Pontuação extra, pneus e até horários: tudo sobre a primeira corrida sprint da Fórmula 1

A grande novidade a ser implementada na temporada 2021 da Fórmula 1 vai estrear no fim de semana do GP da Inglaterra, em Silverstone. O GRANDE PRÊMIO explica todos os detalhes do chamado sprint qualifying, nome oficial da corrida de classificação, e como o novo formato vai impactar no fim de semana

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Ideia antiga e até rejeitada outrora pelas equipes da Fórmula 1, as corridas de classificação seguiram na mesa do Liberty Media como chance de acrescentar algo novo em termos de formato e ação em um fim de semana de corrida. Um dos principais entraves à época foi a sugestão de grid invertido, amplamente reprovada pelas escuderias e prontamente retirada da proposta. O tema voltou à discussão nas primeiras semanas de 2021 e, de forma até surpreendente, dado em conta o conservadorismo no meio do esporte, a proposta das corridas sprint foi aceita, ainda que em caráter experimental.

Silverstone, berço da Fórmula 1, foi escolhido para ser o palco da primeira corrida de classificação, ou sprint qualifying, o nome oficial. Trata-se de uma prova bem mais curta que os tradicionais 305 km de domingo: uma disputa de 100 km, ou cerca de meia hora, no sábado, é a que vai definir o grid de largada do principal evento do fim de semana, o GP propriamente dito.

Inglaterra, em Silverstone, e Itália, em Monza, já são palcos confirmados das corridas de classificação. Espera-se que Interlagos, sede do novo GP de São Paulo, marcado para 7 de novembro, também receba uma sprint qualifying nesta temporada, mas a corrida em solo brasileiro ainda é dúvida e, por isso, a Fórmula 1 pensa em alternativas para receber o terceiro teste com o novo formato.

A introdução da classificação vai mexer totalmente em no fim de semana do GP da Inglaterra. Primeiro, por conta dos eventos em cada um dos dias de atividades de pista. Esqueça a ordem de treinos livres 1 e 2 na sexta-feira, treino livre 3, na manhã de sábado, e a sessão classificatória. A única atividade que se mantém inalterada mesmo é a corrida principal, no domingo.

SILVERSTONE; GEORGE RUSSELL; GP DA INGLATERRA; 2019
A Fórmula 1 vai acelerar em Silverstone neste fim de semana para sua primeira corrida de classificação (Foto: Williams)

Há mudanças sutis, mas que podem até influenciar no campeonato, como a distribuição de pontos extras aos três primeiros colocados da corrida de classificação. A gestão dos pneus também vai ser mexida. Por exemplo, ao invés dos habituais 13 jogos de pneus, cada piloto vai contar com apenas 12 sets. Tudo certamente vai mudar muito a programação das equipes no fim de semana.

E como a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) vai lidar com a aplicação das punições em uma jornada que se desenha inédita e completamente diferente do habitual?

A seguir, o GRANDE PRÊMIO traz um pequeno guia sobre a grande novidade da Fórmula 1 em muitos anos: entenda como vai ser o fim de semana do GP da Inglaterra com a adoção da primeira sprint qualifying da história da Fórmula 1.

NORRIS FURTADO, HAMILTON EMPOLGADO, F1 PREPARADA PARA SPRINT RACE (VÍDEO: GRANDE PRÊMIO)

Programação do fim de semana: dias e horários

O cronograma do GP da Inglaterra compreende três dias de atividade, como é de costume nos finais de semana de corrida do Mundial de Fórmula 1, mas, com exceção do domingo, a programação e os horários de sexta-feira e sábado serão bem diferentes do usual.

Na sexta-feira, por exemplo, o treino livre 1 segue com 60 minutos de duração, mas vai começar às 10h30 (de Brasília). A partir de 14h, também de Brasília (GMT-3), os pilotos voltam à pista de Silverstone para a classificação, ou a definição do grid de largada para a sprint qualifying. Tal sessão, que seguirá com os segmentos Q1, Q2 e Q3, está marcada para 14h (sempre de Brasília).

Fim de semana do GP de Silverstone compreende horários bem diferentes do habitual (Foto: AFP)

No sábado, acontece mais um treino livre, o TL2 — outra diferença: via de regra, neste dia acontece o treino livre 3 —, com início previsto para 8h e duração também de 60 minutos. E a partir de 12h30, a Fórmula 1 vai dar a largada para a primeira corrida de classificação da sua história, com duração prevista de 25 a 30 minutos, extensão de cerca de 100 km, que vai totalizar 17 voltas.

O resultado da corrida de classificação é o que vai definir o alinhamento inicial do GP da Inglaterra propriamente dito. A corrida tem largada marcada para 11h (de Brasília) e tem 52 voltas previstas.

Como vão ser os treinos livres?

A expectativa das equipes da Fórmula 1 é que o primeiro treino livre tenha um perfil bem diferente do habitual. Se costumeiramente escuderias e pilotos trabalhavam em parte da sessão na busca pelo melhor acerto do carro, parte em ritmo de classificação e a outra em ritmo de corrida, desta vez o foco estará basicamente voltado às simulações de classificação.

CORRIDA SPRINT DA FÓRMULA 1 É DETESTÁVEL, DIZ GABRIEL CARVALHO (VÍDEO: GRANDE PRÊMIO)

Haverá muito pouco tempo para trabalhar no acerto do carro. Previamente, as equipes chegarão à pista com um setup pré-definido nos trabalhos de simulador, e os pilotos vão ter poucos minutos para buscar alguma evolução. Não há a possibilidade de mexer nos carros depois entre o TL1 e a corrida de classificação em razão do regime de parque fechado.

Cada piloto terá à disposição, ao longo do fim de semana, 12 jogos de pneus, sendo 6 de macios, 4 de médios e 2 de compostos duros. A tendência é que os pneus duros sejam usados no início da sessão e, na sequência do TL1, os macios sejam a preferência dos competidores para as simulações em ritmo de classificação.

Um dos temores das equipes para o treino livre 1 é a possibilidade de uma bandeira vermelha, o que encurtaria ainda mais os trabalhos de avaliação em ritmo de classificação. Os times também vão abrir o fim de semana com uma recomendação expressa aos seus respectivos pilotos: evitar correr riscos desnecessários.

Já o segundo e derradeiro treino livre, no sábado pela manhã — período em que habitualmente acontece o TL3 —, deverá ter um ritmo bem mais morno. Isso porque, sem mais a necessidade de avaliar o ritmo dos carros em classificação, o foco ficará todo voltado para os long-runs, ou as simulações em ritmo de corrida. A tendência é que os pneus médios e duros sejam os mais usados nesta sessão.

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A classificação da sprint qualifiying

A sessão, marcada para sexta-feira à tarde (horário britânico, 18h), segue com o padrão no Q1, Q2 e Q3 e as respectivas eliminações, passando os dez mais rápidos do segundo segmento para a fase final.

Há algumas diferenças bem significativas, porém. A primeira delas é que os pneus macios serão mandatórios nesta sessão e em todos os segmentos da classificação. Quem avançar ao Q3 receberá um jogo extra de pneus macios. Outro ponto importante é que o mais rápido do Q3 vai largar na frente na corrida de classificação, mas não será creditado pole-position para efeito de estatística.

GABRIEL CARVALHO: CORRIDAS DE CLASSIFICAÇÃO NA F1 NASCEM COM RECEITA PARA FRACASSO (VÍDEO: GRANDE PRÊMIO)

A primeira corrida de classificação da Fórmula 1

Cercada de expectativa, por todos os lados, desde o pessimismo de Lewis Hamilton ao otimismo de Ross Brawn, a primeira corrida de classificação, ou sprint qualifying, vai ter lugar às 12h30 (de Brasília) deste sábado. Com duração prevista de 25 a 30 minutos e 17 voltas, a prova traz a perspectiva de ritmo frenético em quase todo o tempo.

F1; FÓRMULA 1; F1 2020; SAFETY-CAR; PANDEMIA; CORONAVÍRUS; GP DA INGLATERRA; SILVERSTONE;
Duração da primeira sprint qualifying da Fórmula 1 será entre 25 e 30 minutos (Foto: Pirelli)

Diferente do que acontece em uma corrida tradicional diante das regras atuais da Fórmula 1, na sprint qualifying os pilotos e equipes têm liberdade de escolha em termos de pneus. Há, então, chance maior de dois compostos serem usados: os macios, que tendem a durar cerca de 15 voltas antes de uma natural perda de performance, e os médios, não tão rápidos quanto os compostos macios, porém com a capacidade de durar mais e sem perder tanto desempenho.

Não haverá, na corrida de classificação, a obrigatoriedade de fazer troca de pneus e de usar dois compostos diferentes ao longo da prova.

Será o vencedor da corrida de classificação o dono da pole, e isso também vale para efeito de estatística, para o GP da Inglaterra deste domingo. Toda a ordem final da corrida de classificação será o grid de largada da prova principal do fim de semana.

Ao fim da corrida, os três primeiros colocados da debutante sprint qualifying vão colocar seus carros nas respectivas posições que vão formar no grid de domingo. Depois, vão receber um grande colar de flores, que remente aos anos dourados do esporte a motor, e seguirão para o que a Fórmula 1 chama de “desfile da vitória” ao longo de uma volta completa em Silverstone, em formato guardado a sete chaves pela organização da categoria.

A celebração não será no pódio, este reservado à liturgia da comemoração depois do GP propriamente dito, no domingo.

O GP da Inglaterra de Fórmula 1

O principal evento do fim de semana segue sendo o do domingo, com o tradicional sistema de pontuação, inclusive com o ponto extra para o dono da volta mais rápida da prova — desde que este termine no top-10 — e festa do pódio e vinho frisante para os três primeiros colocados.

A corrida em Silverstone terá a duração habitual e regras costumeiras, exceção feita à escolha dos pneus.

Neste caso, os pilotos têm a escolha livre dos compostos que serão usados na largada, mas será obrigatório, para todos os que completarem a prova, o uso de pelo menos dois compostos ao longo da prova.

Sistema de pontuação

Em um fim de semana com muita coisa diferente, o sistema de pontuação também vai sofrer mudanças em Silverstone. O vencedor da corrida sprint vai faturar 3 pontos, contra 2 do segundo colocado e um do terceiro.

Desta forma, enquanto num fim de semana habitual um piloto pode somar até 26 pontos, no GP da Inglaterra até 29 tentos estarão em jogo.

Punições

abordagens distintas para o que a direção de prova de Fórmula 1 promete aplicar sobre punições durante o fim de semana em Silverstone. Se uma equipe decidir trocar elementos da unidade de potência — e se exceder a quantidade prevista pelo regulamento — ou mesmo houver a necessidade de troca do câmbio, a aplicação da punição de perda de posições no grid de largada vai ser feita na corrida principal e não na sprint qualifying.

A determinação evita qualquer brecha que pudesse ser aproveitada pelas equipes para o cumprimento de punições na corrida de sábado, deixando assim o caminho livre para domingo. A FIA foi mais rápida e impediu qualquer possibilidade do tipo.

Já as punições de ordem esportiva, como incidentes em disputas por posições — muitos deles observados no último GP da Áustria —, serão cumpridos, via de regra, na prova em que aconteceram as infrações.

Uma punição de 5s ou 10s durante a corrida será cumprida no momento do pit-stop ou então de acréscimo ao tempo total de prova: na corrida de classificação, caso aconteça durante a disputa de sábado; no GP da Inglaterra, se a infração for na prova de domingo. O mesmo vale, por exemplo, para o drive-through.

Se um incidente semelhante à batida de Kimi Räikkönen em Sebastian Vettel no fim do GP da Áustria acontecer na volta derradeira da corrida de classificação, a punição será aplicada como acréscimo ao tempo de prova da corrida de classificação, não sendo transferida a sanção para domingo.

Verstappen aplica novo domínio e vence: os melhores momentos do GP da Áustria (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

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