Dovizioso desperdiça chance de ouro e nem experiência parece ajudar na busca do título

Sem o principal adversário em pista, o italiano da Ducati tem sua melhor chance para sagrar-se campeão. Mas falta de consistência e falhas começam a afastá-lo cada vez da tão sonhada conquista na MotoGP

A temporada 2020 da MotoGP já ganhou o rótulo daquela que ninguém quer sair campeão. Embolada e ainda sem seu principal astro – Marc Márquez –, está difícil apontar um favorito. Andrea Dovizioso até tentou assumir o papel de protagonista, mas agora parece cada vez mais distante do sonho do primeiro título.

O calendário começou conturbado por conta da pandemia do novo coronavírus. Portanto, o Mundial de Motovelocidade se viu obrigado a enxugar o número de provas de 20 para 14, deixando ainda menos espaço para erros dos pilotos. Só nem mesmo a baixa do hexacampeão da Honda tem sido totalmente aproveitada pelos adversários.

Se 2020 não permite erros, coroa aqueles que são os mais regulares, o que não é o caso do italiano da Ducati. A campanha de Andrea até começou em alta com o pódio logo na abertura da temporada, em Jerez de la Frontera. Entretanto, demorou até conseguir repetir um bom resultado – só veio com a vitória no GP da Áustria. Desde então, tem deixado a desejar.

Dovizioso tem se afastado do título (Foto: Divulgação/MotoGP)

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Foram oito corridas disputadas até o momento e com exceção dos dois pódios, terminou entre os cinco primeiros em apenas outra oportunidade, no GP da Estíria – portanto, apenas 37,5% do calendário. Seus demais resultados são um sexto, um 11º, um quinto, um sétimo e um oitavo lugares.

A falta de entrega do competidor de Forli é tanta que, quando esteve na liderança do Mundial de Pilotos, o máximo de vantagem que teve para o segundo colocado foi de apenas seis pontos. Os 84 tentos somados após as primeiras sete provas foi a menor pontuação de um líder em 35 anos no Mundial de Motovelocidade. E a irregularidade cobrou seu preço.

Demorou até Dovi ter seu primeiro zero no campeonato – Fabio Quartaro, Joan Mir e Maverick Viñales, principais adversários pelo título, já haviam abandonado antes que o italiano. Entretanto, ao ser vítima do acidente no GP da Catalunha, se viu despencar para a quarta colocação da tabela, 24 tentos atrás do ponteiro francês da SRT Yamaha.

O próprio piloto já havia admitido não entender como ponteava o campeonato, afinal, a Desmosedici atual falha em velocidade. Mas ainda não se deu por vencido e, mesmo com o acidente em Barcelona, se vê na briga, resta apenas ser veloz.

Mas se por um lado tem faltado em competitividade e consistência, um dos pontos que tem ao seu lado é justamente a imprevisibilidade. Até o momento, são seis vencedores diferentes em oito provas – apenas Quartararo subiu mais de uma vez ao degrau de honra do pódio. Desses, quatro inéditos, mostrando a força dos jovens pilotos. Ainda, foram treze os nomes que já terminaram ao menos uma vez dentro do top-3.

O que falta para Dovizioso engrenar? (Foto: Red Bull Content Pool)

Outro importante fator que joga a favor de Dovi é a experiência. Aos 34 anos, está na classe rainha desde 2008 e tem 223 largadas na MotoGP em seu bolso,  72 a mais que os três primeiros colocados da tabela juntos. Ainda, seus 15 triunfos são mais do que a de seus principais adversários somados.

Mas só isso parece não ser suficiente. Em 2020, Andrea tem a melhor chance para conseguir não apenas seu primeiro título, mas também finalmente tirar a Ducati de uma fila de 13 anos de espera. Só que a confusão interna com a equipe de Borgo Panigale, que resultou em um divórcio, a ascensão dos jovens talentos e a falta de consistência tornam o caminho do competidor cada vez mais tortuoso para colocar as mãos no caneco.

Restam ainda seis corridas para o encerramento do campeonato, ou seja, 150 pontos em jogo. E agora ou Dovizioso adota a postura de vai ou racha, ou vai ter de lidar eternamente com o rótulo de o grande segundão.

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