Do sucesso na estreia à rasteira do cancelamento: o que será da W Series

A W Series tomou a difícil decisão de cancelar a temporada 2020 por conta do coronavírus. Depois do sucesso retumbante do campeonato inaugural, a categoria já prometeu um 2021 maior e melhor - e não há motivos para duvidar

A W Series nem bem nasceu em 2019 e já foi colocada em espera em 2020. Por conta da situação mundial do coronavírus, a categoria anunciou que não realiza o campeonato deste ano pensando na saúde e segurança de todos os envolvidos. Mas já deixou o recado: volta com força total em 2021. E não há motivos para pensar diferente.

A categoria feminina teve seu debute em maio do último ano, mas os primeiros passos aconteceram bem antes, em outubro, com o processo seletivo. Com as 18 pilotas escolhidas dentre as 100 inicialmente inscritas, foram disputadas seis etapas e a primeira campeã coroada foi Jamie Chadwick. A premiação entre todas as pilotas do grid foi algo em torno de $ 1.5 mi [cerca de R$ 7.8 mi].

Os planos para 2020 eram ainda mais ambiciosos. O número de etapas cresceu, pulando para oito, além de distribuição de pontos para superlicença e duas etapas preliminares da Fórmula 1. Mas com a chegada da pandemia, Catherine Bond Muir, chefona da categoria, em parceria com FIA, DTM e F1, tomou a difícil decisão de cancelar o campeonato do corrente ano. Portanto, carro na pista apenas em 2021.

Essa cena não sera vista em 2020 (Foto: W Series)

Então, a resposta a se responder no momento é: e agora? As atividades do esporte a motor começam a retomar aos poucos, a Indy já iniciou sua temporada, assim como a Nascar. Fórmula 1 e MotoGP também já divulgaram os calendários e estão na expectativa das respectivas etapas. A W Series ficou para trás? A continuidade está em risco?

Sendo direta, a resposta é não. Antes mesmo da notícia do cancelamento do campeonato, Catherine já havia acalmado o coração dos mais ansiosos. Em entrevista, a diretora-executiva explicou que o modelo de negócio da categoria era sustentável o suficiente para não depender da realização de corridas em 2020.

“Nosso negócio é robusto o suficiente. Vamos correr no próximo ano independente do que acontecer neste ano. No momento, não precisamos de dinheiro para continuar. Obviamente, na F1, o maior ganho vem dos promotores e da TV, precisam correr para isso. Não temos o mesmo modelo de negócio. Ironicamente, sendo tão novos como somos, é uma vantagem”, contou ao The Guardian.

Chadwick foi quem brilhou na temporada de estreia (Foto: W Series)

A categoria feminina esboçava retomar as atividades junto com o DTM, afinal, é o evento preliminar do campeonato alemão. Entretanto, com um calendário em apenas três países, ficou a dúvida se seguiria com o plano. Originalmente, o desejo era passar também por praças como Itália, Rússia e Holanda, além, claro, de ir aos Estados Unidos e México junto com a Fórmula 1.

Então, com o martelo batido, à W Series só restou lamentar, dizendo que “após o retumbante sucesso em 2019, a decisão de não ter corridas até 2021 não é fácil. Entretanto, já estamos trabalhando em um animador calendário e estamos felizes em confirmar que correremos com a Fórmula 1 em 2021, incluindo Estados Unidos e México”.

Reforçando o discurso, o apoio recebido foi fundamental, começando pela ROKiT, empresa de telecomunicações que entrou como principal patrocinadora da categoria em 2020. “A ROKiT entende completamente e apoia a decisão tomada pela W Series de adiar a temporada do mundo real. Estamos muito ansiosos para o retorno das atividades na pista, no ano que vem. A temporada 2021 da W Series vai ser fantástica”, declarou.

E até mesmo as pilotas “me apoiaram totalmente, mesmo tendo seus sonhos despedaçados”, como escreveu Catherine em suas redes sociais. “Triste por não correr com a W Series neste ano, mas concordo totalmente com a equipe e sua decisão. Mal posso esperar a temporada e seus planos para 2021”, disse Alice Powell.

Tomaselli faria sua estreia na W Series em 2020 (Foto: W Series)

Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Bruna Tomaselli, única brasileira do grid, também falou algumas palavras. “Fiquei triste com a notícia de que não correremos este ano, mas a W Series fez o que é o melhor pensando na saúde de todos da equipe”.

Portanto, é um duro golpe não ter corridas reais da W Series – que começou seu campeonato virtual na última semana e vai contar com outras nove etapas. Com sucesso e chamando a atenção, a categoria, que surgiu em meio a debates, afinal, segregar não é o melhor caminho para incluir, se mostrou cumprir bem o objetivo de trampolim para as pilotas. Nessa semana, Jamie Chadwick assinou com a Prema para a Fórmula 3 Regional. “Não estaria nessa posição se não fosse a temporada do ano passado”, agradeceu a inglesa.

Então, não há com o que se preocupar para 2021. Com organização, apoio fundamental de todos os envolvidos e um modelo de negócio sustentável que independe de dinheiro para correr, a única dúvida que realmente resta para o próximo ano é quando e onde acontece a primeira etapa do calendário.

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