Verstappen diz que “chutaria” piloto que se recusasse a correr após ver cenas de acidente

Para Max Verstappen, se recusar a voltar a uma corrida como a do GP do Bahrein após ver as imagens do acidente gravíssimo sofrido por Romain Grosjean não era uma opção: “Não entendo por que você não correria”

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As cenas do acidente gravíssimo sofrido por Romain Grosjean na primeira volta do GP do Bahrein foram repetidas à exaustão para o mundo todo por meio das redes sociais, mas também nos telões do circuito de Sakhir. Alguns pilotos se mostraram incomodados por ver as cenas, como Daniel Ricciardo, que chegou a falar que a F1 foi “nojenta e desrespeitosa” com os competidores durante o tenso momento de bandeira vermelha. A questão levantou um debate sobre voltar a disputar uma corrida ou não diante de tais circunstâncias.

De certa forma, impressionou o fato de, cerca de uma hora e meia depois de o carro de Grosjean partir ao meio e explodir no guard-rail da curva 3 do circuito de Sakhir, os 19 pilotos do grid relargarem para a sequência da corrida. Na visão de Max Verstappen, não há motivos para que alguém cogite não correr depois de ver as cenas de um acidente que impressionou o mundo e abalou a Fórmula 1 de alguma maneira.

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Para Max Verstappen, não correr após ver as cenas de um acidente gravíssimo na F1 não é uma opção (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

“Não entendo por que você não correria. Se eu fosse o chefe da equipe, chutaria do assento”, esbravejou o holandês em entrevista coletiva pouco depois do desfecho da corrida. “Se o cara não corresse, se eu fosse o chefe da equipe, diria a ele: ‘Então você nunca mais senta no carro’”, desdenhou o piloto da Red Bull, segundo colocado na prova do último domingo (29).

Lewis Hamilton, que estava ao lado de Verstappen no momento da conferência, se mostrou chocado com o ponto de vista do holandês e disparou. “Espero que você nunca seja meu chefe de equipe. Lamento por todos que possam vir a pilotar para você no futuro”.

Na visão de Hamilton, vencedor do GP do Bahrein, cabe à FIA e aos órgãos reguladores definir se a situação é segura ou não para que os pilotos possam voltar a correr.

“Não somos nós quem fazemos as regras de segurança. Estamos aqui para fazer um trabalho e contamos com a FIA, que está ciente da segurança, e confiamos neles implicitamente”, salientou.

Ricciardo reclamou da Fórmula 1 por permitir que os pilotos pudessem ver as cenas do carro de Grosjean em chamas. Na opinião do australiano, em entrevista ao canal holandês Ziggo Sport, a categoria brincou com os sentimentos dos pilotos, abalados por tudo o que havia acabado de acontecer e ainda sem notícias concretas sobre o estado de saúde do franco-suíço da Haas.

“Para mim, foi entretenimento, eles estão brincando com todas as nossas emoções, e eu achei isso bem nojento. Espero que os outros pilotos tenham se manifestado. Mas se não for assim que todos nós nos sentimos, ficaria muito surpreso”, salientou.

Valtteri Bottas não foi tão enfático quanto Ricciardo, mas deixou claro que também se incomodou ao ver as imagens da batida, das chamas e do carro de Grosjean partido ao meio e completamente destruído.

“Quando há um acidente, quando acaba sendo bom para os pilotos, eles gostam de repetir. Eu me sinto como as pessoas, os espectadores querem ver. Mas também há um limite. Eu estava assistindo ao telão porque queria ver o que aconteceu. Assim que vi, tentei evitar, mas as imagens foram reproduzidas em todos os cantos”, comentou o finlandês.

“Não sei, talvez seja uma questão para as pessoas que estão assistindo, os fãs, se eles querem ver 20 vezes o replay disso ou não”, complementou.

Jack Aitken, piloto reserva da Williams e competidor da Campos na Fórmula 2, viveu um momento muito difícil ao ver um acidente fatal à sua frente na corrida 2 da etapa de Spa-Francorchamps no ano passado. Anthoine Hubert sofreu um grave acidente no início da prova, bateu na saída da curva Raidillon e, quando voltou, foi acertado em cheio pelo carro de Juan Manuel Correa, na temida batida em T. Hubert foi declarado morto pouco mais de uma hora depois.

Aitken lembra que, diante de uma situação tão difícil, não há espaço para insensibilidade. “Não desejo a ninguém as experiências que o fariam perceber o quão errado se pode estar. Não é nada mais do que dizer que somos todos humanos, e aquela cena foi traumática, especialmente por não sabermos da condição de Romain imediatamente”, disse.

“Estamos aqui para correr, sim, mas não sob qualquer circunstância. Saber que ele estava bem certamente tornou tudo muito mais fácil para eles, tenho certeza”, complementou o competidor.

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