Yamaha nega troca de válvulas no motor e se defende: “Não teve ganho de vantagem”

Lin Jarvis negou que a Yamaha tenha deliberadamente trocado as válvulas dos motores utilizados no GP da Espanha. Diretor ressaltou, porém, que a YZR-M1 não teve vantagem com peças fora da homologação

Lin Jarvis detalhou as circunstâncias que levaram a Yamaha a ser punida pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) por utilizar motores fora da especificação homologada no GP da Espanha. O diretor explicou que uma troca no fornecedor de válvulas ocasionou o erro, mas negou que a YZR-M1 tenha obtido uma vantagem de performance.

Na última quinta-feira, a FIM anunciou a remoção de 50 pontos da Yamaha no Mundial de Construtores, 20 no Mundial de Equipes e outros 37 da pontuação da satélite SRT por uma irregularidade com o motor da YZR-M1. A pontuação dos pilotos, contudo, não foi modificada.

Lin Jarvis negou ganho de performance com válvulas (Foto: Divulgação/MotoGP

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A punição à casa de Iwata foi resultado de uma infração ao regulamento do Mundial, uma vez que a Yamaha desrespeitou o protocolo que obriga a obtenção de aprovação unânime da MSMA (Associação das Fábricas de Motocicletas Esportivas) para fazer mudanças no motor.

A entidade máxima do esporte, porém, não detalhou as circunstâncias da infração. E nem tampouco a Yamaha no comunicado distribuído à imprensa na sexta-feira, o que levou a conclusão de que a fábrica tinha deliberadamente substituído as válvulas pós-homologação.

Neste sábado (7), porém, o diretor da equipe detalhou o que aconteceu e explicou que toda esta situação começou por conta de uma troca no fornecedor de válvulas.

“Há um grande mal-entendido, pois as pessoas estão falando em ‘troca de válvulas’”, disse Jarvis em entrevista à emissora inglesa BT Sport. “Planejamos rodar nesta temporada com uma especificação de válvulas de um determinado fornecedor. Durante o ano passado, quando encomendamos as peças, entendemos que o fornecedor ia parar de fabricar as válvulas. A Yamaha, então, procurou outro fornecedor com a mesma especificação de válvulas. Não tinha vantagem de performance. Isso foi feito e aí [tínhamos um misto] de válvulas de ambos os fornecedores na temporada 2020”, seguiu.

“A Yamaha considerou que essas válvulas eram idênticas. O regulamento não diz que você não pode usar dois fornecedores diferentes, diz que as peças devem ser idênticas em todos os aspectos. Este foi o mal-entendido no Japão”, ressaltou. “A amostra do motor para esta temporada estava montada com as válvulas usadas, vamos chamá-la de ‘tipo A’. Mas nós começamos a temporada com oito motores com válvulas ‘tipo B’. Foi um mal-entendido inocente das regras”, frisou.

De acordo com Lin, as falhas de motor enfrentadas em Jerez de la Frontera fizeram a Yamaha abrir uma investigação e foi só aí que a fábrica constatou as diferenças nas peças.

“Aí tivemos o problema técnico e quando investigamos, descobrimos que a válvula B não só era diferente da amostra do motor, mas tinha também uma falha técnica. Alguma fraqueza. O lote produzido seguiu um procedimento diferente. Foi por isso que pedimos a MSMA para trocar as válvulas. Não conseguimos a evidência do fabricante da válvula, então retiramos o pedido e fomos buscar outra solução”, detalhou. “Mas, desde o início, fomos transparentes de que queríamos usar a outra válvula [‘tipo A’], que é idêntica, e foi [durante essa discussão] que ligou o alerta de que essas válvulas poderiam ser consideradas diferentes. Então suspendemos o uso do motor [de Jerez], exceto pelo treino e classificação na Áustria para dois pilotos. Todos os nossos motores, com exceção dos oito primeiros, agora estão montados com o ‘tipo A’”, relatou.

“Então foi um erro no protocolo, porque não teve ganho de vantagem. Deveríamos ter pedido permissão. Mas não trocamos as válvulas”, completou.

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