Retrospectiva 2021: Aprilia cresce, vai ao pódio e ganha reforço inesperado na MotoGP

Desde que voltou à classe rainha do Mundial de Motovelocidade, em 2015, a casa de Noale tentava se aproximar do top-3, mas foi só neste ano que os italianos conseguiram um terceiro lugar com Aleix Espargaró no GP da Grã-Bretanha. Além da evolução em termos de performance, a Aprilia conseguiu um inesperado trunfo: a chegada de Maverick Viñales

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A Aprilia, enfim, deu sinais de que cresce na MotoGP. Na sétima temporada desde que voltou à classe rainha do Mundial de Motovelocidade, em 2015, a casa de Noale reencontrou o pódio e também esteve no lugar certo e na hora certa para aproveitar o divórcio caótico entre Maverick Viñales e Yamaha.

É bem verdade que a Aprilia percorreu um longo caminho para poder ser pauta de notícias positivas. Mas é ainda mais legítimo dizer o rumo da equipe começou a mudar com a chegada de Massimo Rivola. Vindo da Fórmula 1, o italiano conseguiu reorganizar a equipe e ainda liberar Romano Albesiano para focar só na parte técnica.

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Contratação de Maverick Viñales foi grande acerto da Aprilia (Foto: Aprilia)

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2021, contudo, começou com um erro importante. Apegada a Andrea Iannone, a Aprilia optou por esperar o julgamento do recurso contra a suspensão de 18 meses imposta pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) após um teste positivo para doping. O voto de confiança pode até ter sido fofo, mas foi um erro grosseiro, já que o Tribunal Arbitral do Esporte aceitou os argumentos da Agência Mundial Antidoping e ampliou o gancho para quatro anos.

Sem Andrea, a Aprilia foi rejeitada por três novatos: Marco Bezzecchi, Joe Roberts e Fabio Di Giannantonio ― que tinham motivos mais do que justos para isso, já que a casa de Noale não tem um histórico dos melhores com jovens competidores. A solução? Tirar o experiente Bradley Smith de cima da RS-GP ainda no fim de 2020 e entregar a moto a Lorenzo Savadori, que foi promovido a titular mesmo com um currículo pífio diante dos pares da MotoGP.

Com este remendo, Aleix Espargaró acabou mais uma vez como defensor solitário da honra da Aprilia. Considerando que o catalão foi melhor do que todos os outros colegas de RS-GP, isso não é exatamente um problema para o irmão de Pol, mas não ajuda na evolução da moto, já que um único piloto fica responsável pelo desenvolvimento da moto.

Mas, como dizem por aí: há males que vêm para o bem. No caso da Aprilia, o doping de Iannone, a rejeição dos jovens e até a esperada falta de performance de Savadori veio a calhar, já que deixou a equipe em uma posição confortável para tirar proveito do caos que se instalou entre Viñales e a Yamaha.

Amigo desde os tempos em que dividiram os boxes da Suzuki, Aleix foi o primeiro a sinalizar para a Aprilia que Viñales era uma possibilidade. Afinal, antes de ser dispensado, o espanhol tinha conseguido reduzir pela metade a duração do contrato vigente com o time de Iwata.

De forma inesperada, contudo, Maverick foi flagrado pela Yamaha tentando danificar a YZR-M1 no GP da Estíria, o que resultou em uma suspensão na Áustria e uma posterior dispensa pelos japoneses.

Assim, a Aprilia teve chance de colocá-lo na pista ainda em 2021, antecipando um casamento que aconteceria apenas em 2022.

Antes da chegada de Viñales, porém, a Aprilia alcançou o primeiro pódio nesta nova fase da MotoGP: um terceiro lugar com Aleix no GP da Grã-Bretanha. O top-3 não foi fruto de sorte ou do acaso. O pai dos gêmeos Max e Mia precisou segurar Jack Miller até os metros finais e garantiu a posição com só 0s149.

Apesar de ter sido um ano de performance mais destacada, a Aprilia somou 121 pontos, 236 a menos do que a campeã Ducati, e ficou com a lanterna do Mundial de Construtores. Na disputa entre equipes, foram 135 tentos, 298 a menos do que o duo formado por Francesco Bagnaia e Jack Miller, o que rendeu o nono posto, diante apenas de SRT e Tech3.

É claro que os números não mostram nada assim tão positivo, mas ver a Aprilia andando mais na frente, brigando por pódios e sonhando mais alto serviu para motivar não só os fãs, mas também os próprios funcionários.

Em 2022, a casa de Noale entra em uma nova fase, já que se separa da Gresini, que a abrigou até aqui, para ser oficialmente uma equipe de fábrica. Com Aleix e Viñales trabalhando juntos, os italianos têm motivos de sobra para olhar com bons olhos para o próximo campeonato.

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