Momento pede cabeça no lugar de Russell: vaga na Mercedes parece óbvia, mas não é

O incidente entre George Russell e Valtteri Bottas no GP da Emília-Romanha ainda ecoa dentro das garagens da Mercedes. E o inglês da Williams, piloto da marca alemã, acabou sendo considerado culpado pelo acidente que pegou muito mal com o chefão da esquadra tetracampeã

Assista aos melhores momentos do GP da Emília-Romanha de F1 (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Até é possível dizer que o acidente entre George Russell e Valtteri Bottas no GP da Emília-Romanha não passou de um incidente de corrida ou que foi só resultado do arrojo de um jovem que tentava marcar os primeiros pontos de uma equipe que raramente vai figurar entre os favoritos. Em outro cenário, ganharia as manchetes apenas de momento. Acontece que, por conta de todos os envolvidos, a batida em Ímola agora ganha contornos dramáticos e vira um daqueles episódios que pode mudar para sempre a carreira de alguém.

Na volta 31, Russell chegou em Bottas para brigar pela nona colocação da corrida. Com melhor ritmo, o inglês se colocou pelo lado de fora, depois da reta de largada, para tentar a ultrapassagem no trecho da antiga Tamburello. O finlandês movimentou ligeiramente o carro para a direita, mas ainda assim deixou espaço para o rival, que reagiu à ação, mas acabou tocando na grama, e isso desencadeou o acidente, que destruiu os dois carros.

Ao deixar a Williams, George não escondeu a irritação e se queixou com Valtteri, que ainda estava dentro da Mercedes acabada na brita. Logo depois, ainda no calor do momento, o britânico não poupou o colega, colocando toda a culpa em cima do nórdico, que se defendeu. Acontece que, nos boxes da equipe alemã, o chefe Toto Wolff teve outra visão do caso.  

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Toto Wolff se irritou com o comportamento de George Russell em Ímola (Foto: Mercedes)

A carreira de Russell é gerenciada pela Mercedes desde 2017. E o time já o trata com muita atenção. Tanta que, quando Lewis Hamilton desfalcou a equipe devido ao contágio do novo coronavírus, Wolff não hesitou em tirar George da Williams e alocá-lo no carro do heptacampeão para a etapa em Sakhir, já na reta final da temporada passada. A decisão foi mais do que correta. Afinal, o piloto de 23 anos impressionou com uma atuação sólida e teria vencido aquela prova, não fosse as trapalhadas da própria equipe.

George parece ser (ainda) o futuro da Mercedes, mas não é tão óbvio depois de Ímola. E isso ficou muito claro nas declarações do chefão da Mercedes, que exige de Russell “uma perspectiva global” do momento que vive. “A situação toda não pode acontecer de novo. Valtteri teve um desempenho muito ruim nas primeiras 30 voltas e não deveria estar em nono lugar, mas George não devia ter tentado uma manobra semelhante considerando que a pista ainda não estava completamente seca”, disse o austríaco.

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“Aquela manobra envolvia riscos, e ele não levou em consideração que o carro à sua frente era um Mercedes. Todo piloto que pertence a um programa de jovens nunca deve perder de vista essa perspectiva global das coisas. Acho que ele tem muito a aprender com o que aconteceu.”

“Foi um acidente grave e, considerando a introdução do teto orçamentário, os danos relatados provavelmente afetarão as atualizações que podemos trazer para o nosso carro”, completou Wolff, colocando a real perspectiva em cima do acidente, sem contar o fato de ter dito que “sempre provoca” Russell sobre a vaga na Mercedes, desde que faça “um bom trabalho”. Caso contrário, o piloto estaria mais perto da Copa Renault Clio.

George Russell e Valtteri Bottas se envolveram em um forte acidente durante a corrida em Ímola (Foto: Reprodução/TV)

As palavras do dirigente foram tão duras que George imediatamente baixou o tom e se desculpou publicamente com Bottas, assumindo toda a responsabilidade pelo incidente. A atitude, inclusive, ganhou um post de apoio de Lewis Hamilton. Entende-se, então, que há um controle bem-sucedido do prejuízo.

Mas não dá para negar que criou-se agora desconfiança com relação a George e ao fato de não parecer pronto para se tornar titular na Mercedes. É um movimento interessante, para uma promoção que parecia apenas uma questão de tempo. Portanto, ter a cabeça no lugar vai ser decisivo, especialmente considerando a frágil posição de Bottas, que mesmo assim é alguém em quem a equipe confia. Só que tem outro aspecto: um grid com opções promissoras, ainda que menos óbvias.

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