Retrospectiva 2021: Piastri passa como meteoro pela Fórmula 2 com domínio e título

Oscar Piastri brilhou do início ao fim de uma temporada, foi campeão no seu primeiro e único ano na F2 e levantou um debate: como pode um piloto do seu talento ficar fora da Fórmula 1?

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Oscar Piastri foi o grande nome da Fórmula 2 na temporada 2021. O prodígio australiano chegou à principal categoria de acesso à F1 depois da conquista do título da F3 e logo de cara superou pilotos considerados favoritos e com muito mais cancha na categoria, como Guanyu Zhou, Robert Shwartzman ou mesmo o brasileiro Felipe Drugovich. Com talento ímpar, o jovem membro da Academia da Alpine e pupilo de Mark Webber venceu logo na rodada tripla inaugural, mostrou maturidade singular e muita velocidade, cometeu poucos erros e varreu a concorrência em ano sublime ao conquistar o título da Fórmula 2.

Com 23 corridas disputadas, Piastri somou nada menos que cinco vitórias, enquanto Guanyu Zhou ficou com quatro triunfos e nomes badalados como Robert Shwartzman e Jüri Vips ficaram com somente duas vitórias cada. Oscar marcou ainda um total de 11 pódios, cinco poles seguidas e seis voltas mais rápidas. Desempenho implacável a bordo do carro #2 da equipe italiana Prema Powerteam.

Foi a primeira temporada da Fórmula 2 diante de uma nova mudança de formato do fim de semana. Em 2021, a categoria de acesso, assim como a Fórmula 3, realizou etapas que compreenderam um treino livre, a classificação e três corridas, em confusa definição de um grid que vale para o domingo, na prova principal da rodada, e inversão de grid para as duas primeiras corridas da programação.

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OSCAR PIASTRI; CAMPEÃO; FÓRMULA 2;
Oscar Piastri brilhou com campanha irretocável rumo ao título da F2 (Foto: Fórmula 2)

O formato se configurou num fracasso retumbante, promoveu dois enormes hiatos, um de quase dois meses e outro de mais de dois meses, e tirou do calendário uma pista importante como Spa-Francorchamps. A iniciativa errática fez a direção da F2, capitaneada por Bruno Michel, reverter ao formato antigo, com um calendário de 28 corridas e compartilhamento de parte dos finais de semana com a coirmã Fórmula 3.

Grande nome do ano, Piastri só não pontuou em quatro das 23 corridas do calendário e esteve sempre entre os primeiros. Na primeira parte do campeonato, Zhou se mostrou mais forte e parecia indicar que caminharia para o título com vitórias no Bahrein e em Mônaco, mas daí em diante começou a perder fôlego na luta contra um ascendente Piastri.

Outro grande talento que brilhou na Fórmula 2 em 2021 foi Théo Pourchaire. O talentoso francês, que começou a temporada com apenas 17 anos, se tornou o mais jovem piloto a vencer na categoria depois de triunfar nas ruas do Principado de Mônaco com a ART Grand Prix.

Pupilo do programa de desenvolvimento da Sauber, o francês viveu um ano iluminado, venceu duas vezes no campeonato e ‘colocou no bolso’ pilotos como Jüri Vips, Liam Lawson, Jehan Daruvala, Markus Armstrong e, com larga margem, o experiente companheiro de equipe Christian Lundgaard. A diferença de Théo para o dinamarquês foi de 90 pontos na tabela.

THÉO POURCHAIRE; FÓRMULA 2; ART GRAND PRIX; MÔNACO; VITÓRIA;
Théo Pourchaire foi um dos grandes nomes da F2 em 2021 (Foto: Formula Motorsport Ltd./ART Grand Prix)

Badalado e apontado como um dos favoritos ao título até mesmo pelo fato de continuar com a fortíssima equipe Prema, Shwartzman passou a temporada inteira ofuscado por Piastri. No entanto, o russo arrancou com bons resultados nas últimas corridas e conseguiu superar Zhou para ficar com o vice-campeonato na temporada. Mas, por tudo o que teve às mãos, o resultado foi bem aquém do esperado pelo próprio piloto.

Menção honrosa também para Ralph Boschung. O suíço, que atualmente tem 24 anos, é um veteraníssimo da F2 e disputou sua quarta temporada completa, sempre muito atrás no grid. Até então, o piloto jamais sequer havia chegado ao pódio. Mas em ano surpreendente com a equipe espanhola Campos, Ralph subiu ao pódio em Jedá e em Abu Dhabi, terminou o campeonato em décimo lugar, num resultado pra lá de improvável, e vai seguir com a Campos em 2022.

Quanto aos brasileiros, foram quatro os pilotos que disputaram a Fórmula 2 em algum momento na temporada. Gianluca Petecof, campeão da Fórmula Regional Europeia em 2020, fez as duas primeiras etapas com a Campos e deixou a categoria em razão da falta de combustível financeiro, o popular patrocínio. Enzo Fittipaldi, por sua vez, estreou em Monza, foi bem, chegou a pontuar com a Charouz, mas foi vítima de um acidente fortíssimo na Arábia Saudita e não conseguiu chegar ao fim da temporada.

Guilherme Samaia foi companheiro de equipe de Fittipaldi na Charouz e fez seu segundo ano na categoria. O paulista, no entanto, foi um habitué das últimas posições e zerou em jornada marcada muito mais por incidentes, boa parte deles no início das corridas, do que por boas atuações. Seu melhor resultado foi o 12º lugar na corrida 2 em Yas Marina.

FELIPE DRUGOVICH; F2; FÓRMULA 2; UNI-VIRTUOSI; MÔNACO;
Drugovich viveu poucas alegrias em 2021 na F2 (Foto: Sebastiaan Rozendaal/Dutch Photo Agency)

Felipe Drugovich foi um caso à parte. O paranaense de Maringá chegou à forte UNI-Virtuosi depois de ano de estreia surpreendente vitorioso com a holandesa MP Motorsport. Só que ‘Drugo’ não conseguiu alcançar os mesmos resultados mesmo correndo por um time melhor em 2021. O brasileiro viveu bons momentos, como os dois pódios em Mônaco e outros dois top-3 em Abu Dhabi, mas a temporada como um todo foi mais de baixos que altos.

No fim das contas, mesmo tendo mostrado boa performance em algumas provas, o resultado como um todo foi decepcionante para Felipe, que foi o oitavo no campeonato e marcou 105 pontos e sem nenhuma vitória. Dias depois do fim da temporada, Drugovich anunciou seu regresso à MP para a temporada 2022.

A temporada 2021 da Fórmula 2 coroou um novo e talentoso campeão e, ao mesmo tempo, levantou um grande debate no esporte a motor. Isso porque, mesmo com toda a enorme capacidade demonstrada e com o apoio que conta por parte da Alpine, Piastri não conseguiu subir para a Fórmula 1 para a próxima temporada, tendo de se contentar com a condição de reserva imediato de Esteban Ocon e Fernando Alonso na equipe anglo-francesa. Em contrapartida, o único piloto da F2 que subiu para a F2 em 2022 foi Zhou, o primeiro chinês titular da principal categoria do automobilismo, contratado pela Alfa Romeo para substituir Antonio Giovinazzi neste novo ano.

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