Ricciardo naufraga de vez e encara demissão da McLaren como formalidade para 2023

Daniel Ricciardo tem mais um ano de contrato, mas sua permanência na McLaren parece tão provável quanto o atraso do cometa Halley

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Mais uma corrida que se vai e passa deixando público e crítica com uma pergunta na cabeça: o que acontece com Daniel Ricciardo? É uma questão que se fez presente mais que qualquer outra na Fórmula 1 desde o começo de 2022, então esta análise vai olhar para a situação com outra pergunta relacionada: isso importa? É junho do ano de 2022, Ricciardo se aproxima das 30 corridas a bordo da McLaren e a primeira resposta segue um mistério. A resposta da segunda pergunta está clara: não importa.

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A grande maior parte do campeonato ainda está por vir, mas é muito difícil imaginar um cenário realista que termine diferente da demissão de Ricciardo no fim do ano.

O australiano tem contrato até o fim da temporada 2023 – foi assim que assinou, por três anos, quando foi contratado para 2021. O primeiro ano foi ruim, com superioridade notória de Lando Norris e em que Daniel se salvou com a vitória na Itália.

Havia como diminuir a força do ano ruim. Era o último campeonato com aquele projeto de carros nos quais Norris trabalhou por tanto tempo e que Ricciardo tentava ajustar com o carro em movimento, mas 2022 seria o ano do novo projeto e aí, sim, seria a hora de brilhar. Projeto nascido do zero e com ajuda dele, a competição e seu alto salário se justificaria.

Daniel Ricciardo não se acerta na McLaren (Foto: McLaren)
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Bom, 2022 chegou e Ricciardo tem sido ainda pior. Tudo bem que a McLaren não tem um carro tão bom agora quanto no começo do ano passado – segue sendo quarta força, mas o princípio de 2021 foi mais imponente. Após sete corridas em 2021, Daniel tinha 32 pontos – contra 76 de Norris – e pontuara em seis corridas. Neste ano em que a McLaren começa pontuando menos, tem 11 contra 48 de Norris, a projeção não acompanha. Destes 11, três pontos foram conquistados na corrida sprint de Ímola. Nas corridas de verdade, dos domingos, Ricciardo fez oito pontos: todos no sexto lugar na Austrália – onde Lando foi quinto. Sim, marcou ponto em uma de sete corridas.

A situação contratual torna as coisas espinhosas para o futuro, mas não há realmente grande polêmica ou dúvida para entender como a McLaren pensa.

“Lando [Norris], definitivamente, tem uma vantagem. Nós obviamente gostaríamos de ver Daniel [Ricciardo] mais perto de Lando em termos de performance para termos uma boa disputa interna. Mas Daniel simplesmente não está confortável ainda com o carro. Estamos tentando de tudo. Foi, novamente, decepcionante”, disparou o diretor-executivo Zak Brown após o GP da Espanha.

“Com exceção de Monza e algumas outras corridas, [Ricciardo] não tem cumprido as expectativas dele e as nossas. Penso que tudo que você pode fazer é continuar trabalhando duro como time, manter a comunicação interna e seguir acelerando, esperando que o que não está encaixando no momento, encaixe o quanto antes”, seguiu.

Foi a crítica mais forte da McLaren neste ano e meio. Uma equipe que, aliás, teve paciência até incomum com o piloto que, para quem tem boa memória, foi chamado a atenção por Cyril Abiteboul, então chefe da Renault, na primeira corrida que fez pelo time francês, em março de 2019.

Daniel Ricciardo cravou o carro da McLaren no muro da Piscina (Vídeo: Reprodução/F1 TV)

Ricciardo admitiu que Brown estava correto nas críticas. “Não é mentira, é bem verdade”, falou o australiano à revista inglesa Autosport. “Em primeiro lugar, não levo os comentários para o lado pessoal. Minha pele é bronzeada, bonita e grossa também. Ninguém vai ser mais duro comigo do que eu mesmo”, garantiu.

“Não quero correr em décimo ou 12º. Às vezes tem sido um teste em termos de tentar me erguer e crescer com este carro. Mas estamos trabalhando juntos para isso. A equipe quer, eu quero, e estamos trabalhando nesse objetivo. Houve corridas em que fui bem, mas, honestamente, ainda estou trabalhando nisso. Eu adoraria dizer que vou ser 0s5 mais rápido a cada corrida a partir de agora, e estou trabalhando para conseguir isso. Mas é um progresso pequeno ainda”, salientou.

O piloto se defendeu quando perguntado sobre a possibilidade deixar a McLaren no fim do ano e fez questão de lembrar que tem contrato até dezembro de 2023. Mas isso é a Fórmula 1 e todo mundo sabe que há um milhão de maneiras de sair de contratos. Para a McLaren, será um alívio deixar um acordo tão polpudo: vá para Pierre Gasly ou algum jovem da Indy, certamente gastará muito menos.

Duvida? Pergunte a Sergio Pérez, descartado pela Racing Point/Aston Martin com um ano de contrato pela frente meses após agir de maneira fundamental para impedir a falência da companhia. Contratos são formalidades.

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E é formalidade também a conclusão da saga Ricciardo-McLaren com o fim que se espera: a demissão e a exclusão da face da Terra do terceiro ano do acordo. Nem mesmo pistas onde é historicamente forte, como Mônaco, ajudam a se salvar. A corrida na Côte d’Azur apresentou mais uma atuação indefensável do veterano.

Então Ricciardo não pode ficar na McLaren? Até pode caso tenha uma recuperação milagrosa e tenha um restante de 2022 como os melhores anos da carreira. Se for apenas bem daqui para frente, algo que já começa a soar quase impossível, não será o suficiente: precisa ser brilhante. E não será brilhante, é uma sequência de acontecimentos que não faria qualquer sentido.

Ricciardo será demitido. A McLaren não vai carregar esse fardo financeiro por mais um ano. Aí, daí para frente, a equipe fará suas escolhas e Ricciardo terá de ver onde se encaixa na F1. Mas essa história se aproxima de um capítulo final. Pena que será uma valsa tão longa rumo ao inevitável precipício.

F1 2022: AINDA DISTANTE DE NORRIS, ATÉ ONDE VAI A PACIÊNCIA DA McLAREN COM RICCIARDO?
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