Dia em Abu Dhabi revela forças distintas entre Mercedes e Red Bull, mas inimigo comum

Em uma temporada tão equilibrada, não é surpresa chegar à última sexta-feira do ano... Empatada! O caso é que Mercedes e Red Bull trabalharam mais fortemente no ritmo de corrida, mas sem entregar o ouro completamente. A decisão segue ainda sem favoritos depois dos primeiros treinos livres em Abu Dhabi. A única ressalva são: as zebras altas do redesenhado circuito de Yas Marina

Enfim, a Fórmula 1 concluiu a última sexta-feira (10) de treinos livres da temporada, com os holofotes sob os candidatos ao título. Nada mais justo, pois. O dia acabou com a sensação de que Mercedes e Red Bull chegam para a decisão do título com forças diferentes, mas com uma preocupação em comum. Ao mesmo tempo em os pilotos se mostraram satisfeitos com a revisão feita no traçado de Yas Marina, há uma grande apreensão com relação às zebras altas da pista e ao fato de que, inicialmente, parece difícil seguir o carro que vai à frente. Além disso, ficou muito claro também que as duas rivais tentaram disfarçam e esconder o jogo antes da definição do grid.

De qualquer jeito, é interessante notar que Max Verstappen e Lewis Hamilton lideraram um treino cada, empatados até aí! Só que o inglês acabou na frente na sessão que gera uma interpretação mais próxima da realidade, pois é realizada nas condições gerais da classificação e corrida. Com temperaturas bem mais amenas – uma diferença de 10 graus entre a tarde árabe e o início da noite –, o heptacampeão cravou 1min23s691, ratificando a melhora do circuito, que perdeu cinco curvas com a reforma. Foi uma diferença de mais de 12s em relação aos tempos de 2020.

O piloto da Mercedes conquistou esse tempo em cima dos pneus macios vermelhos, que pertencem à gama mais macia da Pirelli. Ninguém foi capaz de bater a marca do inglês, que deixou a sessão 2 com a nítida impressão de que o W12 está muito bem acertado para a disputa da pole-position. Diferentemente de Verstappen. O holandês sofreu mais em uma única volta. Na tabela, o piloto da Red Bull ficou apenas na quarta posição, 0s6 atrás do adversário principal.

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Tudo sobre a grande decisão do título da F1 em 2021

É importante dizer aqui que nem Red Bull e nem Mercedes colocaram seus carros na pista com os mapeamentos mais agressivos de motor, bem como na configuração definitiva para o ganho de velocidade. Isso é comprovado pelo intruso Esteban Ocon ali com o segundo melhor tempo do dia.

Na verdade, as duas equipes se concentraram em encontrar o melhor acerto para a corrida, pensando no comportamento dos pneus, essencialmente. E dentro desse aspecto, os dois carros apresentaram desempenhos muito diferentes, especialmente na relação de peso – mais ou menos combustível -, além dos ajustes aerodinâmicos. Os taurinos trabalharam particularmente neste aspecto ao longo do dia.

A equipe anglo-alemã, por sua vez, optou por coletar dados a partir da performance dos compostos médios amarelos – que devem ser os pneus da corrida. Hamilton imprimiu um ritmo muito forte, com um longo stint com média de voltas em 1min29s1. Já Verstappen preferiu os macios e impressionou com um desempenho melhor até que o do oponente, andando em 1min29s113. Chamou a atenção, no entanto, que Max chegou a guiar com os médios por poucos giros em torno de 1min28s1.

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Lewis Hamilton liderou o primeiro dia de treinos livres do decisivo GP de Abu Dhabi de F1 (Foto: AFP)

“Ainda estamos aprendendo e entendendo algumas coisas, mas, claramente, não tivemos a atuação que planejávamos. Nos falta um pouco de ritmo em voltas rápidas, mas, nos stints longos, somos um pouco mais competitivos”, disse o dono do RB16B #33 após o treino livre 2.

A Mercedes demonstrou também certa preocupação com o ritmo de corrida. “Foi um dia interessante e cobrimos muito terreno no que diz respeito ao trabalho de configuração. De manhã não ficamos particularmente satisfeitos com o ritmo em volta única, mas o desempenho em corrida foi bem equilibrado. À tarde, a performance em classificação foi boa, mas ainda faltou em prova. O desafio desta noite é entender o efeito das mudanças que temos feito e encontrar o compromisso certo entre ter o carro mais pesado e mais leve”, relatou Andrew Shovlin, o engenheiro de pista da Mercedes, que prometeu ainda que a noite será agitada na fábrica em Brackley, com os trabalhos no simulador.

O caso é que ambas devem aprimorar os pontos fortes vistos nesta sexta e entregar mais velocidade quando chegar o momento da definição do grid. De qualquer forma, o fim de semana começa muito parelho entre as duas rivais. No entanto, há ainda um novo temor: as zebras altas do redesenhado circuito de Yas Marina. Tão esquisito que até a Pirelli levantou preocupação.

Durante todo o dia, os engenheiros alertaram os pilotos. “A pista está obviamente mais rápida do que no ano passado, colocando mais energia nos pneus. Aqui, preocupam as zebras, principalmente na saída das curvas 5 e 9, por serem bastante altas e pontiagudas. Estamos conversando com a FIA sobre isso, para evitar imprevistos no final de semana”, falou Mario Isola, o chefão da fornecedora de pneus da F1.

Max Verstappen terminou o dia procurando melhorar o ritmo de classificação (Foto: Mark Thompson/Getty Images)

O novo layout do circuito coloca mais energia nos pneus, mudando a ênfase para cargas laterais em vez de tração e frenagem, daí também a apreensão da fabricante.

Por ora, o que se tem é isso: um equilíbrio entre os dois protagonistas, ainda que não esteja muito claro a divisão de forças. De real, somente o seguinte: não dá para apontar favoritos. Talvez só a classificação de amanhã comece a indicar para onde o campeonato deve ir.

Fórmula 1 volta a acelerar em Abu Dhabi neste sábado decisivo. O treino livre 3 está marcado para 7h (de Brasília, GMT-3), enquanto a classificação para a definição do grid de largada da última corrida do ano acontece às 10h. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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