Treino na chuva, corrida no seco: previsão deixa MotoGP no escuro no GP da Europa

Depois de dois dias com a pista molhada ou ao menos parcialmente úmida, a previsão é de tempo seco para domingo. E ninguém treinou nessas condições em Valência ao longo de todo o fim de semana

A previsão de pista seca para a corrida de domingo vai deixar todo mundo no escuro para o GP da Europa de MotoGP. Ao longo dos últimos dias, a classe rainha teve chuva e, no muito, momentos de asfalto pouco úmido, mas faltou a chance de rodar no seco em Valência.

Depois de dois dias de chuva, a previsão do tempo aponta para um domingo seco, porém frio, com a temperatura variando entre 12 e 21°C. Assim, a única chance de rodar no seco pode ser no warm-up da manhã de domingo. E 30 minutos são muito poucos para acertar as motos na perfeição habitual.

Com a pista mais ou menos, foi Pol Espargaró quem levou a melhor no circuito Ricardo Tormo e deu à pole-position para a KTM neste fim de semana. Com 1min40s434, o catalão garantiu a posição de honra com 0s041 de vantagem para Álex Rins, o segundo colocado. Takaaki Nakagami deu sua colaboração para mix de fábricas entre os ponteiros, com Johann Zarco fechando o top-4.

Pol Espargaró vai largar na pole em Valência (Foto: KTM)

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Ainda em busca da primeira vitória na MotoGP, Pol Espargaró prometeu partir para o ataque ainda no início da disputa, especialmente por se tratar do circuito onde ele deu o primeiro pódio na categoria para a KTM.

“Basicamente, tenho Álex muito perto no grid e ele é um especialista em corridas. Se tiver uma boa largada, vou tateá-lo um pouco para ver se podemos seguir durante a corrida, o que seria um grande feito. E, se for o primeiro, vou forçar desde o início”, disse Pol. “Os pneus não me importam, pois não temos informações sobre eles nesse sentido, mas vou tentar controlá-los ao máximo e, se conseguir alguma vantagem desgastando os pneus, que seja”, seguiu.

“Vamos tentar coletar mais dados durante o warm-up para ver se com a eletrônica podemos levar bem o pneu ou teremos de sofrer no final, mas tenho claro que vou dar o máximo e tudo de mim. Ainda que seja complicado, acho que esta é a chave”, opinou.

Já que não teve chance de rodar com pista seca, o caçula dos Espargaró pode aproveitar as informações reunidas por Dani Pedrosa em um teste recente em Valência. Ainda que os dados disponíveis não sejam tantos assim.

“Dani teve muitos problemas e não rodou rápido durante o teste, assim como tampouco fez a Ducati, embora tenhamos boas informações. Vamos tentar usá-las da melhor forma que pudermos. Vamos ver o que acontece com os pneus, especialmente o dianteiro, que é o que mais me preocupa”, comentou. “Estou convencido de que as Ducati e as Suzuki, tanto Álex quanto Joan [Mir], estão na frente, mas a verdade é que não dá para saber muito bem que corrida teremos amanhã”, concluiu.

Sexto colocado no Mundial, 32 pontos atrás do líder Joan, Rins sabe que precisa estar no ataque e, por isso, celebrou a boa posição de partida, já que este foi um dos principais pontos fracos da Suzuki na temporada.

Álex Rins se mostrou otimista para a corrida (Foto: Suzuki)

“Estou muito contente. Era um dia para se machucar por causa das condições de pista. Tinha uma linha muito fina com o asfalto seco. Se você escapava dela, o pneu traseiro patinava e era fácil cair”, relatou Álex. “Temos de aproveitar essa primeira fila, mas vai ser uma surpresa. Ninguém rodou no seco durante todo o fim de semana. O nível de aderência não será muito bom. Tudo é uma incógnita. É uma corrida longa, 27 voltas, vai ser duro, não vai ser fácil”, frisou.

“Vamos dar tudo, fazer uma boa largada e ver que ritmo podemos ter. Até o warm-up, não saberemos que ritmo terão os demais e nem que pneus devemos usar, mas vai largar para curtir”, assegurou.

Apesar de estar plenamente na briga pelo título, Álex reconhece que não será fácil tirar a taça de Joan.

“Mir está se mostrando muito constante, terminando no pódio em todas as corridas. É um piloto jovem, com muita vontade e está aproveitando o momento”, finalizou.

Depois da frustração do GP de Teruel, quando largou na ponta, mas não passou nem da primeira volta, Nakagami comemorou a chance de voltar a primeira fila.

“Estou muito feliz por ter conseguido primeiras filas seguidas. Desta vez não é uma pole-position, mas P3 é um ótimo resultado”, avaliou. “No fim da classificação, cometi um pequeno erro. Estava forçando demais e cai na última curva, mas o bom é que dei meu melhor nesse tipo de condições e conseguimos uma primeira fila”, continuou.

A performance do piloto da LCR é só mais uma evidência da melhora apresentada neste ano.

Fabio Quartararo falou em partir para o ataque (Foto: SRT)

“Não é uma temporada normal. São muitas corridas juntas, quase sem descanso. Sempre tento melhorar, procurar onde posso melhorar em cada corrida, cada sessão. Tudo encaixou, também em mim, mudei o estilo de pilotagem, o pneu 2020 da Michelin tem muita aderência. O apoio da HRC e da minha equipe e, pouco a pouco, estamos melhorando, ficando consistentes”, comentou. “Somos capazes de nos adaptar em qualquer condição e esse é o ponto chave. No campeonato há pilotos com altos e baixos, todos dão o melhor a cada corrida. Espero que possamos aproveitar amanhã, não tenho pressão e, por não ter pressão, quero aproveitar”, avisou.

Líder do campeonato, Joan Mir saiu satisfeito por ter desempenhado bem com pista molhada, já que não considera esta uma das próprias especialidades.

“Estou melhorando no molhado, onde não tenho muita experiência, mas não demonstrei que melhoro a cada sessão e isso quer dizer que temos potencial para seguir melhorando no futuro. Não esperava ser tão competitivo no molhado, já que isso me custou muito a vida toda”, reconheceu. “Nas últimas corridas, nós encontramos um pouquinho de água e isso me fez avançar muito. Com certeza, sou dos que menos rodaram com água e, por isso, isso nunca me beneficia, mas estou contente, pois fui competitivo em todas as condições. Amanhã o warm-up será muito importante para ser competitivo na corrida”, ponderou.

Questionado se KTM e Ducati saem em vantagem em Valência por terem testado no traçado recentemente, Mir respondeu: “Eles têm uma vantagem muito grande. Não sabia que a Ducati também tinha testado. Eles têm uma vantagem muito grande, porque amanhã não vai ter ninguém que rodou completamente no seco e será uma incerteza em relação ao acerto da moto. Eles têm uma vantagem muito grande nesta corrida”, ponderou.

Dono de um desempenho fraco em condições de pouca aderência ao longo do fim de semana, Fabio Quartararo se classificou apenas em 11º, mas, mesmo assim, garantiu que vai ao ataque amanhã. Afinal, o vice-líder do Mundial, com apenas 14 pontos de atraso para Mir, entende que não tem nada para perder.

Maverick Viñales, Yamaha, MotoGP 2020, Gp da Europa
Maverick Viñales vive uma situação complicada em Valência (Foto: Yamaha)

“Amanhã, vou ter de me arriscar. Não tenho mais nada a perder, porque são em corridas como a que teremos amanhã que o campeonato mundial é decidido”, avaliou. “Se eu cair, vai ter sido por uma boa causa. Se não for agressivo, vou perder a oportunidade de brigar pelo Mundial”, considerou.

“Tentamos muitas coisas na moto no molhado este fim de semana para tentar entender onde podemos melhorar e encontrar mais velocidade. No início da sessão, conseguimos um ritmo similar ao dos que estavam a nossa volta, mas conforme as voltas foram passando, não demos o passo que gostaríamos”, falou Fabio. “Infelizmente, todos parecem melhorar no fim da sessão, mas nós estamos no 11º lugar. Precisamos analisar os dados para entender o motivo, mas estou torcendo por um clima melhor amanhã. Apesar de não termos rodado no seco, sei que o acerto base é bom e não estou preocupado com isso. Tenho de fazer meu melhor amanhã e ver onde terminamos”, encerrou.

Companheiro do francês na SRT, Franco Morbidelli ficou com o nono posto do grid, mas, desde a vitória em Teruel, anunciou que se manteria no ataque nas corridas finais da temporada, já que tem 25 pontos de atraso na classificação.

“Não escolhemos o pneu macio e trabalhamos para extrair o máximo dele, então a nona colocação não é tão ruim. Vamos largar na terceira fila amanhã e, se tivermos uma boa saída, podemos avançar na primeira volta”, ponderou. “Foi um dia estranho, com as condições mudando constantemente, mas foi um bom dia. Tivemos de nos adaptar rapidamente e me senti muito bem no TL4. Não me senti tão bem na classificação, mas a nona posição está ok. Agora temos de focar na corrida. Se amanhã for no seco, como achamos que será, vamos ter de trabalhar duro no warm-up para entender qual o melhor acerto para a corrida, fazer um bom trabalho lá e na corrida também”, completou.

Terceiro na tabela de classificação do Mundial, Maverick Viñales não vai ter um domingo simples pela frente. A Yamaha precisou colocar um sexto motor na YZR-M1 #12, extrapolando o limite da temporada e, por isso, o espanhol vai sair apenas do pit-lane.

Não bastasse isso, um dos integrantes da equipe do espanhol está com Covid-19 e, por isso, a casa de Iwata teve de colocar cinco funcionários em isolamento.

Joan Mir segue calmo e tranquilo na ponta da classificação (Foto: Suzuki)

“Está sendo muito complicado. Davide [Marelli, o telemétrico] tem muito nível e nos ajuda muito, ele sabe onde e como dar ou tirar potência, e não dá para substituí-lo. Não colocaram ninguém no lugar ele, então não temos telemétrico na minha equipe. É complicado trabalhar, falta muita gente, muita gente”, frisou. “Está faltando metade do meu box. Não podemos trabalhar, não podemos fazer nada. Não está tudo perdido, mas está muito difícil. Também não temos uma moto superior ao resto. Não sei se na semana que vem teremos alguém para nos ajuda, mas este fim de semana não temos nada, estamos sozinhos”, ressaltou.

Em meio a tantos problemas, Maverick não quer traçar objetivos para a primeira das duas corridas em Valência.

“Não quero pensar. Vou largar, pilotar e tratar de fazer o melhor possível. Vou tentar chegar em Fabio. É o único objetivo que eu tenho em mente, mas ele também é rápido, então não vai ser fácil, mas vou tentar”, encerrou.

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