Suzuki e KTM ressurgem para dificultar vida de Ducati e Yamaha na Itália

Tímidas até então, Suzuki e KTM apareceram mais fortes nesta sexta-feira (28) para aumentar a dificuldade para Ducati e Yamaha nesta sexta etapa da temporada 2021 da MotoGP

Francesco Bagnaia aproveitou para parabenizar Maverick Viñales pelo nascimento da filha (Vídeo: MotoGP)

Ducati e Yamaha não serão protagonistas solitárias no GP da Itália deste fim de semana. As duas montadoras abriram os trabalhos em Mugello em alta, mas viram Suzuki e KTM aparecerem para atormentar.

Ao final do primeiro dia de testes, a Ducati ficou com a liderança, com Francesco Bagnaia estabelecendo em 1min46s147 o melhor tempo do dia. Álex Rins colocou a Suzuki no segundo posto, 0s071 atrás do piloto de Torino, com Franco Morbidelli aparecendo com a melhor Yamaha para fechar um top-3 coberto por 0s225.

Francesco Bagnaia saiu satisfeito do primeiro dia de treinos em Mugello (Foto: Ducati)

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Mas não foi só o topo da tabela que viu variação das fábricas. Todas as seis marcas colocaram representantes no top-10: duas Ducati, uma Suzuki, três Yamaha, duas KTM, uma Honda e uma Aprilia.

Vencedora das últimas três edições do GP da Itália ― que não foi disputado no ano passado por causa da pandemia de Covid-19 ―, a casa de Borgo Panigale desembarcou na Toscana como favorita, especialmente por conta da força do motor. Em uma pista com uma reta de 1.141 metros, a velocidade sempre faz a diferença.

No ranking de velocidades, a Ducati correspondeu à expectativa e colocou cinco das seis motos no top-10 do speed trap. O primeiro dia de treinos, porém, mostrou que velocidade não é tudo. Com a marca de 339,6 km/h ― ou seja, 12,6 km/h mais lento que a maior marca, atingida por Michele Pirro ―, Franco Morbidelli foi quem registrou a menor velocidade, mas garantiu o terceiro posto no dia.

   Km/h
1M PIRROPramac Ducati357.6
2M OLIVEIRAKTM356.4
3B BINDERKTM355.2
4J MILLERDucati355.2
5F BAGNAIADucati354
6J ZARCOPramac Ducati352.9
7A RINSSuzuki352.9
8E BASTIANINIAvintia Ducati351.7
9I LECUONATech3 KTM351.7
10T NAKAGAMILCR Honda351.7
11J MIRSuzuki351.7
12P ESPARGARÓHonda351.7
13A MÁRQUEZLCR Honda351.7
14D PETRUCCITech3 KTM350.6
15A ESPARGARÓAprilia Gresini350.6
16M VIÑALESYamaha349.5
17F QUARTARAROYamaha349.5
18M MÁRQUEZHonda349.5
19L MARINIAvintia VR46 Ducati348.3
20V ROSSISRT Yamaha347.2
21L SAVADORIAprilia Gresini345
22F MORBIDELLISRT Yamaha339.6

Como bem previu Fabio Quartararo, o favoritismo e o histórico recente da Ducati na pista de propriedade da Ferrari não são tudo. Afinal, são muitas as curvas em que motos ágeis como a YZR-M1 e a GSX-RR podem fazer a diferença.

Em uma sessão tão diversificada, Bagnaia saiu mais do que satisfeito com a liderança e quase dando pulinhos de alegria por estar de volta à Mugello.

“Estou encantado com o primeiro dia em Mugello!”, resumiu Pecco. “Comparado com os GPs anteriores, aqui me senti muito ais confortável desde o começo! Fizemos um grande trabalho no acerto da Desmosedici, o que me permitiu encontrar imediatamente a sensação com a moto e cravar meu melhor tempo nesta pista”, comentou.

“O GP da Itália é nossa corrida de casa e é crucial ter uma boa largada. Amanhã, depois de fazer o tempo de ataque no TL3, teremos também o TL4 disponível para confirmarmos algumas escolhas e, se continuarmos nesta direção, tenho certeza de que poderemos lutar nas posições top na corrida”, assegurou.

Companheiro de Pecco na Ducati, Jack Miller chega à Itália embalado por duas vitórias na temporada, mas fechou o dia em décimo, 0s541 atrás de Pecco. O australiano, contudo, não está preocupado, pois não usou um pneu traseiro macio novo no final da atividade.

“É realmente bom voltar à Mugello, uma pista verdadeiramente fantástica! Hoje, focamos principalmente em entender os três diferentes tipos de pneus que temos para trabalhar na corrida. Avaliamos as características de cada opção, também encontrando as modificações que precisamos fazer no acerto da moto”, afirmou Jack. “Amanhã, no TL3, vamos tentar meu verdadeiro tempo de ataque com os pneus macios para garantir um lugar direto no Q2. No geral, estou muito feliz com o primeiro dia”, resumiu.

Álex Rins saiu animado do primeiro dia de testes em Mugello (Foto: Suzuki)

Pertindo no líder, Álex Rins saiu bastante satisfeito deste dia inicial e confiante de que pode conseguir um bom resulta para aplacar a fase negativa que vive.

“Hoje foi um dia bom e produtivo no escritório!”, comentou Álex. “Desde o TL1, nós tentamos encontrar a fluidez necessária para extrair o máximo de Mugello. Consegui encontrar essa sensação rapidamente e me senti forte quando avaliei diferentes opções de pneus”, reportou.

“Consegue fazer bons tempos de volta nas duas sessões, especialmente no TL2, mas ainda precisamos seguir trabalhando, pois, com certeza, será uma corrida apertada”, previu. “Fizemos algumas melhorias em termos eletrônicos e, até agora, a moto parece boa e sentimos muito confiantes em relação aos próximos dias”, acrescentou.

Joan Mir não saiu assim tão satisfeito, já que não ficou muito confortável com a moto da Suzuki na pista da Toscana.

“Estou um pouco decepcionado pelo final do treino, me atrapalharam e eu não pude acabar a segunda volta rápida”, relatou Mir. “A moto tem potencial, mas não tive uma boa fluidez, não fui completamente rápido. Sabemos de onde vem o problema, mas lutei um pouco com ela. Sabemos que a moto funciona, então amanhã vou tentar exprimir todo o potencial”, avisou.

O campeão vigente explicou que sentiu a Suzuki muito agressiva no primeiro dia de treinos em Mugello.

“A moto empina muito, se move muito na saída das curvas. Tenho de fazer muito esforço para ser rápido, não estou cômodo e isso me prejudica um pouco em tudo, não era constante”, detalhou. “A moto fica mais física do que já é nesta pista. Estou confiante, porque a moto vai bem e têm potencial. Veremos até onde podemos chegar amanhã”, comentou.

Mir, porém, negou que a instabilidade da moto tenha relação com as novidades trazidas pela Suzuki para o GP da Itália.

“As novidades são para ter um pouco mais de velocidade na reta, para ter uma boa aceleração”, apontou. “Não tem nada a ver. São pequenas melhoras que se percebem muito pouquinho, mas na MotoGP os detalhes fazem a diferença e são sempre bem-vindos. É mais uma questão de acerto e geometria, mas precisamos ajustar um pouco mais a moto, porque agora é complicado acabar a volta. Espero ser competitivo amanhã”, declarou.

Franco Morbidelli celebrou o bom início em Mugello (Foto: SRT)

Terceiro na tabela, Franco Morbidelli ainda quer entender qual melhor pneu para o fim de semana, mas ficou satisfeito com a performance exibida.

“Antes de mais nada, é ótimo estar de volta a Mugello. Esta pista é única e é um enorme prazer pilotar aqui outra vez. Sempre esquecemos o quanto é boa e parece ainda melhor sendo rápido aqui”, comentou Franco. “Consegui fazer boas voltas com pneus usados e entender um pouco mais coisas sobre a moto. Consegui fazer uma boa volta com pneus macios e ficar no top-3”, seguiu.

“Ainda precisamos decidir que pneus vamos usar na corrida, mas estamos olhando cada detalhezinho na moto e tenho dado tudo de mim quando piloto. Acho que podemos nos sair bem com essa combinação”, opinou. “Esta corrida de casa é uma sensação diferente e tenho motivação extra para ir bem, embora seja uma grande pena não termos uma grande multidão nas colinas neste domingo”, lamentou.

Líder do campeonato, Fabio Quartararo fechou o dia na quarta colocação, mas o resultado não impediu a irritação, já que o piloto se incomodou com o intenso tráfego.

“Fiz uma volta rápida, mas não sei como e nem porque, mas tinha muita gente no primeiro setor, no segundo e no terceiro. Não pode ter tantos pilotos esperando no segundo treino livre”, disparou. “Não faz sentido. Posso entender na classificação, não nos treinos livres”, insistiu.

“Se punem os pilotos da Moto3 que esperam os outros, por que não fazem isso também na MotoGP? Somos mais rápidos do que eles e é mais perigoso. Eu tento não atrapalhar ninguém. Não é possível encontrar pilotos no meio do caminho quando está em volta rápida”, frisou.

Além do incômodo com os rivais, Fabio destacou que tampouco de sentiu confortável com a moto no TL1, mas notou uma sensível melhora na sessão vespertina.

Fabio Quartararo reclamou de tráfego na Itália (Foto: Yamaha)

“Honestamente, tive uma sensação ruim nesta manhã com o pneu traseiro. Mas, de tarde, com o mesmo composto, fiz ótimas voltas com muitas consistência”, contou. “Minha segunda saída foi muito boa. Fiz 1min47s baixo por cinco voltas. Nosso ritmo parece realmente ótimo e me sinto confortável”, relatou.

“Ainda temos algumas coisinhas para melhorar. Coisas como ajustar a eletrônica e a minha pilotagem ao invés de mexer no acerto da moto”, falou. “No geral, me sinto bem e acho que temos um ótimo potencial nesta pista. Fiz uma boa volta no TL2, mas honestamente não sei como, pois tinham muitos pilotos lentos nos setores 1, 3 e 4”, insistiu.

Dupla de Quartararo na Yamaha, Maverick Viñales se mostrou bastante animado, mas ainda quer seguir melhorando.

“Me senti bem logo de cara o TL1. Me sinto muito bem nesta pista. Estava me sentindo muito bem encaixado de manhã e de tarde”, comentou Viñales. “Acho que amanhã daremos um grande salto em termos de tempo de volta, pois hoje não fizemos um tempo de ataque. Não foi um tempo bom, então tenho certeza de que podemos ser mais rápidos”, avaliou.

“Mas, de qualquer forma, o que é mais importante é o nosso ritmo. Estamos construindo confiança passo a passo, como em Le Mans, onde me senti muito bem nas primeiras voltas. Senti que tinha potencial para vencer lá se tivesse permanecido no seco. Precisamos seguir avançando”, destacou.

Do lado da Honda, Marc Márquez confirmou a expectativa por um fim de semana duro. O espanhol foi 13º, 0s826 mais lento do que Bagnaia.

“Não mudamos muito o acerto da moto hoje, trabalhamos mais em pequenas coisas e a posição na moto para me ajudar a pilotar. Precisamos ser pacientes. Não estou pilotando como gostaria e conseguimos entender rapidamente nossas limitações”, falou Marc. “Sabia que seria um fim de semana difícil antes mesmo de começar. Amanhã veremos a situação, mas no momento estamos focando em nós mesmos, fazendo nossas voltas e conseguimos melhorar um pouco a nossa posição”, encerrou.

A largada do GP da Itália, sexta etapa da temporada 2021 da MotoGP, está marcada para domingo, às 9h. Acompanhe a cobertura do GRANDE PRÊMIO sobre o Mundial de Motovelocidade.

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