GUIA 2021: Kanaan celebra “melhor chance de ganhar Indy 500” em volta para Ganassi

Ao GRANDE PRÊMIO, Tony Kanaan falou dos planos para o futuro, de como a oportunidade de volta para a Ganassi foi uma proposta irrecusável e acredita que tem, com o novo time, uma chance especial para conquistar o segundo anel na Indy 500

Tony Kanaan é um dos raros pilotos que podem bater no peito orgulhosos por serem campeões da Indy e vencedores da Indy 500. Aos 46 anos, o brasileiro já conquistou tudo que precisava na categoria, mas segue com vontade de mais e de mostrar, para ele mesmo, que ainda tem bastante gasolina no tanque.

Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, o veterano comentou o retorno à Ganassi, explicando que tem uma chance especial de voltar a vencer as 500 Milhas de Indianápolis. O baiano ainda falou dos planos para o futuro, de como vai conciliar Indy e Stock Car e, claro, de como está sendo a readaptação ao time que defendeu entre 2014 e 2017 e ao fato de dividir carro com Jimmie Johnson, uma das maiores lendas da história do automobilismo americano.

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Kanaan já abre o papo deixando claro que tem uma chance de ouro de vencer a Indy 500. Ou melhor, duas, afinal, tem contrato também para 2022 com a Ganassi. O brasileiro teve um primeiro teste com o time, justamente em Indianápolis, e gostou do que viu.

“É uma das minhas melhores chances de ganhar a Indy 500, esses dois anos de Ganassi. Se as coisas seguirem como em 2020, com a vantagem da Honda, está ótimo. Só que tudo muda muito de um ano para o outro. De qualquer jeito, testei o carro e saí bem contente. Todo mundo esconde muito nos testes, mas, pensando do meu lado, é minha melhor chance nos últimos quatro anos, pelo menos”, disse ao GP.

TONY KANAAN; GANASSI; INDY; 2021;
Tony Kanaan sonha com a segunda Indy 500 em 2021 (Foto: IndyCar)

Tony passou três anos defendendo a Foyt, em uma realidade completamente diferente da que encontra na Ganassi. É que o antigo time não tinha nem de perto a mesma estrutura, apenas vivendo de brilharecos em ovais, mas nada comparado ao poderio da Ganassi. O brasileiro, aliás, garante: voltou para o time de Chip Ganassi como se nunca tivesse saído.

“Minha readaptação não demorou nada, está todo mundo lá como era antes. Parece que fui viajar e, quando voltei, estava tudo no mesmo lugar em casa. Sigo com meu engenheiro, alguns dos mecânicos são os mesmos da outra passagem, tudo isso fez a readaptação ficar mais fácil”, falou.

O veterano passava por um 2020 de dúvidas, sem saber se renovaria para fazer os ovais pela Foyt ou até se seguiria outro caminho em outra categoria. Só que aí veio ninguém menos que Johnson falando que queria que Kanaan guiasse seu carro nos ovais, justamente o tipo de pista que o consagrou na Nascar. Não tinha como negar.

“Muita coisa pesou na volta para a Ganassi, mas a proposta do Jimmie Johnson, da gente fazer algo inédito no automobilismo, não tinha muito para onde ir que não fosse aceitar. O convite veio, era lá mesmo que tinha de ser”, comentou.

Tony Kanaan vai dividir carro com Jimmie Johnson (Foto: Divulgação/Ganassi)

O baiano fez questão de explicar que o quarto carro da Ganassi não é exatamente a mesma coisa que o segundo, que guiou até 2017. Trata-se de uma operação nova, ou seja, que demanda algum tempo de adaptação e entrosamento para todos os envolvidos. Isso pode levar algum tempo.

“A equipe do carro #48 é uma equipe nova. Os mecânicos foram promovidos do carro do Dixon, ainda estão em fase de entrosamento, aprendizado. A minha vantagem é que a minha primeira corrida é só no Texas, então a equipe já vai estar mais entrosada, pensando de um jeito mais egoísta. Pensando nos dados técnicos, temos todo o aparato da equipe, com os outros carros, mas ainda é um carro novo, uma operação que foi montada ali nos últimos meses”, declarou.

Mesmo assim, Tony acha que a Ganassi entra no campeonato como favorita ou ao menos uma candidata forte. Kanaan faz questão de dizer que não imagina a Chevrolet tão atrás da Honda na Indy 500 como foi em 2020, o que faria times como a Penske e a McLaren ameaçarem um pouco mais.

“A Ganassi sempre é equipe a ser batida, mas difícil saber se a mais esse ano, muita coisa parece ter mudado. A Chevrolet não deve ter ficado nada contente pelo pau que tomou ano passado, então, difícil prever algo. Mas, no meio disso tudo, não dá para dizer que a Ganassi não esteja na briga”, explicou.

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Em mais um ano que corre apenas nos ovais, Tony nem tem dúvidas de qual o objetivo a cumprir: vencer pela segunda vez as 500 Milhas de Indianápolis. O resto é lucro.

“Minha meta é ganhar Indianápolis, não tem como, todo ano é isso. Mas como eu estou só nos ovais, posso dizer que quero ganhar a Indy 500 e nas outras eu me conformo em brigar pelo pódio”, brincou.

Kanaan também vê a Indy 500 e os demais ovais como um programa suficiente para o atual momento da carreira. É que o brasileiro já pensa em outras categorias e sabe também que disputar o campeonato todo da Indy talvez nem fosse mesmo o cenário ideal.

“Para quem estava se preparando para não fazer mais nada na Indy, está ótimo os ovais. Vou correr por uma equipe boa, também aceitei outros desafios, então vou correr de Stock Car, de SRX, ou seja, eu já estava pronto para encarar outras coisas e caiu como uma luva essa oportunidade para mim. Não é segredo que eu me dei muito bem nos ovais nos últimos anos, então, bem contente com isso”, disse.

Tony Kanaan teve um 2020 estranho de aposenta ou não aposenta (Foto: Indycar)

2020 foi estranho para Kanaan, afinal, a Indy vendeu como sua temporada de despedida e o piloto, em momento algum, confirmou que era aquilo mesmo. O fato é que Tony não pensava mais em fazer campeonatos completos, mas o entendimento foi outro. Agora, ainda que acredite que esteja no último contrato da carreira na categoria, não vai mais falar em aposentadoria.

“Meu contrato com a Ganassi é de dois anos, então, teoricamente, não tem mais isso de despedida e eu já decidi também que não quero mais isso porque vai saber o que acontece. Ficar anunciando e voltando atrás vai parecer que estou indeciso e não é verdade, não foi o caso, foi tudo uma situação inusitada e um convite irrecusável que eu recebi. Planos? Fazer o meu melhor, curtir os dois anos e é isso. Até o fim do contrato vou estar com quase 49 anos e não dá para ficar correndo de Indy para sempre, então pode ser, sim, meu último contrato”, explicou.

O veterano sempre falou na Stock Car com animação e interesse, mas, agora que tem contrato com a Full Time, não sabe bem o que esperar. É que a categoria é quase que misteriosa para alguém que não conhece nem o carro e nem a maior parte das pistas. A aposta está em aprender com Rubens Barrichello, amigo de longa data.

“Nem sei o que pensar, na verdade, porque a Stock Car é algo totalmente novo para mim. Não conheço várias pistas, não conheço o carro e nem posso treinar. Mas, em termos de conciliar, está bem tranquilo, porque meu calendário de Indy tem só quatro corridas e, por enquanto, nenhuma bate com a Stock Car. Estou muito empolgado, mas não faço ideia do que esperar, sei que estou em uma equipe boa, tenho um companheiro de equipe que é meu irmão e que vai me ajudar muito, mas é meio que uma incógnita para mim o que vai rolar”, comentou.

Rubens Barrichello e Tony Kanaan vão se reencontrar na Stock Car (Foto: Miguel Costa Jr./Medley)

Aos 46 anos, Tony não se vê nem perto de estar em decadência técnica, afinal, ainda está em forma e com a mesma guiada que sempre teve. Ainda, consegue estar exatamente nos campeonatos que gostaria de estar hoje.

“Acho que o papo da idade é muito relativo, só ver o Rubens [Barrichello]. Não tenho 80 anos, sabe? Não sou um vovô guiando. Meu nível é o melhor de todos que tive, meu estilo não mudou com o tempo, então eu estou em um momento muito bom da minha carreira, fazendo o que eu gosto e o que eu queria fazer, era mesmo só os ovais. Vou ter a chance da Stock Car, que era algo que queria fazia tempo, então me sinto bem privilegiado por fazer o que eu quero fazer até hoje”, falou.

A falta de brasileiros na Indy segue sendo uma preocupação, afinal, seguem Kanaan e Helio Castroneves lá, agora com Pietro Fittipaldi fazendo companhia nos ovais com a Dale Coyne. O futuro? Só vai ficar garantido se Enzo Fittipaldi e Kiko Porto seguirem crescendo no Road to Indy.

“Isso sempre preocupa, mas é algo que a gente identifica no automobilismo mundial, cada vez temos menos brasileiros como um todo. Não sei se é uma situação econômica, tem a Stock Car como uma grande categoria no Brasil, então a molecada vê a chance mais perto. Tem casos de pilotos que voltaram para o Brasil depois da Europa, mas a gente vê muito garoto lá que poderia estar na F1. Preocupa, mas muito também porque faz tempo que isso tem acontecido, só ver que eu e o Helio estamos aí faz mais de 20 anos, isso não é nada comum. Acho que a gente só durou o tanto que duramos porque não teve renovação. Sempre foi assim, a gente chegou e teve gente saindo, sempre são safras. Pensando na parte egoísta da minha parte, foi bom para a gente isso, mas não é bom no geral. Espero que o Pietro, o Enzo e o Kiko fiquem na Indy mesmo”, analisou.

Por fim, Kanaan apontou seus favoritos ao título, seguindo o duelo entre Scott Dixon e Josef Newgarden que foi visto em 2020 e colocando outros dois nomes na briga.

“Scott Dixon, Josef Newgarden e Alexander Rossi são os favoritos para mim, mas acho que o Pato O’Ward também vai chegar muito forte em 2021”.

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