F1

Em pista curta e real, F1 traz ar (muito quente) de incógnita na Áustria

Depois do terrível GP da França e das listras que perdoam os erros, a Fórmula 1 volta a um circuito de verdade, veloz e traiçoeiro, e que não isenta os equívocos dos pilotos. O calor e o vento na região do Red Bull Ring fizeram suas vítimas, e a sexta-feira fechou com mais perguntas do que respostas

GRANDE PRÊMIO / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
Depois do papelão na França, em uma pista que perdoa erros e não oferece nada de espetáculo, a Fórmula 1 se reencontra com um traçado de verdade, neste fim de semana, na Áustria. E tem a chance da redenção. Histórico como Paul Ricard, é verdade, o Red Bull Ring se apresenta infinitamente mais interessante e veloz, além de traiçoeiro e capaz de mudar a ordem das coisas muito rapidamente. Tanto que a sexta-feira (28) de treinos livres acabou inconclusiva e deixou diversas pontas soltas, um pouco pela influência do calor e do vento, mas também pelos incidentes e até pela peculiar escolha de pneus dos principais nomes da tabela. De toda a forma, a Ferrari de Charles Leclerc fechou o dramático dia austríaco na frente, mas nem de longe traduz o que foi realmente a abertura das atividades da F1.

A sessão da manhã começou apurada para Mercedes e Ferrari. A primeira se viu em uma louca troca de unidade de potência do carro de Valtteri Bottas. A especificação introduzida há duas provas apresentou um vazamento de óleo logo cedo e forçou a mudança para uma melhor avaliação do motor. A equipe alemã ainda precisou lançar mão de asas dianteiras extras, e isso nos dois carros. Tudo por conta das excêntricas zebras da pista austríaca - a Red Bull, a Renault e a Racing Point também deixaram suas asas pelo caminho. A esquadra italiana, por sua vez, decidiu alterar o assoalho antigo do carro de Sebastian Vettel, o que o prendeu nas garagens. Ele ainda conseguiu voltar em tempo de cravar a segunda marca do dia, agora usando o elemento revisado. 
Max Verstappen errou e perdeu a chance de trabalhar para a corrida (Foto: AFP)
Lewis Hamilton acabou com o melhor tempo, sempre andando de pneus vermelhos. Aliás, foi pouca coisa mais veloz que Vettel – apenas 0s144. Mas o alemão guiava curiosamente com os pneus médios. A explicação está mais na escolha dos conjuntos de pneus: os prateados optaram por bem menos jogos de compostos amarelos. No caso do inglês, dois jogos, contra quatro do ferrarista e cinco de Leclerc. Uma conta que a Mercedes terá de pagar mais tarde se não for cuidadosa. 

Mas foi durante a quente tarde entre as montanhas de Spielberg que a coisa pegou mesmo. O asfalto ultrapassou fácil os 50ºC e o vento foi um desafio, daí muitas escapadas de pista – o que faz deste circuito tão interessante e o que já para esperar da corrida: ele não isenta os pilotos dos erros. Bottas e Max Verstappen que o digam. O holandês, dono de grande torcida na Áustria, escapou de traseira na curva final e estampou o muro de proteção, danificando bem o Red Bull #33. Perdeu todo o restante da sessão, e esse tempo desperdiçado vai fazer falta.

Depois foi a vez do finlandês, só que um pouco antes no circuito. Valtteri perdeu a traseira do W10 na curva 6 e foi ao encontro da barreira de proteção, destruindo a suspensa dianteira e a parte lateral do carro. Os mecânicos terão trabalho até o treino 3 amanhã. Por conta dos dois incidentes, a sessão precisou ser interrompida. E isso limitou as simulações de classificação de muita gente. E é o que explica em partes a liderança ferrarista.

Mesmo tendo mais jogos de pneus vermelhos, Hamilton não andou forte o bastante durante o treino, mas fez uma belíssima simulação de corrida, o que já preocupa os rivais. Vettel, por sua vez, também foi vítima da curva final, escapou ali, mas saiu ileso de qualquer acidente mais sério. Só que Seb também não se empenhou em classificação, deixando o foco para a corrida mesmo. Ou seja, o real desempenho para definição do grid só será revelado neste sábado, especialmente porque a Mercedes sequer foi à pista com os compostos médios – que devem compor a estratégia da prova.
Valtteri Bottas não teve melhor sorte (Foto: Mercedes)
Em termos de corrida, Hamilton foi quem apareceu mais forte. O inglês andou tanto com os pneus vermelhos como com os duros. Em cima do C4, guiou na casa de 1min08s7 de tanque cheio, mas o que chamou atenção foi mesmo a performance com os compostos brancos: sempre em 1min09s6. Praticamente o mesmo ritmo de Leclerc, mas com os pneus macios. Com os mesmos duros, os dois pilotos da Ferrari andaram em 1min10s.

Assim sendo, o pouco do que se dá para tirar de hoje é que a Ferrari vem rápida, talvez tanto quanto no Canadá, mas terá trabalho em corrida, que é a força da Mercedes. Entre elas, pode-se colocar Verstappen. Vencedor no ano passado, o holandês não se dará por vencido. Além disso, o clima, as zebras e a pista de verdade do Red Bull Ring devem contribuir para um melhor espetáculo do que na semana passada.

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