Quartararo põe 2020 nos eixos com atuação madura na Catalunha. Mas Suzuki impressiona

Depois de uma série de tropicões, o francês da Yamaha SRT voltou a mostrar força e venceu uma corrida em que precisou não só de um ritmo forte, mas também de inteligência para driblar os desafios e conservar o equipamento. Ainda assim, a performance das GSX-RR com Joan Mir e Álex Rins chamou a atenção em Montmeló

Não é de se surpreender que Fabio Quartararo tenha titubeado aqui e ali. Com Marc Márquez fora de combate por sabe-se lá ainda quanto tempo, o francês de Nice teve o caminho na direção do título da MotoGP encurtado, mas aos 21 anos, está apenas na segunda temporada, correndo pela satélite SRT ― ainda que em posse de uma YZR-M1 no mesmo nível das motos oficiais da Yamaha ― e depois de decepcionar nas passagens por Moto3 e Moto2.

Depois de abrir a temporada com duas vitórias em Jerez de la Frontera, ‘El Diablo’ perdeu rebeldia e ficou cinco corridas fora do pódio: foi sétimo em Brno, oitavo e 13º na rodada dupla da Áustria, abandonou a primeira corrida de Misano e ficou em quarto na segunda. A irregularidade custou caro, e Quartararo perdeu toda a gordura na liderança do campeonato. Depois do GP da Tchéquia, o piloto da moto #20 chegou a ter 17 pontos de vantagem, mas perdeu 23 no intervalo de 35 dias, caindo para seis tentos atrás de Andrea Dovizioso após o GP de San Marino.

Quartararo chorou no pódio (Foto: SRT)

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Na Emília-Romanha, Fabio deu o primeiro passo para voltar aos trilhos, mas foi só neste fim de semana que o piloto que conquistou justamente em Barcelona o primeiro pódio da carreira na MotoGP, em 2019, conseguiu virar o jogo e voltar à liderança da disputa. Para alegria dos franceses, Quartararo vai para a corrida de casa com oito pontos de frente na tabela, mas agora com Joan Mir na vice-liderança da competição.

“Honestamente, foi uma corrida difícil. Fiz uma ótima largada, mas estava em quarto. Aí Jack [Miller] cometeu um erro e eu sabia que era o momento perfeito para ultrapassar”, disse Quartararo. “Quando peguei a liderança, Franco ficou atrás por cinco ou seis voltas. Nosso ritmo era realmente rápido e acho que, naquele momento, era rápido demais para conservar os pneus até o final”, opinou.

“No fim, eu era 3s mais lentos, mas não porque estava no controle. Estava forçando no meu máximo e, infelizmente, é difícil entender, porque esses dois [Mir e Rins] foram muito mais rápidos do que eu no final”, reconheceu. “Mas acho que foi muito importante fazer a primeira parte da corrida na melhor condição. Podemos ficar felizes com o trabalho que fizemos hoje, pois depois de cinco corridas seguidas onde tivemos dificuldades, aprendemos muitas coisas”, admitiu.

No início da semana, a Repsol divulgou uma entrevista com Marc Márquez onde o hexacampeão se disse decepcionado com a performance de Quartararo. E o francês não se furtou em ecoar os comentários ao ser questionado se a vitória era uma resposta ao piloto da Honda.

“Conversei com Marc na quinta, quando ele esteve aqui. Mas, não, mesmo que ele não tivesse dito nada, eu faria exatamente a mesma coisa. E ele também falou a verdade, pois eu também esperava mais de mim mesmo”, reconheceu. “Acho que ele está certo, então, não tem relação com a declaração dele, mas o que é bom é que estamos de volta ao pódio”, sublinhou.

Joan Mir, MotoGP 2020, GP da Catalunha, Classificação
Joan Mir tem sido um dos destaques da temporada (Foto: Suzuki)

A corrida catalã, porém, foi marcada por dificuldades dos principais rivais de Quartararo na disputa pela placa deste ano na Torre dos Campeões, o troféu final da MotoGP. Andrea Dovizioso foi derrubado por Johann Zarco ― que teve de reagir a uma balançada de Danilo Petrucci ― ainda na primeira volta. Maverick Viñales fez uma largada ordinária e despencou de quinto para 15º ainda na volta inicial.

Mas se as coisas não correram bem para os dois experientes pilotos, o duo da Suzuki viveu um domingo notável. Não é de hoje que Joan Mir tem brilhado nas corridas, mas desta vez o espanhol de 23 anos ganhou a companhia de Álex Rins, que não pintava no pódio da classe rainha desde a vitória no GP de Grã-Bretanha de 2019. Mesmo ainda lesionado ― por conta do acidente que sofreu em Jerez no início do campeonato -, o piloto natural de Barcelona fez uma prova de recuperação depois de largar no distante 13º posto.

“Estou muito contente por poder lutar pela vitória, por estar outra vez no pódio. Nos faltou um pouquinho. Com certeza, foi a corrida em que menos nos faltou”, avaliou Mir. “Também estou muito contente com a equipe porque tem outra Suzuki no pódio e é sempre especial fazer uma dobradinha dessas. Não lembro da última vez que isso aconteceu”, comentou.

Matando a curiosidade de Joan, a última vez que a Suzuki teve duas motos no pódio da MotoGP foi há 13 anos, quando Chris Vermeulen e John Hopkins foram segundo e terceiro, respectivamente, no GP de San Marino de 2007.

Álex Rins, MotoGP 2020, GP da Catalunha, Classificação
Álex Rins ficou quase 400 dias longe do pódio (Foto: Suzuki)

“Na corrida, senti-me muito forte. Nas primeiras voltas, estava com o grupo da frente, custava-me um pouquinho no início, mas já sabemos que a nossa moto com pneus novos normalmente custa um pouco mais. Depois, fiquei tranquilo e comecei a manter o ritmo”, detalhou. “Fui passando alguns pilotos e aqui é difícil passar nas retas e tudo mais. Faltou muito pouco para passar Fabio, pois estava baixando muitíssimo o rendimento dele ― todos estavam baixando, mas ele, especialmente. Estou muito contente com a nossa forma”, destacou.

Assim como na última corrida, Mir saiu como um grande destaque. E até Quartararo já enxerga o rival como principal ameaça ao título.

“Vi que Joan falou que não se considera um candidato ao título, mas eu não penso da mesma forma. Ele está sendo um piloto muito importante”, avaliou Fabio. “Na Áustria [GP da Estíria], a vitória era dele e ele é muito rápido, muito consistente. Para mim, é o mais forte ou um dos mais fortes para brigar pelo título”, reforçou.

Mir, porém, entende que precisa vencer para ser considerado um fator na briga pelo título e também acredita que é cedo para polarizar a disputa entre só dois pilotos.

“Sigo sem ter vencido. É preciso ganhar corridas. É verdade que estou sempre ali, os pontos vão se somando e estamos muito próximos do primeiro. Estou concentrado em vencer corridas, estar no pódio. O campeonato está vindo, os pontos estão vindo e estamos em uma posição muito boa, mas é preciso vencer”, observou. “É muito cedo. Estamos sendo, mais ou menos, os mais constantes e estamos próximos. Têm muitos pilotos muito rápidos. Ainda têm muitos pontos em jogo”, completou.

De volta ao pódio após 399 dias, Rins parabenizou a Suzuki pelo trabalho com a GSX-RR e aproveitou para dedicar o resultado a Luis Salom, que morreu em um acidente no traçado de Barcelona em 2016.

“Custou muito voltar ao pódio. O importante é que nunca jogamos a toalha. Tivemos muitos altos e baixos neste ano, mais baixos do que altos. Corremos muito atrás depois da lesão. Estou bem, mas não tenho muito músculo”, explicou. “Estou muito contente com o grande trabalho da Suzuki. Só posso parabenizar a Suzuki, dedicar a quem gostaria que estivesse aqui e a Luis Salom”, falou.

“Saio muito motivado da corrida. A largada foi do Rins de 2018, recuperando muitas posições e isso é um grande trabalho da Suzuki. Tratei de não falhar e de ser muito suave com os pneus para chegar fresco no final. Conseguimos”, avaliou.

O espanhol, porém, considera que os altos e baixos de performance são resultado da lesão que sofreu no início do ano.

As imagens do GP da Catalunha de MotoGP

O GP da Catalunha da MotoGP (Foto: Yamaha)

“Tudo tem a ver com a lesão. Depois da Áustria, eu achava que estava 100%, mas vi que não. É muito estresse em cima da moto, muito cansaço. A partir da quarta volta, estava com a língua de fora e isso é, basicamente, a baixa que aconteceu”, expressou.

Por fim, Álex destacou que enquanto a Yamaha vai bem em volta lançada, a força da Suzuki é mesmo na corrida.

“É bom ter uma moto tão equilibrada, que embora custe para fazer uma volta rápida, dá muito na corrida. Não podemos nunca jogar a toalha”, discursou. “As Yamaha são muito rápidas em uma volta, mas com o trabalho da corrida, podemos estar com eles”, concluiu.

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