Retrospectiva 2019: Parceria Red Bull-Honda rende bons frutos no primeiro ano

O primeiro ano do casamento Red Bull-Honda foi excelente, especialmente por conta de Max Verstappen. Cada vez mais maduro, o holandês vem provando que merece brigar pelo título. O time teve dificuldades com Pierre Gasly, mas o showman Alexander Albon deu conta do recado nas corridas finais, apesar de ainda precisar elevar o nível de competitividade

RETROSPECTIVA F1 2019
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O fã mais fiel da Red Bull não esperava um ano tão positivo com a Honda. Após temporadas consecutivas com bateção de cabeça com a Renault, o time taurino aceitou a aposta de aliança com os japoneses, tão contestados pela conturbada relação com a McLaren e com Fernando Alonso. Porém, o saldo Red Bull-Honda é bem positivo no primeiro ano.

 
E a combinação também tem outro personagem impecável: Max Verstappen. O holandês teve a sua temporada mais forte na Fórmula 1. Uniu a regularidade e a inteligência ao estilo agressivo, o que foi suficiente para conquistar um incrível terceiro lugar no Mundial de Pilotos, à frente dos nomes da badalada Ferrari.
 
Max mostrou a que veio logo na abertura da temporada, na Austrália, surpreendendo Vettel e conquistando o pódio. Nas provas seguintes, foi mais discreto, mas somou bons pontos, provando a confiabilidade dos japoneses, que voltaram a colocar Verstappen no pódio na Espanha.
Verstappen persegue Hamilton em Mônaco (Foto: Beto Issa)
Em Mônaco, veio a primeira chance de vitória. Mesmo com Verstappen punido por saída insegura no pit-lane, o holandês bateu de frente com Lewis Hamilton, que tinha pneus bem desgastados. O momento histórico viria duas corridas depois, na Áustria. Após uma largada ruim, Max precisou mostrar o espírito de vencedor, e com um desempenho absolutamente sensacional nas 20 voltas finais, ultrapassou Sebastian Vettel, Valtteri Bottas e Charles Leclerc, de modo dramático, para conquistar a primeira vitória do ano, e a primeira de um motor Honda desde 2006.
 
Na Inglaterra, Verstappen precisou dar show para segurar Leclerc, mordido pela vitória tomada nas voltas finais em Spielberg. Mais uma grande atuação do holandês, que viu um pódio certo roubado por Vettel, que atingiu sua traseira.
 
O ápice do conjunto Red Bull-Verstappen-Honda veio a seguir. Na Alemanha, acertaram a estratégia e passaram longe da confusão para conquistar a vitória na maluca corrida. Na Hungria, o tabu de poles do holandês finalmente foi quebrado, mas o terceiro triunfo em quatro corridas foi tomado de forma genial por Lewis Hamilton no fim.
O pódio do GP da Áustria (Foto: Mercedes)
As dificuldades que impediram a chance de um vice-campeonato de Verstappen vieram após as férias. Acidente na largada na Bélgica e acidente na largada em Monza quebraram uma incrível sequência de mais de 21 corridas no top-5. O pódio em Singapura ficou com gosto amargo, já que era uma pista que a Red Bull tinha tudo para dominar.
 
Em sequência, alguns resultados pouco chamativos. Como o quarto na Rússia sem ameaçar, abandono no Japão por acidente com Leclerc na largada, e seu pior momento na temporada: o fracasso no México. Fez a pole, mas não tirou o pé com bandeira amarela e levou punição. Na tentativa de recuperação na corrida, teve pneu furado em disputa com Bottas e foi apenas o sexto.
 
Mas o fim de temporada para Verstappen foi incrível o suficiente para colocá-lo como candidato ao título em 2020. Pódio nos Estados Unidos seguido de uma atuação espetacular no Brasil, com pole e vitória, além de fechar a temporada com o segundo lugar em Abu Dhabi. Se Verstappen teve sua capacidade questionada em algum momento, chegou a hora de reconhecer o holandês como material para um campeão do mundo.
Max Verstappen venceu o GP do Brasil (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
O outro carro da Red Bull passou por uma montanha russa ao longo do ano. Pierre Gasly foi promovido ao lugar deixado por Daniel Ricciardo, mas nunca convenceu. A pré-temporada ruim seguida de críticas do consultor Helmut Marko abalaram o francês, que em 12 corridas, teve o quarto lugar circunstancial em Silverstone como seu melhor momento. Fora isso, registrou eliminações no Q1, corridas em que não ameaçou o restante da F1 A e até superado pela F1 B. 
 
O desempenho ruim motivou a troca pelo novato Alexander Albon, da Toro Rosso. Chamando atenção aqui e ali no time satélite, o anglo-tailandês virou um showman nas nove corridas que fez, especialmente porque precisou se recuperar em várias, e teve sucesso. Seu ápice foi no Brasil, quando aplicou uma ultrapassagem sensacional em Sebastian Vettel e tinha tudo para ser segundo, não fosse um raro momento desastroso de Lewis Hamilton, que o fez cair para 14º.
 
O saldo da Red Bull em 2019 é muito positivo. Verstappen está definitivamente preparado para ser campeão do mundo. Albon ainda precisa elevar o seu nível de competição, mas nada que o tempo não resolva, pois é um dos nomes mais divertidos de assistir na Fórmula 1 atual.
 

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