Permuta e homenagem conjunta: a nova relação entre MotoGP e Fórmula 1

Desde o início da temporada 2021, foi visível a proximidade entre as duas categorias, mas o auge mesmo aconteceu no domingo passado, quando MotoGP e Fórmula 1 prestaram um tributo conjunto a Fausto Gresini

Marc Márquez acabou a corrida em Portimão cansado e emotivo (Vídeo: MotoGP)

MotoGP e Fórmula 1 estão se comportando como verdadeiras irmãs na temporada 2021. Desde o início do campeonato, as duas categorias máximas do esporte a motor mundial vêm mostrando proximidade e isso chegou ao auge no último fim de semana, com um tributo conjunto a Fausto Gresini.

Filhas do mesmo pai ― o esporte a motor ―, as duas séries cresceram distantes uma da outra, mas o tempo acabou por aproximá-las. Verdade seja dita, isso não aconteceu só em 2021. Num passado já muito distante, o Mundial de Motovelocidade serviu até mesmo para fornecer pilotos à elite do automobilismo, com foi o caso do lendário John Surtees, único a vencer nas 500cc e também na F1.

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Homenagem de F1 e MotoGP para Fausto Gresini em dois circuitos diferentes (Foto: Reprodução)

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Mas é legítimo dizer que existe também uma rivalidade. Nas mãos de Bernie Ecclestone, a irmã caçula cresceu para virar um esporte milionário. O britânico, porém, (felizmente) largou mão da série das duas rodas, que cresceu a seu modo, mas que, economicamente, ainda é menor.

Dá para dizer que as duas têm personalidades diferentes. A categoria das duas rodas tem um paddock mais leve, com os pilotos como grandes protagonistas. A F1, ainda que tenha muitos nomes de peso no grid, tem as equipes e construtoras no papel central.

Mas mesmo com as diferenças que as tornam peculiares, as duas classes têm um ponto comum: o fã do esporte a motor. Claro, tem sempre aquele que torce o nariz para uma ou outra, mas as similaridades ainda permitem esse ponto de encontro.

De uns anos para cá, esse intercâmbio ficou mais intenso. Valentino Rossi já testou carros de Ferrari e Mercedes. Jorge Lorenzo também teve a chance de guiar um F1 feito em Brackley. Mais recentemente, Lewis Hamilton guiou a YZR-M1 da Yamaha dividindo a pista com o multicampeão italiano. Antes, o britânico já tinha visitado a categoria. Fernando Alonso também visou o paddock da MotoGP há alguns anos e saiu de lá impressionado com o fato de ter recebido, logo de cara, um passe permanente.

Mas foi em 2021 que a aproximação entre as duas ficou mais evidente. A Pramac, equipe satélite da Ducati, apareceu para a temporada 2021 estampando um logo da Fórmula 1 na carenagem. Até aí, podemos culpar a proximidade entre a equipe e Stefano Domenicali, que antes de assumir o comando da F1 era diretor-executivo da Lamborghini, cujo estúdio de design fez os últimos layouts da escuderia de Paolo Campinotti.

Semana passada, a Fórmula 1 fez um post no Twitter anunciando o que chamou de “super domingo”: o próprio GP da Emília-Romanha, a volta de Romain Grosjean às corridas ― embora não tenha citado nominalmente a Indy ― e o GP de Portugal de MotoGP.

Mas, mais do que isso, MotoGP e Fórmula 1 se uniram para um tributo a Fausto Gresini. Bicampeão das 125cc, o italiano morreu em fevereiro passado, vítima da Covid-19. O ex-piloto e dirigente já tinha sido homenageado durante o GP do Catar, que abriu o campeonato do Mundial de Motovelocidade neste ano, mas o novo minuto de silêncio uniu Portimão a Ímola, a terra natal de Fausto, com a presença da família Gresini.

Além de um momento bonito, o evento simultâneo marcou ainda mais a proximidade entre as duas séries. É difícil imaginar o quão mais próximas as categorias ainda podem ficar, mas, em um mundo tão conectado, é bom ver uma classe servindo de escada uma para a outra. Ainda que as etapas estejam coincidindo em fins de semana, MotoGP e Fórmula 1 têm tido o cuidado de correr em horários diferentes, o que beneficia o fã do esporte, sempre ávido por corridas.

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