Haas tem candidatos de perfis diferentes para seguir como está ou mudar de vez em 2021

A caçula do grid da Fórmula 1 tem pela frente uma decisão crucial que passa pela manutenção ou pela troca da sua dupla de pilotos. Romain Grosjean está no time de Kannapolis desde sua criação, em 2016, e Kevin Magnussen integrou a equipe a partir do ano seguinte. Em tempos de eleição, há muitos candidatos caso Gene Haas e Guenther Steiner queiram mudar pra valer

É tempo de eleição. Momento muito esperado para avaliar os candidatos, analisar os prós e contras, as propostas e o que cada um pode oferecer. E, aí, sim, fazer a escolha correta e garantir as bases de um bom futuro.

Mas aqui, o texto não faz menção às eleições municipais no Brasil e tampouco à escolha entre Donald Trump e Joe Biden nos EUA, em votações que vão ser realizadas em novembro. A questão a seguir também envolve os Estados Unidos, mais precisamente a única equipe norte-americana no Mundial de Fórmula 1, a Haas, e quem vai representá-la no grid de largada na próxima temporada.

A escuderia sediada em Kannapolis, nos Estados Unidos, e também em Bunbury, na Inglaterra, está numa encruzilhada: ou mantém Romain Grosjean e Kevin Magnussen, que são titulares da equipe desde 2016 e 2017, respectivamente, ou muda tudo e traz novas ideias e uma nova motivação nos boxes com outros pilotos.

Permanência de Romain Grosjean e Kevin Magnussen para 2021 está em xeque (Foto: Haas)

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Um ponto claro é que, mesmo com um dos piores conjuntos carro e motor de todo o grid na temporada, Grosjean e Magnussen têm feito muito pouco. O franco-suíço tem sido motivo de chacota há muito tempo, e as piadas só aumentaram depois que o piloto não conseguiu fazer o contorno por fora da curva 2 do circuito de Sóchi no último GP da Rússia e acertar em cheio a placa de isopor.

K-Mag mostra ser um pouco mais competitivo, às vezes faz ótimas largadas, como foi também no domingo passado. Na Hungria, o dinamarquês de 27 anos marcou o seu único ponto e, por consequência, o único tento da Haas até agora num total de dez corridas.

O fato é que a Haas, depois de uma excelente temporada 2018, quando brigou praticamente até o fim com a Renault para ser a quarta força do grid, jamais conseguiu ser minimamente competitiva como antes. Desde o ano passado, parecia claro que era preciso mexer na dupla de pilotos, mas Gene Haas e Guenther Steiner optaram por permanecer com Grosjean e Magnussen para 2020. O resultado, novamente, em que pese a combinação de um carro tenebroso e um motor que não anda, é simplesmente nulo.

F1; HAAS; GUENTHER STEINER;
O carismático Guenther Steiner avalia os candidatos a uma vaga na Haas em 2021 (Foto: Haas/Twitter)

Recentemente, Steiner, dirigente italiano de nome alemão que é uma das estrelas do documentário ‘Drive to Survive’, da Netflix, afirmou que a próxima dupla da Haas, seja quem for, vai ficar por pelo menos dois anos. A continuidade é vista pelo chefe da equipe como base fundamental em razão da transição de regulamento que a Fórmula 1 vai viver a partir de 2022.

Steiner também revelou que trabalha com uma extensa lista de pelo menos dez candidatos para ocupar um cockpit na equipe a partir do ano que vem. Grosjean e Magnussen, ao menos não textualmente descartados, também fazem parte desta relação, mas correm cada vez mais risco de perder os respectivos empregos ao fim da atual temporada. Kevin também listou cinco pilotos que enxerga tê-los como concorrentes a uma vaga para 2021.

A seguir, dentre nomes com mais chances e outros menos prováveis, saiba quem pode estar no radar da caçula do grid da Fórmula 1 no ano que vem.

Romain Grosjean, 34 anos, está na Haas desde que a equipe passou a integrar o Mundial de Fórmula 1, em 2016. Trouxe na bagagem a experiência dos anos de Renault e Lotus e viveu alguns bons momentos com a equipe americana, além de frustrações com resultados que seriam incríveis, como no GP da Austrália de 2018, após ver a roda do seu carro se soltar. Desde o ano passado, o franco-suíço somou apenas 8 pontos no Mundial.

Kevin Magnussen, 27 anos, estreou em 2014 como piloto da McLaren. Perdeu a vaga no ano seguinte para dar lugar a Fernando Alonso. De última hora, substituiu Pastor Maldonado na Renault naquela temporada, onde ficou somente um ano. Desde 2017, faz parte da Haas. É visto por muitos nomes do grid como um piloto ‘sujo’ nas suas manobras. Mostra até ter potencial de crescimento, mas nada indica que esta evolução vai ser alcançada na Haas. Talvez, uma saída faça bem ao próprio dinamarquês.

Sergio Pérez, mexicano de 30 anos, compreende um dos mais atrativos pacotes da Fórmula 1. O piloto de Guadalajara traz a experiência de dez temporadas em conjunto com os oito pódios, todos por equipes médias — Sauber e Force India —, além do patrocínio infinito das empresas do bilionário Carlos Slim. Reconhecidamente bom piloto, ‘Checo’ perdeu lugar na Racing Point/Aston Martin para Sebastian Vettel em 2021. Desde então, busca um lugar no grid. Disse que só fica se tiver pela frente um projeto sólido e competitivo, indicando que não vai ficar na Fórmula 1 só para fazer número. Já teve seu nome ligado à Haas, Alfa Romeo e até mesmo à Red Bull. Faz parte da lista de cinco pilotos feita por Magnussen.

SERGIO PÉREZ; F1; FÓRMULA 1; RACING POINT; TOSCANA; MUGELLO;
Sergio Pérez na Haas? Steiner se perguntou: “Será a melhor opção a longo prazo?” (Foto: Racing Point)

Nico Hülkenberg, 33 anos, alemão dono de 178 GPs disputados e, em que pese as piadas por ainda não ter pódio na Fórmula 1, é inegavelmente um nome que segue sendo muito forte e merece ser considerado. Não tem os polpudos patrocinadores de Pérez, mas também reúne muita maturidade e experiência ao longo de 11 temporadas no Mundial. Nas duas vezes em que precisou substituir o mexicano, infectado pelo coronavírus, em Silverstone, fez um trabalho bem feito pela Racing Point e mostrou que tem muita lenha para queimar. Tendo um carro decente às mãos, seja na Haas ou em qualquer outra equipe, certamente vai entregar bons resultados. Também integra a lista do dinamarquês, seu desafeto declarado.

Mick Schumacher, 21 anos, filho do heptacampeão Michael Schumacher e líder da Fórmula 2 em uma temporada marcada por maturidade e consistência. Está com um pé dentro da F1 no ano que vem. E apesar do interesse que possa haver da Haas e de figurar na lista feita por Magnussen, o piloto vinculado à Academia da Ferrari parece estar a caminho da Alfa Romeo. Vai ser pelo time de Hinwil que o jovem vai fazer seu primeiro treino oficial na F1 no TL1 do GP de Eifel, em Nürburgring, em 9 de outubro. Tem 30 pontos na superlicença e depende só de um sexto lugar na temporada da F2 para conseguir o documento que o habilita a pilotar na principal categoria do automobilismo. Questão de tempo para chegar lá, mas pouco provável que seja pela Haas.

Callum Ilott, também 21 anos e, assim como Schumacher, faz parte da Academia de Pilotos da Ferrari. O piloto nascido em Cambridge, na Inglaterra, vai pilotar para a Haas no TL1 em Nürburgring. Precisa terminar pelo menos em quarto na temporada da Fórmula 2 para obter os pontos da superlicença. Atualmente, tem 25. Faz uma temporada muito boa na categoria, com direito a três vitórias pela UNI-Virtuosi, mas perdeu fôlego depois de uma ótima primeira metade do campeonato. Também integra a lista quíntupla feita por Magnussen.

F2; FÓRMULA 2; CALLUM ILOTT; SILVERSTONE;
Callum Ilott vai testar o carro da Haas no TL1 em Nürburgring (Foto: F2)

Robert Shwartzman forma a trinca dos pilotos da Academia da Ferrari que estão se destacando na Fórmula 2 neste ano. Campeão da F3 em 2019, o russo de 21 anos despontou como franco favorito ao título da principal classe de acesso à F1 nas primeiras corridas, ganhou três vezes, mas despencou e já está quatro provas sem pontuar. Mesmo assim, além do apoio da Ferrari, tem por trás o aporte financeiro da SMP Racing, comandada pelo banqueiro russo Boris Rotenberg. Tem muito a evoluir, vai testar pela Alfa Romeo em Abu Dhabi, mas parece ainda verde para a Fórmula 1. Foi o quinto e último dentre os citados por K-Mag na lista dos cinco pilotos com chances de assumir um lugar na Haas.

Louis Delétraz, suíço de 23 anos, é um veterano da Fórmula 2 e faz parte da categoria desde 2017. Ainda não venceu, mas faz neste 2020 sua melhor temporada e é o sétimo no campeonato correndo por uma equipe de meio de grid, a Charouz. É piloto de testes e reserva da Haas desde o ano passado, mas não se mostra conformado e busca novos horizontes. Ciente de que dificilmente vai ter uma chance real na equipe e na F1 como um todo, Delétraz tem feito provas de GT e Endurance, como as 24 Horas de Le Mans deste mês, atuando na classe LMP1 pela Rebellion.

Pietro Fittipaldi, 24 anos, faz parte da Haas desde 2018 e ocupa o posto de piloto de testes e reserva da equipe norte-americana. O brasileiro nascido em Miami tem visto o tempo passar enquanto busca bons horizontes na sua carreira. Tem patrocinadores fortes, o apoio da Claro de Carlos Slim e um sobrenome pesado, mas isso não é o suficiente. Depois do título da finada World Series em 2017, Pietro testou pela Jaguar na Fórmula E, correu na Indy e até na Super Fórmula japonesa, mas não se firmou. Ano passado, fez a temporada do DTM pela WRT, equipe da Audi, sem grande destaque. Entre o fim de 2019 e o começo de 2020, fez a F3 Asiática para se manter em atividade.

Pietro Fittipaldi tem ligação de longa data com a Haas e patrocínio da Claro (Foto: Haas F1 Team)

Antonio Giovinazzi, italiano de 26 anos, fez pouquíssimo desde que passou a fazer parte do grid da Fórmula 1. Antigo membro da Academia da Ferrari, foi escolhido pela equipe de Maranello para correr pela Alfa Romeo, onde está há duas temporadas. Não parece ter fôlego para muito mais, mas já conhece a Haas, onde fez sete TL1 em 2017. Nome com chances muito remotas para permanecer na Fórmula 1.

Robert Kubica voltou ao grid do Mundial no ano passado pela Williams e, de forma até surpreendente, marcou o único ponto da equipe contra zero do badalado George Russell. O polonês anunciou a ruptura de contrato com a equipe de Grove e assinou com a Alfa Romeo para ser reserva imediato de Kimi Räikkönen e Giovinazzi. Aos 35 anos, corre pela BMW no DTM, mas ainda sonha com um retorno como titular da Fórmula 1. Para isso, ainda que seja muito pouco provável — muito por conta também das suas capacidades físicas limitadas —, Kubica tem um grande trunfo: o patrocínio da petrolífera polonesa PKN Orlen.

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