Nova aliança com Mercedes dá à McLaren esperanças de ano ainda melhor na F1 em 2021

A julgar pelas palavras recentes de Zak Brown, Lando Norris e Andreas Seidl, CEO e chefe de equipe, respectivamente, a McLaren terá pela frente uma temporada ainda mais sólida na Fórmula 1 em 2021 na esteira da reedição do casamento com a Mercedes. Daniel Ricciardo, com a experiência de ter ajudado a Renault a encontrar o rumo, é outro trunfo da equipe de Woking

Seis anos depois do divórcio, McLaren e Mercedes estão juntas novamente na Fórmula 1. A união entre a equipe que mais evoluiu no grid nos últimos anos e a dona do melhor motor do Mundial desde 2014 parece ser um casamento destinado ao sucesso, embora a nova união seja estabelecida com bases completamente distintas do que foi a primeira aliança, que durou entre 1995 e 2014.

Se com o motor Renault a equipe de Woking cresceu, somou dois pódios e até liderou corrida no ano passado, o futuro nesta temporada 2021 tende a ser ainda mais promissor. Não somente por conta da usina de potência construída na fábrica britânica de Brixworth, mas também pela solidez da McLaren no corpo técnico — com a tríade formada pelo CEO Zak Brown, o chefe de equipe Andreas Seidl e o diretor-técnico James Key — e a chegada de Daniel Ricciardo para fortalecer ainda mais a dupla de pilotos, tendo ao seu lado o ótimo Lando Norris.

MCLAREN; MCL35M; 2021; FÓRMULA 1; FÓRMULA 1 2021;
O novo carro da McLaren vai ser empurrado pelo motor Mercedes (Foto: McLaren)

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É preciso pontuar que o contexto da reedição da união entre McLaren e Mercedes é completamente diferente e muito mais favorável do que foi o segundo casamento entre a equipe britânica com a Honda, logo depois de encerrar um vínculo de 20 temporadas com os alemães. Se a aliança entre 1988 e 1992 foi triunfal, marcando um dos períodos mais dominantes da história da Fórmula 1, a nova parceria entre a escuderia e os japoneses foi desastrosa.

Naquela época, a Honda voltou à Fórmula 1 como fornecedora de motores um ano atrasada na comparação com a concorrência, leia-se Mercedes, Ferrari e Renault. E a marca de Sakura teve de encarar, além do atraso, a enorme complexidade que a categoria impôs às fábricas em razão do desenvolvimento dos motores híbridos.

Foram poucos bons resultados, zero pódio, uma razoável temporada 2016, e muitas quebras e falta de confiabilidade. Fernando Alonso esbravejou contra o déficit de potência com o famoso ‘motor de GP2’ em plena casa da Honda, Suzuka, no GP do Japão de 2015. Estava claro que a união não iria pra frente por muito tempo e se encerrou, de forma melancólica, na temporada 2017.

A Honda levou cinco anos para se recuperar do atraso e voltar a vencer na Fórmula 1, mas com a Red Bull. Desde o ano passado, foram cinco triunfos com os taurinos, todos com Max Verstappen, e um com a AlphaTauri, a equipe B dos energéticos, logrado por Pierre Gasly no ano passado. A McLaren, sem paciência para esperar a melhora da Honda, fechou uma união com a Renault para o triênio 2018-2020, sendo Alonso um dos artífices desta nova aliança.

DANIEL RICCIARDO; MCLAREN; 2021; FÓRMULA 1; F1 2021;
Daniel Ricciardo é o novo reforço da McLaren para 2021 (Foto: McLaren)

O crescimento da McLaren neste período não se deve apenas ao fato de contar com um motor mais estável e menos problemático, embora distante do patamar alcançado pela Mercedes. A reestruturação promovida pela equipe, iniciada com Zak Brown, que teve Gil de Ferran como chefe e agora com Seidl na linha de frente, foi impulsionada pelo bom relacionamento com a Renault, mas também com a chegada de uma jovem dupla de pilotos e dona de enorme capacidade técnica e de desenvolvimento com Carlos Sainz e Norris.

Entre 2015 e 2020, foram seis temporadas de reconstrução para que a McLaren voltasse a ter a Mercedes como parceira e fornecedora de motores. A equipe de Woking reencontra a marca alemã com a estrutura muito mais azeitada e, mais importante ainda, com a autoestima resgatada.

A nova relação começou cercada de elogios e empolgação. “Muitas pessoas nos dois lados trabalharam juntas para vencer campeonatos e corridas, então existem muitas semelhanças. Tudo que ouvi até aqui mostra o quão bem preparada é a Mercedes para trabalhar com clientes. A comunicação e o timing são uma máquina bem lubrificada”, declarou Zak Brown em fala ao site alemão Motorsport-Total.

Lando Norris garantiu à revista inglesa Autosport que o novo motor Mercedes “no geral é um melhor pacote, com mais potência”. Porém, mesmo ainda bastante jovem, o britânico entende que não será simplesmente adaptar a estrutura dos carros para encaixar um novo motor. O processo de transição é complicado, naturalmente.

“Não sei de tudo, então tenho certeza de que alguns pontos negativos existem, e temos uma boa relação com a Renault, então as coisas eram tranquilas antes e serão agora, mas veremos muitas coisas novas. Tenho certeza de que algumas dessas coisas teremos de entender e não serão tão naturais aos mecânicos, aos engenheiros e com a forma que eles entendem tudo”, disse o dono do carro #4.

“Claro que eles vão fazer um grande trabalho nessa transição, e em entender tudo. Mas algumas coisas serão um pouco mais desafiadoras. Porém, no geral, o pacote deve ser muito melhor, e isso nos dá confiança de que nos levará para mais perto do topo”, completou Norris.

Andreas Seidl também demonstra confiança em ver a McLaren seguir no rumo certo, embora adote o habitual pragmatismo. “No fim das contas, você nunca sabe onde está até o primeiro teste. No papel, parecemos fortes”, disse o alemão ao site local F1-Insider.

A McLaren será a terceira cliente da Mercedes, que além da própria equipe de fábrica atende também Aston Martin — novo nome da antiga Racing Point — e a Williams. A maior gama de informações, até pelo fato de ser a fornecedora com mais carros no grid, acaba sendo muito mais benéfica a quem conta com aquele que ainda é, no momento, o melhor motor da Fórmula 1. A Ferrari fornece para sua equipe, além de Alfa Romeo e Haas; Honda entrega seus motores para Red Bull e AlphaTauri antes de sair de cena no fim do ano e a Renault empurra os carros da rebatizada Alpine.

A usina de potência da Mercedes é um dos trunfos para a McLaren viver um ano ainda melhor na Fórmula 1 em 2021. Mas não é o único. Daniel Ricciardo se une a Woking com muita moral depois de tudo o que conseguiu fazer com a Renault, sobretudo no último ano, levando a equipe de Enstone de volta ao pódio, e por duas vezes. Muito experiente e cada vez mais forte, o australiano foi um dos melhores pilotos da temporada passada e vem embalado para manter a boa forma na McLaren. Se é verdade que a escuderia tinha Sainz muito ajustado à sua estrutura, a expectativa é que o espanhol não faça tanta falta assim porque foi substituído à altura por um piloto ainda mais ‘cascudo’ e vencedor.

O grande desafio da McLaren será lidar com a inevitável melhora das suas concorrentes diretas no pelotão do meio. Espera-se que a Ferrari venha mais forte com um aguardado motor mais potente, enquanto a Aston Martin, reforçada pela chegada de Sebastian Vettel, ávido pelo renascimento na Fórmula 1 depois de tudo o que viveu na Ferrari nos dois últimos anos, desponta como grande desafiante. E mesmo a Alpine, reestruturada com a vinda de Davide Brivio e, principalmente, com o retorno de Fernando Alonso, não pode ser descartada. Mas a McLaren tem as suas cartas na manga para permanecer como a terceira força do grid em 2021, tendo o motor Mercedes como fator decisivo para se manter em alta na F1.

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