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Alonso no Bump Day escancara o óbvio em Indianápolis: parceria da McLaren com Carlin é erro completo

Fernando Alonso sofreu um duro golpe e não se classificou diretamente para as 500 Milhas de Indianápolis. Agora, o bicampeão mundial vai precisar passar pelo Bump Day para ficar com uma das três vagas restantes, mas já deixa ainda mais claro o erro que foi a parceria da McLaren com a Carlin

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo
Fernando Alonso vai ter de disputar o Bump Day para buscar a classificação para as 500 Milhas de Indianápolis. Neste sábado (18), o espanhol não conseguiu ficar entre os 30 mais rápidos mesmo com cinco tentativas e, assim, vai concorrer com outros cinco pilotos pelas três vagas restantes no grid da principal prova do calendário.
 
O resultado poderia até ser normal para alguém que está apenas em sua segunda participação, que não conhece bem os ovais, mas os problemas vão bem além da inexperiência de Alonso. É verdade que o bicampeão do mundo bateu o carro nos treinos livres e precisou de um novo chassi que nem da McLaren era, mas o buraco é muito mais fundo.
 
Acontece que se trata de uma tragédia anunciada. A McLaren, sem a menor experiência recente em ovais e na Indy, quis investir em uma inscrição solo e, para piorar, firmou parceria com a modesta Carlin. Se em 2017 era a Andretti ali para dar suporte e fazer um dos melhores carros do grid, tudo mudou para 2019. 
Fernando Alonso está no Bump Day (Foto: IndyCar)
E o que se viu na pista foi uma McLaren lenta e uma Carlin pior ainda. Dos quatro carros da dupla, só Charlie Kimball conseguiu se classificar antecipadamente para a Indy 500. Ou seja: Alonso vai ter de competir com os quase-companheiros Max Chilton e Pato O'Ward e, a menos que role um milagre, a Carlin vai desfalcada para a corrida do próximo domingo.
 
Mais do que tentar a Tríplice Coroa no 'modo hard' por ter um carro bem inferior ao de 2017 e a muitos outros do grid, Alonso ainda arrisca a própria reputação, afinal, sequer se classificar para a Indy 500 pode ser uma daquelas manchas no currículo que jamais serão esquecidas.
 
"Acho que temos velocidade. Estamos onde estamos hoje, e amanhã temos uma nova chance de estar na corrida. Se entrarmos, está bem. Se não, é porque não merecemos. O acidente não atrapalhou muito, pra ser sincero. Isso aconteceu na semana inteira. Não temos a velocidade e não vamos achar de uma noite para a outra, então, vamos tentar fazer uma boa volta para ficar nas três posições de classificação", resumiu o espanhol à 'NBC'.
Fernando Alonso foi apenas o 31º (Foto: IndyCar)
Ainda que se classifique - como deve se classificar, afinal, foi 31º hoje -, a perspectiva para a corrida é das piores. Alonso deve aproveitar a experiência das vacas magras e somar quilometragem, somar desafios. Novas chances virão, mas é bom que tanto ele quanto a McLaren parem de subestimar as 500 Milhas de Indianápolis.
 
Além de Alonso, dor de cabeça imensa para James Hinchcliffe. Todos que vão para o Bump Day precisam se preocupar, mas o canadense um pouco mais. Os fantasmas de Indianápolis voltaram para alguém que, em quatro anos, sofreu um acidente grave em uma edição, fez pole na outra e foi bumpado na mais recente. Agora, está de novo com a corda no pescoço após novo acidente.
 
"Não sei bem quanto faltou, mas preciso agradecer muito a equipe. Todo mundo dos carros do Ericsson, Servià e Harvey veio ajudar para colocar o #5 na pista. Era um carro de misto, faltava um monte de coisa, mas conseguimos. Não foi o suficiente, mas estamos vivos, felizmente temos a chance amanhã, eu confio nesse time, temos como achar a velocidade que faltou", comentou Hinch.
James Hinchcliffe com o carro reserva (Foto: IndyCar)
Dentre as belas histórias de classificação direta, duas se destacam, justamente dos dois pilotos que lideravam as apostas para dançarem no Bump Day: Ben Hanley e Pippa Mann. Ele, pela novata DragonSpeed, equipe que estava parecendo a Williams da Indy, várias voltas atrás, muitos segundos mais lenta. Ela, pela total incógnita Clauson-Marshall, equipe da família de Bryan Clauson.
 
"A grande notícia é que fomos muito rápidos a semana toda. A gente achou que faria entre o 23º e o 26º tempo na primeira chance e isso realmente rolou, só que meio que erramos os cálculos em relação a quem iria melhorar os tempos, como ficaria a pista. Eu tive de ficar ali rezando e suando, esperando ver se passava. Só ficava na minha cabeça o medo de rolar tudo igual ano passado", relatou Pippa, que caiu no Bump Day com Hinchcliffe em 2018.
Pippa Mann teve uma classificação heroica (Foto: IndyCar)
Do outro lado da tabela, a Carpenter fez valer o favoritismo construído ao lado da semana e, assim como em 2018, chega ao Fast Nine como grande candidata à pole. Foi Spencer Pigot, por nada mais que 0s001 em relação a Will Power, o mais veloz do dia.

Aliás, a demonstração de força da Chevrolet chamou muito a atenção. Foram nada menos que seis classificados: três da Penske e três da Carpenter.
 
"Claro que me sinto ótimo, todos nossos carros no Fast Nine pelo segundo ano seguido e a minha marca sendo a melhor. A gente nunca parou de trabalhar por essa corrida, a Chevrolet fez um grande trabalho, o Ed tem três carros muito rápidos. Vai ser ótima a disputa interna amanhã. Tenho confiança no time, sabemos do desafio, mas vamos atrás da pole", disse Pigot.
Spencer Pigot liderou o dia (Foto: IndyCar)
Entre os brasileiros, todos os três garantidos sem problemas na Indy 500, mas dá para dizer que Helio Castroneves sai com um gostinho amargo ao ver o domínio da Chevrolet e todos os parceiros de Penske no Fast Nine. 

Os dois da Foyt também podiam até esperar mais, mas a equipe sofreu bem menos que em outras pistas, já é algo positivo.
 
"Foram voltas sólidas, mas não tínhamos a velocidade que achávamos. Tentamos duas vezes, mas viramos quase que a mesma coisa em ambas as tentativas. Mas está ok, agora é focar na corrida. Temos um carro nas primeiras quatro filas, ótimo", declarou Castroneves, 12º no grid.
Tony Kanaan está classificado (Foto: IndyCar)
"Esperávamos um pouco mais, mas o carro estava bom, sei lá. Foi um dia atípico, muito calor e vento, não teve nada disso nos treinos livres, todo mundo teve de superar isso. Mas é isso que foi, espero um bom carro para a corrida", afirmou Kanaan, que larga em 16º.
 
“A nossa segunda tentativa foi bem melhor que a primeira, pois conseguimos melhores condições e melhoramos o carro após falar com o Eric (Cowdin, diretor-técnico) e o Tony (Kanaan). Foi bom para termos uma posição mais segura para garantir nossa vaga na Indy 500 e agora vamos focar na corrida. Acreditamos que temos potencial para buscar um bom resultado na 500 Milhas deste ano”, contou Leist, o 24º no grid.
 

 
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