.

“Depois da corrida, disse a meu time, a Davide [Tardozzi, chefe da Ducati], que eu preferia não correr. Mas esse é nosso trabalho e temos de fazer isso”, contou. “Mas em condições como estas, acho que é muito difícil. Já em 2016, quando perdemos Luis [Salom], estava na mesma situação. Fizemos um minuto de silêncio e eu estava na mesma situação. Hoje foi muito difícil fazer um minuto de silêncio e não deixar as lágrimas escorrerem”, completou.

A opção de realizar ou não a corrida dividiu os pilotos. No pódio de domingo, Fabio Quartararo e Miguel Oliveira argumentaram que o GP da Itália foi o tributo certo a Dupasquier.

Companheiro de Bagnaia na Ducati, Jack Miller revelou que foi consultado por Carlos Ezpeleta, diretor da Dorna, sobre o momento do minuto de silêncio. Na visão do australiano, ninguém foi obrigado a correr.

“Acho que não tinha ninguém com uma arma na nossa cabeça. No fim, se você quer correr, pode correr. Acho que o fato de terem armado o show e nos deixado continuar com o que amamos, é enorme da parte deles”, opinou.

Aleix Espargaró, que também admitiu dificuldade para se concentrar para a corrida, entendeu as posições divergentes.

“Eu estava muito triste, honestamente. Têm muitos pilotos que talvez se machuquem menos com essas coisas ― não estou dizendo que eles não são humanos como sinto que sou, não estou dizendo isso, mas tem outros que conseguem esquecer isso melhor”, comentou. “Mas para mim, talvez por ser pai, talvez por ter um irmão correndo aqui… Honestamente, cada vez que isso acontece é muito difícil, muito, muito difícil para mim”, falou.

“Fiz 300 corridas do Mundial de Motovelocidade, então, para mim, se prestarmos um tributo por não correr, eu não seria contra, claro. Mas você tem de entender também que, e é difícil dizer, mas têm muita gente trabalhando aqui, muito dinheiro, muitas coisas, então não é fácil cancelar uma corrida. Então posso entender os dois lados”, concluiu.

A MotoGP volta às pistas no próximo dia 6 de junho para o GP da Catalunha. Acompanhe a cobertura do GRANDE PRÊMIO sobre o Mundial de Motovelocidade.

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