GUIA 2025: Bortoleto tem olhos do Brasil e chance de futuro grande. Mas presente é duro
Gabriel Bortoleto chega à F1 como campeão de F2 e F3 em anos de estreia, algo para poucos e em que o público brasileiro se apega para esperar um futuro brilhante. Que é possível, mas antes o objetivo é resistir à morta-viva Sauber
A história do Brasil na Fórmula 1 vai receber um começo do zero, em folha em branco, e colocar ao fim o hiato de sete anos desde a última vez que um brasileiro foi piloto titular. Gabriel Bortoleto oferece ao público nacional algo que não tinha há mais de 20 anos: ver chegar ao grid um piloto do qual se espera um futuro brilhante. Embora a expectativa seja mais do que justificada, é preciso entender o presente de Bortoleto para não comprometer o futuro.
Ao longo dos últimos quatro meses e mais um chorinho, desde que Bortoleto foi confirmado como piloto da Sauber/Audi para os próximos anos, todas as virtudes do jovem de 20 anos foram cantadas em verso e prosa. Gabriel é parte de um panteão de destaque das categorias de acesso, com títulos na temporada de estreia tanto na F2 quanto na F3.
Demonstrou ser piloto rápido e agressivo para mais de metro, mas que escolhe momentos para exercitar tal agressividade. Sabe dosar tais qualidades para que raramente se tornem problemas. O que denota a maior qualidade: a inteligência de saber lidar com as armas que tem e com o que pedem diferentes momentos.
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E é evidente que, além dos predicados atrás do volante, as circunstâncias fazem dele uma estrela em ascensão. A F1 vive um pico de popularidade em décadas, conquistou, nos últimos anos, o mundo digital e fez o streaming de canhão para se catapultar às estrelas. O mercado brasileiro, sempre barulhento e alvoroçado, não desaprendeu a amar a F1, pelo contrário, e esperava para refletir em alguém a torcida que projetou em outros.
Não, o público brasileiro da F1 não precisa de um piloto brasileiro para torcer. O público se sustenta, porque é grande o suficiente para andar com as próprias pernas mesmo sem precisar de alguma muleta verde e amarela. Mas jamais fez mal ter um representante nacional para movimentar as emoções mais afloradas possíveis de um público que tanto se afeiçoa a elas.
Soma-se a isso um novo público brasileiro, que não existia quando Felipe Massa deixou o grid, em 2017, como o último piloto titular do Brasil na F1. Há um público novo, na internet, diferente daquele torcedor tradicional que gosta de cheiro de querosene. E para esse torcedor, o torcedor da King’s League e do League of Legends, esse torcedor que passou, sim, a ser relevante no contexto de público da F1, faz enorme diferença.
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Bortoleto, então, torna-se o representante de uma turma barulhenta e apaixonada que está faminta por se enxergar no topo. E há quanto tempo é que os brasileiros, mais ou menos tradicionais, não veem chegar no grid da F1 alguém com tais características marcantes de grandes pilotos? Fazia tempo.
É evidente para eles, como é para o público internacional, que Bortoleto é um jovem de futuro potencialmente brilhante. O talento para se tornar um dos muito bons pilotos da F1 existe, está ali e já foi mostrado. Mas a vida não é como um game e tampouco como uma gincana. É diferente, é real e tende a ser dramaticamente mais dolorido. A realidade de Gabriel é de alguém que terá de sofrer antes das coisas jogarem a favor na pista.
A Sauber é, como tem sido dito desde o começo do negócio com a Audi, uma equipe zumbi. Desde que o acerto de venda do tradicional time suíço para a montadora alemã foi acertada, em meados de 2022, a mira estava em aprontar o sucesso para a partir de 2026, quando a Audi assume de vez o controle e terá motores próprios. Até lá, o time se reestrutura e vai tocando da maneira que der, pouco importando os resultados esportivos.
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E exatamente assim que tem sido. Entre o GP do Catar de 2023 e o de 2024, mais de um ano se passou sem que a equipe sequer marcasse pontos. Poucas atualizações, em geral pequenas e sem graça, agraciaram o time satisfeito com a rabeira do pelotão.
Mas a Sauber e a Audi precisaram se mexer e montar já em 2025 a dupla de pilotos que gostaria para a estreia da nova era. Um ano antes, sim, porque foi agora que o mercado se escancarou e abriu chances para todo mundo abrir a carteira e buscar nomes desejados pelos times. E é nessa leva que chega Bortoleto, como a promessa que é, com longo contrato para levá-lo anos adentro na aventura Audi. A realidade, ao menos para 2025, ainda é a moribunda Sauber, porém.
Os testes de pré-temporada não mostraram algo diferente daquilo que já se previa. A Sauber andou mais que apenas duas equipes e teve seus problemas. Bortoleto sozinho teve dois no último dia: um vazamento hidráulico e uma quebra no assoalho. Quando andou a bel-prazer, fosse com Bortoleto ou com o veterano Nico Hülkenberg, também não impressionou. Gabriel e Nico foram os pilotos donos do, respectivamente, 18º e 19º melhores tempos na tabela geral entre os 20 pilotos. Apenas a Haas se comparou.
A Sauber nem tem chefe de equipe ainda. Mattia Binotto, o diretor-geral da empreitada da Audi, assume a chefia interina na F1 nas primeiras corridas até que Jonathan Wheatley, ex-diretor-esportivo da Red Bull, chegue para o papel. Tudo será somente um grande treinamento de luxo para o ano seguinte.
O ano é longo e as particularidades de uma temporada, como os últimos anos têm mostrado claramente, podem sempre mudar patamar e apresentar novos mundos para as equipes. Mas a realidade que Bortoleto entra em 2025 tendo de tolerar uma equipe à beira da transformação e que sabe muito bem que espera apenas a hora de partir. Será um ano difícil, ao menos até talvez uma alteração milagrosa de última hora. Para Gabriel e para o público brasileiro, disposto a gritar com os feitos do jovem piloto, é preciso ter um pouco mais de paciência.
É um teste de fogo, no fim das contas, para Bortoleto e para os novos apaixonados do Brasil.
A Fórmula 1 abre a temporada 2025 entre os dias 13 e 16 de março, no GP da Austrália, em Melbourne. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL. O TL1 está marcado para a noite ainda da quinta-feira (13), a partir das 22h30. O TL2 começa já depois da 0h e, portanto, na madrugada da sexta-feira (14), às 2h. Depois, a situação se repete com o TL3 realizado às 22h30 da sexta-feira, enquanto a classificação define o grid de largada começando às 2h do sábado (15). Por fim, a largada está marcada para a 1h do domingo (16). Tanto classificação quanto corrida terão transmissão do GP em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.
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